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Apesar da crise, 2014 foi considerado um dos melhores anos para os trabalhadores

Dados do Dieese apontam que, apesar das dificuldades da economia em 2014, trabalhadores tiveram ganhos reais 20/03/2015 às 09:38
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Indústria se destacou com os maiores índices médios de reajuste, que no Amazonas foi de 1,74% em
Natália Caplan ---

Apesar de ter iniciado com uma previsão de crise, o ano passado foi considerado um dos melhores para os trabalhadores do Brasil. A afirmação está nos números no Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais de 2014, divulgado ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Um total de 91,5% dos acordos firmados no País garantiu reajuste acima da inflação.

O estudo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Amazonas, todas as negociações ficaram acima da inflação — e da média nacional —, com destaque para a indústria, com 1,74% de aumento real médio, e o comércio, que registrou 0,61% — em 2013, o setor teve saldo negativo de 0,07%. No geral, a média estadual de reajuste foi de 1,34%.

“No caso do Amazonas, o resultado dos reajustes salariais de 2014 foram muito bons: 100% das unidades de negociação que nós acompanhamos (20) obtiveram aumento acima da inflação”, disse o supervisor técnico do Dieese, Inaldo Seixas, ao ressaltar que nem todas as classes foram abrangidas no Estado, diferentemente do estudo nacional, que somou 716 unidades de negociação.

Das 20 analisadas, 60% são do setor industrial, 35% de serviços e 5% do comércio. Segundo ele, falta interesse maior dos representantes de associações e sindicatos de diferentes áreas para melhorar esses números em todos os segmentos, com acréscimo de parcerias com o Dieese. “Ainda falta, no Amazonas, um avanço maior nas organizações, nas negociações coletivas entre entidades patronais e sindicais”, enfatizou.

No setor de serviços, a atividade de segurança e vigilância, segundo o Dieese, apresentou 100% de sucesso em todas as negociações acompanhadas em todo o País. De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Vigilância em Manaus (Sindevam), Valderli da Cunha Bernardo, este número chegou aos bolsos dos trabalhadores do Amazonas.

“Foi um ano muito proveitoso e, já em 2015, tivemos 2,67% de ganho real somente no salário; no ticket alimentação, foram quase 5%. Para o vigilante que faz segurança de grandes eventos conseguimos reajuste de 29%. Mas um salário nunca será satisfatório para quem arrisca a própria vida”, afirmou.

Apesar de os serviços de saúde terem registrado 87% de sucesso nas negociações, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Dr. Mario Vianna, discorda. “Estamos lutando com muita dificuldade para combater as perdas. Temos feito as melhores negociações possíveis”, declarou.

Em números

91,5%  dos acordos firmados em 716 unidades de negociação acompanhadas pelo Dieese, no Brasil, no ano passado, garantiu reajuste salarial para os trabalhadores acima do índice de inflação.

89,6% foi o reajuste salarial da Região Norte. Apesar de estar acima da média nacional, de 84,6%, foi a pior entre as regiões brasileiras. O maior percentual (93,6%) é do Sul.

94,2% das convenções coletivas obtiveram reajustes com índices que garantem ganhos reais aos salários, enquanto, entre os acordos coletivos, o percentual foi de 75,0%.

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