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Cotidiano
Permanência

Após envolver-se em polêmica na saída de Calero, Geddel continua no governo Temer

O porta-voz da Presidência confirmou a permanência do ministro, contrariando eventual saída dele após acusações do ex-ministro da Cultura 21/11/2016 às 17:04
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Entretanto, fontes da Reuters informaram que a situação de Geddel não é tão segura quanto o presidente da República tenta demonstrar (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Lisandra Paraguassu (Reuters)

A permanência no cargo do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, foi confirmada nesta segunda-feira (21) pelo presidente Michel Temer, mas fontes da Reuters no Palácio do Planalto informaram que a situação do ministro não é tão segura quanto o presidente da República tenta demonstrar.

O anúncio da permanência de Geddel foi feito pelo porta-voz do presidente. “Em primeiro lugar, o ministro Geddel Vieira Lima continua à frente da Secretaria de Governo da Presidência’, disse o porta-voz a jornalistas. A eventual saída dele se deu após acusações do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de que recebeu pressão de Geddel para liberação de empreedimento na Bahia.

“O presidente Michel Temer ressalta, adicionalmente, que todas as decisões sob responsabilidade do Ministério da Cultura são e serão encaminhadas e tratadas estritamente por critérios técnicos, respeitados todos os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador”, afirmou o porta-voz.

A declaração do porta-voz, feita exclusivamente para esclarecer a situação do ministro, foi acertada em uma conversa entre Temer e Geddel. Incomodado com especulações sobre sua saída – inclusive feitas por colegas de ministério, como o secretário-executivo do Programa de Parcerias em Investimentos, Wellington Moreira Franco – Geddel teria pedido uma declaração mais firme do presidente.

Nos bastidores do Planalto, no entanto, a avaliação é que a situação de Geddel não é tão firme. Apesar da amizade de 30 anos com Temer, o ministro está “em observação”. “Vamos esperar o noticiário de amanhã. Em um caso como este, o que vale não é a amizade, mas o que é melhor para o governo”, disse uma das fontes.

Pressão contra Calero

Geddel Vieira Lima acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de o ter pressionado para interferir na liberação, pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), da construção de um empreendimento em Salvador onde tem um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.

Calero creditou seu pedido de demissão às pressões do ministro e a um processo de “fritura” que Geddel teria iniciado contra ele depois da negativa definitiva do Iphan. Em entrevista à Reuters no sábado, Geddel confirmou que conversou com Calero sobre a obra, mas negou que as conversas tenham sido uma forma de pressão.

Auxiliares do presidente apontam que já começam a ser lembradas outras citações a Geddel na operação Lava Jato, quando o ministro aparece conversando com Léo Pinheiro, da OAS, e defendendo a liberação de outro empreendimento da empreiteira Cosbat, o Costa Espanha, também em Salvador. Se aparecerem outros casos, Geddel poderia se tornar um problema maior do que uma ajuda, avaliou outra fonte.

De acordo com outro auxiliar do presidente, Geddel terá que mostrar que tem condições de ficar no cargo, e isso dependerá dos próximos dias. Por enquanto, disse a fonte, é uma guerra de versões entre Geddel e o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero – que acusou Geddel de pressão para liberar a construção de um prédio em que tem um apartamento na capital baiana.

Auxiliares graduados de Temer já defenderam a saída do ministro. Além de Moreira Franco -que em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em Paris, disse que não garantiria a permanência de Geddel- outras pessoas próximas a Temer defenderam a saída do ministro, alegando que sua permanência faria mal a imagem do governo. “A maneira dele colhe muitos inimigos. Muita gente não gosta de Geddel”, disse uma das fontes.

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