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Amazonense volta a ver a mãe, que morava nos Estados Unidos, após uma década de distância

Decreto assinado pelo presidente norte-americano Barack Obama possibilita manauara rever a mãe, agora imigrante legal, após 10 anos separadas pela distância entre dois países 06/12/2014 às 10:11
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Essa é a primeira vez, em 10 anos, que Milena Bittencourt vê a família por vídeo conferência, por culpa do serviço de conexão de internet precário da família em Manaus, no bairro Grande Vitória
Cynthia Blink Manaus (AM)

Milena Bittencourt foi uma das beneficiadas com o decreto de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos (EUA), quanto à legalização temporária de 5 milhões de imigrantes que até então viviam sem documentos no país. Agora, ela planeja a viagem de volta a Manaus, sua cidade natal, para visitar a mãe e todos os familiares que não vê há cerca de 10 anos.

A amazonense ainda não tinha 20 anos quando ganhou o sobrenome Moreno, do primeiro marido, e partiu em lua de mel para “Miami” nos Estados Unidos. Era a primeira vez que Milena saía do Brasil, estava animada em descobrir um novo mundo, mas não cogitava fazer parte dele.

“Tínhamos vendido todas as nossas coisas, quando voltássemos para o Brasil moraríamos na casa da minha sogra, mas quando enxerguei que teria a oportunidade de possuir minha independência financeira ficando aqui, nem a decisão dele de voltar me abalou e, mesmo sozinha, tratei de insistir no meu sonho”, justifica Milena e recorda a infância repleta de dificuldades econômicas que a forçaram a amadurecer cedo.

Nos EUA, ela trabalhou como faxineira, garçonete e em um jornal brasileiro, onde atua no marketing e assina a coluna “Entre dois países”, do impresso distribuído em nove estados norte-americanos. “Sem papéis (documentos) eu não tinha como fazer faculdade, nem crescer muito no trabalho, viajar para fora do país ou ter carteira de motorista, mas recentemente alguns estados permitiram que os sem documentos também tirassem a carteira e foi assim que consegui. O pior mesmo é ser humilhada e o triste é que são os brasileiros que estão legais os que mais descriminam os brasileiros que estão fora da lei, já entre os norte-americanos esse comportamento não é a regra”, revela Bittencourt com a propriedade de quem sofreu ameaças de ser denunciada para a imigração caso cobrasse o seu dinheiro depois de prestar um serviço, como é normal acontecer com quem está nessa situação por lá, segundo ela.

Depois de um itinerário cheio de obstáculos, a amazonense garantiu uma qualidade de vida recompensadora. Para a manauara, ter aprendido outro idioma foi um de seus maiores lucros, além disso, conseguido ajudar financeiramente sua família no Brasil, construído uma família nos EUA e agora comemora poder continuar os estudos, já está matriculada na universidade Valencia College, em Orlando, onde mora atualmente. “Sou agradecida ao EUA pelas oportunidades que tive de crescer, sonhar e poder ajudar a minha família no Brasil. Muita gente foi embora com medo dessa lei nunca se concretizar, mas eu nunca perdi a esperança”, diz Milena.

Saudades do Brasil

“O país em que nascemos é o país onde nós gostaríamos que estivessem todas as boas oportunidades, mas às vezes a realidade é incompatível com os nossos desejos, por isso precisei sair, mas sinto muita falta da minha família, dos meus amigos, do calor humano, da comida e do ar sem poluição da Amazônia”, confessa Bittencourt, que calcula sua viagem ao Amazonas para o final de 2015.

Aqui em Manaus, Olga Farias, mãe de Bittencourt aguarda ansiosa pelo dia que a filha desembarca na capital amazonense. “Estou com muitas saudades. Quando ela viajou seria apenas umas semanas, não achei que ficaria 10 anos sem ver minha filha, mas agora já nem acredito que essa espera vai acabar”, celebra a enfermeira, que está curiosa para conhecer pessoalmente sua netinha, que possui dupla cidadania, Tylla de 4 anos e seu genro, o catarinense Diogo Bittencourt.

Em números

11 milhões de pessoas  e pessoas moram ilegalmente nos EUA, mas apenas 5 milhões foram beneficiadas pelo decreto do presidente dia 20 de novembro.


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