Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Notícias

Apesar de anúncio de melhorias, saúde pública no Estado do Amazonas continua precária

Dia após dia surgem novas denúncias de cirurgias e procedimentos cancelados por falta de estrutura adequada na rede pública



1.jpg O chef de cozinha Iury Muller sofreu uma fratura no braço e teve a cirurgia cancelada sete vezes na Fundação Hospital Adriano Jorge. Ele teme ficar com sequelas
11/01/2016 às 20:06

Mesmo depois de várias denúncias sobre a falta de estrutura nos principais hospitais e prontos socorros de Manaus, pacientes continuam padecendo com a carência de materiais, medicamentos, equipamentos e médicos. Cirurgias estão sendo canceladas e pacientes estão ficando com graves sequelas. 

Na Fundação Hospital Adriano Jorge, o chef de cozinha Iury Muller, 30, teve a cirurgia cancelada sete vezes, com a justificativa de falta de materiais. “Eu me sinto lesado. Preciso do meu braço para trabalhar e hoje estou com dificuldades para movimentá-lo”, desabafa.

Iury quebrou o braço em novembro e foi levado para o Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto. De lá, encaminhado ao Hospital Adriano Jorge, referência em cirurgias ortopédicas. “Cheguei a ir para a sala de cirurgia sete vezes, e em todas as vezes alguma coisa dava errado. As duas primeiras eu cedi meu lugar a duas idosas que estavam em fase terminal. Das outras vezes faltou equipamentos e uma vez falaram até que os materiais estavam contaminados”, relata.

A última cirurgia cancelada foi no fim do ano passado. Como consequência da falta de assistência, Iury ficou com o braço torto e está impossibilitado de trabalhar, pois não consegue se movimentar para cozinhar, o que o preocupa.

“Eu tinha que ter colocado uma placa e parafusos, mas já passou tanto tempo que o osso calcificou. Procurei um ortopedista particular e ele disse que uma cirurgia deste tipo, delicada, custaria R$ 30 mil. Eu não tenho como pagar”.

Outros casos

A aposentada Maria Marques de Cristo, de 82 anos, está internada há mais de um mês, aguardando uma cirurgia de fêmur no Hospital 28 de Agosto. Segundo o filho dela, Raimundo Adauto Cristo, 48, falta material para o procedimento. “Minha mãe corre o risco de sofrer uma infecção no hospital por ter que esperar esse tempo todo. Bate um sentimento de revolta, pois a gente paga os impostos e quando precisamos do serviço público, é este desrespeito”.

Na última quinta-feira, a dona de casa Elizangela Jeferson denunciou que o filho dela quebrou o braço no final do ano e a cirurgia não foi realizada por falta de platina. “Meu filho quebrou o braço no dia 31 e não fizeram a cirurgia por falta de platina. Agora tenho que tentar uma consulta com ortopedia para meu filho poder fazer a cirurgia, mas até agora nada”.

Dossiê aponta falhas graves na rede pública

No dia 29 de dezembro,  o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) entregou dossiê ao MPE e MPF sobre sistema de saúde, apontando falhas graves na rede hospitalar estadual, como nos Prontos Socorros João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo, FCecon), Hospital Francisca Mendes, Adriano Jorge e alguns SPAs.  Entre os problemas, há falta ou escassez de medicamentos, equipamentos  e materiais para os procedimentos. No dia seguinte, médicos, enfermeiros e técnicos protestaram em frente à Susam.

Agora é o ‘28’ que está sem tomógrafo

O único tomógrafo que estava atendendo os pacientes do Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul, e do Hospital João Lúcio, na Zona Leste, quebrou no último fim de semana.  Há pelo menos duas semanas, parentes de pacientes denunciaram que todos os exames de tomografia do João Lúcio estavam sendo encaminhados ao 28 de Agosto porque o equipamento da unidade estava quebrado.

No último domingo (10), pacientes denunciaram que, agora, o tomógrafo do 28 de Agosto também está inoperante e que a demanda dos dois grandes hospitais está sendo encaminhada ao Hospital Francisca Mendes, na Zona Norte. 

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que o tomógrafo do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto apresentou problema no último sábado e que o fabricante responsável pela manutenção do equipamento já foi acionado para avaliar e apresentar uma solução.

A pasta esclareceu que e o suporte para os pacientes que necessitam do exame está sendo dado não apenas pela Fundação do Coração Francisca Mendes, mas também pela Fundação Cecon, Fundação de Medicina Tropical e duas outras clínicas da rede particular conveniada.

Em relação ao tomógrafo do HPS Dr. João Lúcio, na última quinta-feira a Susam havia informado que o problema seria resolvido até o fim da semana passada. No entanto, no último domingo a pasta informou que o equipamento ainda está em manutenção.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.