Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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Aparelhamento da ciranda é criticado

Deputados de oposição condenam uso das agremiações para fins eleitorais



1.jpg Diretora da Matizada no momento em que preenchia a ficha de apoio ao PL
26/07/2013 às 22:08

Os deputados estaduais Marcelo Ramos (PSB) e José Ricardo Wendling (PT) criticaram, ontem, o aparelhamento das cirandas de Manacapuru para fins político-eleitorais. Matéria publicada na edição de sexta-feira (26) do Jornal A CRÍTICA mostrou que as cirandas Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional estão pressionando os cirandeiros a assinarem a ficha de criação do Partido Liberal. A sigla está sendo articulada, no Amazonas,  para abrigar a eventual candidatura do vice-governador José Melo.

“Qualquer aparelhamento de uma organização como essa que é folclórica e tem a ver com a identidade cultural de um povo é errado. O fato se agrava com a vinculação do apoio financeiro que é dado às agremiações com a contrapartida da coleta de assinaturas para a criação do partido.  Esses recursos são públicos. Não são do governador, do deputado, do secretário. É fruto do suor do povo do nosso Estado”, disse Marcelo Ramos.
 
As cirandas são custeadas pelo poder público. No festival folclórico de 2012, cada uma das agremiações recebeu R$ 627,7 mil da Secretária Estadual de Cultura (Sec). Para a infraestrutura do Parque do Ingá, o governo repassou mais R$ 414,1 mil. Informação postada no dia 18 de maio deste ano, no blog do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Josué Neto (PSD), diz que ele intermediou o aumento do repasse para cada ciranda no valor de R$ 700 mil.

Denúncia feita por um sócio das cirandas, publicada por A CRÍTICA de ontem,  da conta de que foi Josué Neto que articulou com os presidentes das agremiações a campanha para coletar assinaturas em prol do PL.  O deputado não atendeu as ligações para comentar o assunto. No início deste ano, Josué Neto foi homenageado pelos dirigentes das danças com o título de  “padrinho das cirandas”.

“Isso é errado. Uma instituição pressionar filiados para assinarem ficha de criação de partido que tem interesse de abrigar um político que faz parte do governo que banca essa instituição é, no mínimo, falta de ética. Lamento  que a ciranda, que é um patrimônio da cultura de Manacapuru e do Amazonas, seja usada por pessoas sem escrúpulos para abarcar possível candidatura. Um candidato que faz isso não tem compromisso com a cultura”, disse José Ricardo.

Para poder lançar candidato na eleição de 2014, o PL tem que obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 5 de outubro, um ano antes do pleito. O registro definitivo é feito mediante a obtenção de 430 mil assinaturas, no mínimo, em nove Estados. A sigla já existiu. Mas em 2006 se fundiu ao Prona, gerando o PR. No Amazonas, a recriação da legenda está sendo articulada pelo vice-governador José Melo (PMDB).

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