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Após ameaça de expulsão da sigla, deputado Platiny Soares irá pedir a intervenção no Partido Verde

O deputado estadual quer se encontrar com o presidente nacional do PV, deputado federal José Luiz Penna, ainda este mês para pedir a  intervenção na direção estadual da sigla 10/02/2016 às 20:36
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Deputado estadual Platiny Soares foi o autor da polêmica proposta de homenagem ao deputado federal Jair Bolsonaro
Janaína Andrade Manaus (AM)

Ameaçado de expulsão do PV por ter promovido homenagem ao deputado federal Jair Bolsonaro, com a Medalha do Mérito Legislativo, honraria mais importante do Poder Legislativo, Platiny Soares está se articulando para provocar a intervenção do partido no Amazonas para assumir o comando da legenda.

O deputado estadual quer se encontrar com o presidente nacional do PV, deputado federal José Luiz Penna, ainda este mês. O político afirmou que, no  encontro, denunciará “os atentados à democracia, falsificação de atas, uso do partido como quintal da presidência (Eliane Ferreira)” e pedirá a  intervenção na direção estadual da sigla.

“Acredito que a direção nacional do PV tem que tomar uma decisão sobre isso, o que não dá é para o PV Amazonas usar a sigla como se fosse o quintal da própria casa, agindo de forma amadora. Será um pedido de providência. Pois essa é uma questão de interesse público e eu, como operador do direito, não posso me omitir diante do cometimento de crimes dentro do meu próprio partido. Eu não temo nenhum trabalho”, disse Platiny.

O parlamentar, que em sua atuação na ALE-AM sequer menciona a questão ambiental,  afirmou já ter até mesmo uma medida emergencial para o partido no Amazonas, caso assuma a presidência: evidenciar o programa partidário, em principal, a sustentabilidade.

“Falta um programa que evidencie a identidade do partido aqui, para que ele volte a assumir seu papel de protagonismo na política. O PV aqui parece que fez entre seus integrantes mais antigos um pacto pela mediocridade. E eu não temo nenhum trabalho. Aceitaria esse desafio, apesar de grande, porque é um partido que no Amazonas deixou de ser verdadeiro, mas tenho vitalidade para trabalhar e fazer valer. Eu não temeria, a gente faria isso para ontem”, disse.

Letargia

O PV constituiu uma comissão de ética no dia 3 de dezembro de 2015 para analisar o pedido de expulsão de Platiny, feito pelo membro da executiva nacional da sigla, Eduardo Jorge (PV/RJ), após o parlamentar anunciar que homenagearia o deputado federal Jair Bolsonaro, com a Medalha do Mérito Legislativo.

Bolsonaro é conhecido internacionalmente por seus posicionamentos homofóbicos e preconceituosos. Ele já foi processado e até condenado por suas declarações e incitações. O parlamentar se intitula defensor da “família tradicional” e surfa na onda de um “neoconservadorismo” que aflorou no Brasil nos últimos anos.

No dia 23 de dezembro, a Comissão de Ética, composta por Eliane (presidente do partido e da Comissão) e outros dois nomes – Olavo Auzier (relator) e José Aurélio (membro), apresentou um relatório opinativo recomendando a expulsão de Platiny por indisciplina.

O relator da Comissão, Olavo Auzier, chegou a declarar que somente no final de janeiro foi possível notificar o parlamentar, que teria prazo de 72 horas para apresentar defesa. Platiny alega não ter sido notificado e o prazo para a sua defesa terminou no dia 28 de janeiro.

Há 13 dias a executiva estadual do partido, que é composta por 16 membros, já poderia ter sido convocada para votar o parecer da Comissão de Ética, mas o processo segue em estado de inércia. Procurada pela reportagem, através dos telefones 991xxxx74, a presidente do PV, Eliane Ferreira, não atendeu as ligações, nem respondeu as mensagens, via Whatsapp.

Condição

A reportagem  apurou que a presidente estadual do PV, Eliane Ferreira, teria condicionado a suspensão do processo de expulsão de Platiny do partido à nomeação de seus familiares no gabinete do parlamentar . “Isso não chegou a mim, porém não preciso fazer nenhum tipo de troca de favores para me manter no PV. E meu gabinete está à disposição para ajudar o partido no que couber. O que eu falei para a presidente em janeiro do ano passado é que em nenhum momento eu iria aceitar parentes dela, com o objetivo dela obter ganhos pessoais”, disse.

Cronologia

Processo de Expulsão

27/11/2015 -  Platiny anunciou que homenagearia o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com a Comenda Ordem do Mérito Legislativo do Amazonas.

29/11/2015 - Eduardo Jorge (PV/RJ), que concorreu à presidência em 2014, usou o Twitter para afirmar que a postura de Platiny foi anti-PV.

02/12/2015 - Everaldo Farias, único vereador do PV na CMM, em entrevista, afirmou que iria propor a expulsão de Platiny da sigla.

03/12/2015 -  Em nota oficial divulgada à imprensa, a presidente estadual do PV, Eliane Ferreira, informou que a sigla instaurou um comissão de ética que pode levar à expulsão do deputado estadual Platiny.

28 de janeiro - Acabou, segundo relator da Comissão de Ética, o prazo para Platiny apresentar defesa. A comissão apresentou parecer opinando pela expulsão de Platiny.

Conduta contraria estatuto da sigla

Antagônica ao deputado Jair Bolsonaro, que já chegou a declarar que “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida”, uma das diretrizes do Programa Nacional do Partido Verde, divulgado por meio de vídeo, no Facebook, é a igualdade de gênero e o combate a todas as formas de discriminação machista ou sexista.

No ínicio de dezembro, Bolsonaro (PP-RJ) foi novamente condenado a indenizar a deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ter dito que não a estupraria porque ela “não merecia”.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios determinou, além do pagamento de indenização no valor de R$ 10 mil, que Bolsonaro se retrate das ofensas em todas as suas páginas oficiais e não apenas no canal YouTube, como havia sido decidido anteriormente.

Há dois anos, Maria do Rosário havia chamado Bolsonaro de estuprador, acusando o deputado de incentivar a prática, mesmo “sem ter consciência disso”. Ele a empurrou e disse que ela era uma “vagabunda”. Em dezembro de 2014, Bolsonaro afirmou que só não estupraria a deputada porque ela “não merecia”.

Outra diretriz da sigla é o combate a todas as formas de preconceito. Mesmo assim, Platiny Soares, único deputado estadual eleito pelo PV no Amazonas, insistiu e homenageou Bolsonaro que já chegou a declarar ser “incapaz de amar um filho homossexual”, chegando a declarar que preferia ver um filho morto em um acidente”. A declaração foi dada durante entrevista a revista Playboy, quando questionado sobre homossexualidade.

‘É uma tentativa frustrada’

O vereador Everaldo Farias (PV) classificou como “frustrada” a articulação do deputado Platiny Sores em pedir ao presidente nacional da sigla, José Luiz Penna, intervenção no PV/AM.

“Ele tem todo direito de conversar com as instâncias superiores, agora, quem agrediu o estatuto do PV foi ele, quem desrespeitou o partido foi ele. Essa é uma tentativa frustrada do Platiny para tentar aparecer”, disse Everaldo.

Segundo o vereador, o pedido de intervenção não depende somente de decisão do presidente do PV (José Luiz Penna), mas também do colegiado da executiva nacional.

“Já questionei e cobrei celeridade da direção estadual nesse processo. Caso a Executiva Estadual do PV recue da decisão de expulsar o Platiny, eu irei apresentar uma denúncia formal ao presidente Luiz Penna pedindo a expulsão dele, pois entendo que a postura dele foi uma agressão ao estatuto do PV”, concluiu.

Everaldo Farias apresentou em novembro uma moção de repúdio à proposta de Platiny em homenagear o deputado federal Jair Bolsonaro.

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