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Ambientalista neozelandes quer exterminar todos os gatos do país

Segundo Gareth Morgan, os gatos são responsáveis por colocar espécies nativas de pássaros em perigo. A Nova Zelândia concentra uma das maiores concentrações de felinos domésticos do mundo. 14/02/2013 às 17:42
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Segundo Gareth Morgan, população de gatos está exterminando as espécies nativas de pássaros da Nova Zelândia
Bruno Strahm Manaus (AM)

Um ambientalista neozelandês causa polêmica em seu país por iniciar uma campanha de extermínio da população de gatos domésticos na ilha do pacífico sul. O motivo alegado por Gareth Morgan, é que os felinos são caçadores naturais e ameaçam a existência de 33 espécies nativas de pássaros e contribuíram para a extinção de 9 delas.

Segundo o autor da proposta, a Nova Zelândia é o último refúgio de uma vasta gama de espécies de pássaros, o país tem a fama mundial de ser uma das nações mais ecologicamente corretas. "Nós inclusive atraímos dividentos econômicos importantes com nossas políticas, é exatamente por esta razão que não devemos ser indiferentes. Precisamos dar este passo para denfender nossos pássaros", afirma Morgan em seu site, Cats to Go.

O país abriga uma das maiores populações per capita de gatos do mundo, uma espécie que não existia na ilha e que foi introduzida pelos colonos europeus.

“Quase a metade das moradias do país tem um, ou dois gatos, fazendo dos neozelandeses os maiores proprietários de felinos no mundo”, comenta Morgan.

Eliminação

O plano proposto é sistemático, visa à extinção da espécie em alguns anos na ilha. Inicia pelo registro de toda a população de gatos existentes no país, implantação de microchips de detecção, castração e eliminação sumária de felinos abandonados nas ruas. A venda de novos animais em lojas de pets também seria coibida. Aos que estão vivos, também há a proposta de coleiras equipadas com sinos para ajudar os pássaros a perceberem a aproximação de seus predadores.

“Antes que você diga que alimenta bem seu gato, mesmo gatos bem alimentados matam. O fato é que eles matam por instinto, não porque precisam se alimentar, é uma das atividades que mais lhe traz prazer. Em um estudo, seis gatos foram presenteados com um pequeno rato vivo enquanto faziam sua alimentação. Todos pararam de comer , mataram o rato e então terminaram suas refeições”, argumenta Morgan.


Polêmica

Mesmo com argumentos bem fundamentados, em uma enquete no próprio site, 80% dos internautas se disseram contra a medida proposta pelo autor. Morgan tem o apoio de um grupo de outros ambientalistas do país, mas o assunto é delicado, pois mexe com a liberdade civil dos neozelandeses.

Para o ambientalista Diego Brandão, consultor ambiental e mestre em ecologia, sob o ponto de vista ecológico, o raciocínio de Morgan está correto. “A explicação dada por ele faz sentido. Quando uma espécie não tem predador natural,ela acaba se tornando responsável pela eliminação de outras”, comenta Brandão.

No entanto, o assunto de exterminação completa de uma espécie é delicado. “Isso ultrapassa qualquer discussão ecológica ou biológica, passa a ser ética. Sou contra uma espécie se sobrepor a outra desta forma. O próprio homem faz isso no meio ambiente, eliminando espécies para fins particulares. Acredito que deva haver um controle rígido na população de felinos domésticos na Nova Zelândia, sem apelar para a extinção”, finaliza Brandão.


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