Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Ameaça é cumprida: ataques aos Calderaro foram anunciados pelo irmão de parlamentar

Luiz Alberto Nicolau ameaçou, em dezembro de 2012, lançar campanha difamatória contra os  donos do jornal A CRÍTICA. No Boletim de Ocorrência (BO), Luiz Bonates sustentou que, em meio às ameaças, o deputado afirmou que estava disposto a gastar R$ 1 milhão para denegrir a família e as empresas da RCC.



1.png Faixas iguais à publicada no Facebook do deputado compararam a RCC ao PCC
21/05/2013 às 09:08

Os ataques em série à família Calderaro realizados pelo deputado Ricardo Nicolau (PSD) por meio das redes sociais e em publicações apócrifas, que resultaram, nessa segunda-feira (20), em confronto físico, foram anunciados pelo irmão do parlamentar, o empresário Luiz Aberto Saldanha Nicolau, em dezembro de 2012.

No dia 28 de dezembro do ano passado, o diretor da Seven Entertainment, Luiz Bonates, registrou um Boletim de Ocorrência, depois de ser chamado para uma reunião com Luiz Alberto Nicolau, e ouvir no encontro, por parte do empresário, ameaças contra ele e membros da família Calderaro.



“Dentre as ameaças feitas pelo acusado, este informou que ‘onde encontrasse o Sr. Dissica (Tomaz Calderaro) e o Sr. Umberto (Tomaz Calderaro)  não se responsabilizaria por seus atos e partiria para a agressão física, citando inclusive um fato o qual partiu armado para cima de uma outra pessoa noutra oportunidade”, diz um trecho do B.O.

A Seven é parceira comercial da Rede Caladeraro de Comunicação (RCC). E até então mantinha relações comerciais com a Samel, empresa da família Nicolau. “Ele solicitou uma visita nossa e, por essa relação comercial, imaginávamos que o assunto seria na esfera comercial”, disse Bonates.

Segundo Bonates, ao iniciar a conversa, Luiz Alberto Nicolau, em tom exaltado, afirmou que estava irritado com matérias publicadas em A CRÍTICA citando o irmão dele, deputado Ricardo Nicolau.

“Ele (Luiz Alberto) começou a dizer que estava se armando para fazer uma campanha publicitária contra a família Calderaro, pois iria atingir a família da mesma forma que ele imaginava que a família atingia o irmão, na imagem. Chegou a citar datas para iniciar a campanha em outdoor e jornais impressos”, disse, ontem, Bonates.

O diretor da Seven conta que registrou o B.O. porque em meio às ameaças à família Calderaro, Luiz Alberto teria dito que também iria prejudicá-lo profissionalmente. “Disse que eu, por ser diretor de empresa parceira da rede (RCC), também iria me f... junto”, disse Bonates.

Também a convite de Luiz Alberto, o diretor comercial da TV A Crítica, Leonardo Alvarez, participou da reunião. “A gente ficou surpreso em ser chamado por ele com aquela urgência. E após ele nos relatar o motivo da conversa, ficamos realmente um pouco assustados, por conta de todas as ameaças que foram colocadas à família e ao Luiz (Bonates). Na verdade ele queria que a gente trouxesse esse recado à família”, disse Leonardo, ontem.

Disposto a gastar R$ 1 milhão

No Boletim de Ocorrência (BO), Luiz Bonates sustentou que, em meio às ameaças, Luiz Alberto Nicolau afirmou que estava disposto a gastar R$ 1 milhão para denegrir a família e as empresas da RCC.

Segundo Bonates, o irmão de Ricardo Nicolau acrescentou, ainda, que não adiantaria processá-lo, porque usaria “laranjas” na campanha difamatória. “Tais atitudes não corresponderiam a 5% do que realmente pretende fazer para f... com a família Calderaro”, declarou Bonates, citando Nicolau, em trecho do B.O. registrado na Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops).

“Toda raiva dele era relacionada ao que vinha sendo publicado com relação ao irmão dele. E começou dizendo que estava armando uma campanha publicitária”, comentou Luiz Bonates.

Motivo

As insatisfações do deputado Ricardo Nicolau com as matérias da editoria de política de A CRÍTICA, no final de 2012, se deram no contexto da guerra que o parlamentar travou nos bastidores contra deputados do mesmo grupo político para mudar a Constituição do Estado e permitir a candidatura dele à reeleição para a presidente da Assembleia Legislativa (ALE-AM).

Nicolau viu naufragar a proposta em dois pontos: a apatia do governador Omar Aziz (PSD) sobre o assunto e a antipatia de colegas de plenário, como o vice-presidente da administração dele, deputado Marcos Rotta (PMDB).Nicolau brigava por manter sob seu comando orçamento de R$ 219 milhões, e a posição política privilegiada de presidente do Poder Legislativo, às vésperas das eleições de 2014.

“Na hora  que ele (Luiz Alberto Nicolau) começou fazer as ameaças,  a gente ficou até sem entender   o motivo daquilo tudo. Depois ele começou a explicar o porque da revolta, e pediu para repassarmos para a família (Calderaro). Ao sairmos de lá, a gente se reportou para a família e, em comum acordo, decidimos ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência, até para nos resguardar futuramente, como está acontecendo agora. Para caso acontecesse, a gente ter como demonstrar que veio da parte dele. Tenho documento assinado por ele do dia que nós fomos lá, então não tem como dizer que não fomos lá, no dia 26 de dezembro. É muita coincidência. Ele faz as ameaças, a gente faz o B.O., depois acontece isso. Ele não pode dizer que não foi ele. Até porque não tínhamos como saber que isso iria acontecer”, explica Luiz Bonates Diretor da Seven Entertainment.

Entenda a cronologia do caso

 09.12.12 - A CRÍTICA noticia que a  ALE-AM, presidida por Ricardo Nicolau, separou R$ 214 mil do orçamento para comprar café, açúcar e leite. Oito dias depois, mostra que proposta de mudar regras para reeleição na Casa desagradava sociedade e deputados.

 26.12.12 - O empresário Luiz Alberto Nicolau, irmão do deputado Ricardo Nicolau, chama diretor da Seven e diretor comercial da TV A Crítica para fazer ameaças e dizer que vai promover campanha difamatória contra a família Calderaro e as empresas da RCC.

15.03.13 - Ricardo Nicolau posta na página dele no Facebook os primeiros ataques ao jornal A CRÍTICA. O parlamentar ficou irritado com matéria sobre proposta de projeto de lei de autoria dele para distribuir leite para idosos acima de 60 anos de idade.

11.04.13 - Após A CRÍTICA publicar que investigação do MPE apurou superfaturamento de R$ 3,3 milhões na construção do edifício-garagem da ALE-AM, Ricardo Nicolau foi para emissora de rádio e para a tribuna chamar Calderaros de quadrilheiros.

 12.04.13 - Grupo travestido de torcida do Flamengo vai para frente da RCC, com a alegação de protestar por causa de erro com nome do time em A CRÍTICA. Grupo xinga Calderaros  e cita ‘político importante’ que seria vítima do jornal.

09.05.13 - Depois de pressionar MPE para saber como A CRÍTICA teve acesso à investigação do órgão, Ricardo Nicolau apresenta supostos documentos à Procuradoria de Justiça, na tentativa de afastar suspeitas contra ele.

13.05.13 - Seguida a publicação de ataques na página do Facebook de Ricardo Nicolau à vice-presidente da RCC, Cristina Calderaro, imagens da jornalista e de Dissica Calderaro são expostas em faixas e jornais apócrifos.

 20.05.13 - Por volta das 15h30, quando se preparava para embarcar para São Paulo, o publicitário Mário Júnior, casado com a vice-presidente da RCC, Cristina Calderaro, foi vítima de agressões verbais e físicas por Ricardo Nicolau.


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