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Aparelhos quebrados atrapalham tratamento de pacientes com câncer do Amazonas

Cidadão, que fez sete cirurgias para se livrar do câncer, encara uma verdadeira via crucis para fazer exames preventivos no Estado 10/04/2013 às 07:45
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Paciente mostra solicitação de exame de colonoscopia para ser feito na segunda-feira. No entanto, as máquinas da FCecon e do Adriano Jorge estão quebradas
FLORÊNCIO MESQUITA ---

O aparelho de colonoscopia (exame que detecta o câncer de intestino) da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) está quebrado há dois anos e não há previsão de conserto. Dezenas de pacientes com câncer ou que fizeram cirurgias reparadoras, e precisam do serviço por recomendação dos próprios médicos da unidade, estão sem opção na rede pública de saúde e não sabem quando poderão ter acesso ao procedimento.

A CRÍTICA acompanhou a via crucis de um paciente tentando fazer o exame na FCecon no Dia Mundial de Combate ao Câncer, na segunda-feira, e constatou  que faltavam motivos para comemoração.

A CRÍTICA percorreu vários setores da fundação como acompanhante de um paciente, cuja identidade foi preservada, e viu que, além do equipamento de colonoscopia, o tomógrafo está quebrado desde fevereiro, faltam medicamentos para pacientes realizarem quimioterapia e os condicionadores de ar do setor de urgência estão quebrados.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), só há a FCecon e o Hospital Adriano Jorge para o paciente fazer o exame de colonoscopia. A FCecon é referência no tratamento do câncer na região Norte, mas desde que o aparelho quebrou passou a transferir os pacientes para o Hospital Adriano Jorge. No entanto, a demanda do hospital. Associada à da FCecon sobrecarregou a máquina, que também quebrou. O resultado é que os pacientes precisam marcar o exame pelo Serviço de Marcação de Exames e Consultas do SUS (SISREG) e esperar de seis a oito meses para saber se poderão fazer o procedimento.  O exame custa R$ 1 mil na rede particular.

O paciente acompanhado por A CRÍTICA teve câncer de intestino e fez sete cirurgias reparadoras. Ele tem todas as guias e requerimentos médicos pedindo o exame, que não pode esperar. Ele está aguardando para fazer o exame há oito meses e corre o risco de ter sofrido alguma alteração que poderia ser tratada caso tivesse feito o exame. “Se algo estiver evoluindo no meu intestino vou ter que esperar  seis meses para saber e quando chegar a hora pode ser tarde demais. Quem tem neoplasia não pode esperar. Pacientes como eu precisam fazer a colonoscopia todos os anos para descartar a volta da doença”, disse.  

Cobrança na rede particular

Outra reclamação é sobre a cobrança de R$ 50 para custear o contraste (líquido a base de iodo) para tomografia computadorizada no Hospital Beneficente Portuguesa. Já que a máquina da FCecon está quebrada, os pacientes são encaminhados para fazer o exame em setes unidades que fazem o procedimento na capital.

No entanto, segundo os pacientes, o convênio das unidades particulares com o SUS não cobre o contraste usado no exame. O resultado é que os pacientes têm de  pagar. A recepcionista do gabinete de apoio da FCecon confirmou a  cobrança e diz que tomou conhecimento por meio das reclamações dos pacientes que procuraram a fundação.

Ela, que não quis se identificar, disse que o caso foi encaminhado para a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). “A gente encaminhou quatro ou cinco solicitações para a Susam tomar conhecimento e providências porque a gente não pode fazer nada. É um contrato que eles têm através da Susam. Não é nosso”, disse.

Servidores confirmam problemas na unidade

Os próprios funcionários da FCecon confirmam que os equipamentos de colonoscopia e tomografia estão quebrados. Eles têm a missão de todos os dias informar aos pacientes que moram em bairros distantes e até em outras cidades do Amazonas que a ida a fundação em busca dos exames foi em vão.

O paciente acompanhado por A CRÍTICA, por exemplo, perdeu as contas de quantas vezes ouviu que não poderia fazer o exame. Ele repetiu, segunda-feira, o mesmo caminho para ouvir a resposta que escuta há meses. “Nosso aparelho está quebrado senhor. O senhor tem que marcar lá na frente (Sisreg) e esperar. O pessoal estava sendo encaminhado para o Adriano Jorge, mas agora a máquina de lá está quebrada também”, disse a recepcionista.

Ele foi à recepção do Sisreg, seguindo a orientação da funcionária, e disseram que deveria fazer a queixa a diretoria administrava da FCecon. Indignado com o jogo de empurra, procurou o diretor e foi atendido por uma funcionária no gabinete de apoio. Lá, foi informado que deveria esperar e se quisesse resolver a questão deveria falar com o diretor técnico da unidade, que não estava no momento.

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