Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
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Após cão atacar e matar uma criança, raça pit bull se torna o centro de 'julgamentos'

Animal ataca e mata criança de um ano e sete meses, reabrindo a polêmica sobre a convivência com a raça de cachorro. Para adestradores e veterinários, a criação e convivência faz a diferença



1.jpg A convivência de um pitbull com crianças é perfeitamente possível, basta que desde cedo seja realizado um trabalho de socialização do anima
03/10/2014 às 18:01

Acidentes envolvendo cachorros, especialmente quando são da raça pit bull, têm sido cada vez mais noticiados e causado  polêmicas em Manaus. Se algumas pessoas defendem a convivência com a raça, outros  afirmam que o pit bull não se relaciona bem com pessoas e o  instinto agressivo dele é o motivo de tantos casos envolvendo os animais.

A última vítima de um ataque de pit bull foi o pequeno Pedro Augusto Brasileiro, de um ano e sete meses, que morreu, quarta-feira à noite, depois de ser atacado pelo cachorro da família quando brincava no pátio da própria  casa.

Para o adestrador do 7º Batalhão de Polícia do Exército, Gabriel Andrade, a socialização do animal com a família deve ser feita desde o momento em que ele é comprado e levado para casa.

“O pitbull, como qualquer raça de cachorro, precisa conviver com outros cães, com a família que o adotou, pois se viver preso vai se tornar agressivo”, explicou Andrade, que é tenente do Exército.

De acordo com ele,  a convivência de um pit bull com crianças é perfeitamente possível, basta que desde cedo seja realizado um trabalho de socialização do animal.

Ainda de acordo com o adestrador, há muitos casos que a pessoa decide comprar um cão da raça pit bull somente por status, esquecendo que o animal precisa de  cuidados e atenção. “Se a pessoa não vai poder dar atenção, é melhor escolher outra raça”, disse.

Censo

A presidente do Clube do Pit bull, Andréia Guedes, lembra que nos Estados Unidos existe uma população de cinco milhões de cachorros desta raça e apenas 44 casos de ataques. Em Manaus são cadastrados no clube 300 animais.

“A forma como o animal é criado influencia na forma como ele se relaciona com as pessoas. Eu não posso deixar o cachorro preso e quando for estender a roupa dar um oi e achar que estou convivendo”, disse Andréia.

Segundo o delegado  Gerson Corrêa um inquérito  será aberto para investigar se houve ou não negligência dos pais. Os pais serão ouvidos para identificar  as condições sob as quais o cão vivia e a relação do animal com a família.

Bruna: Moreira Lima, médica veterinária

"O pit bull, como  qualquer animal, pode ter um distúrbio de comportamento. Na hora de escolher ter um pit bull, o bem estar dele deve ser levado em consideração, pois a raça precisa de  atividade física, ser solto e conviver com as pessoas da casa se não ele vai estranhar. O que acontece é que alguns donos instigam o animal e fazem com  que eles se tornem agressivos. Claro que de um grupo de três filhotes,  um pode ser mais agressivo, mas é a convivência e a forma como ele é criado que vai determinar como o animal vai ser. O que acontece hoje com o pit bull durante muito tempo aconteceu com o dobermann. As pessoas pararam de criar dobermanns  porque se espalhou que eram agressivos e não podiam conviver com pessoas. Existe casos de crianças que pulam em cima de  pit bulls e nunca foram atacadas. Essa boa convivência está relacionada com o entendimento do dono de que o animal tem necessidades,  como, por exemplo, passear todos os dias, ter espaço para correr e brincar. Para o pit bull e qualquer animal as palavras chaves são exercício, disciplina e amor”.


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