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Após mais uma denúncia, ex-delegado de Juruá está na mira do Ministério Público Estadual

Daniel Trindade será investigado pelo Ministério Público do Estado por suposto enriquecimento ilícito e improbidade administrativa, após denúncia sobre o delegado ter supostamente colocado presos e um adolescente apreendido para trabalharem na construção de sua academia 23/10/2015 às 10:43
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Trindade envolveu-se em polêmica ao aplicar surras em presos no município de Juruá
Aristide Furtado Manaus (AM)

Depois de ser afastado das funções por promover brigas entre presos e agredir detentos com ripadas, o ex-delegado de polícia de Juruá (a 737 quilômetros de Manaus) Daniel Trindade será investigado pelo Ministério Público Estadual (MP-AM) por suposto enriquecimento ilícito e improbidade administrativa.

A portaria que determina a abertura do inquérito civil contra Daniel Trindade, assinada pelo promotor de Justiça Roberto Nogueira, foi publicada na edição de ontem do Diário Eletrônico MP-AM. O documento cita denúncia de  violação aos direitos de crianças e adolescentes na comarca de Juruá decorrente do fato do delegado ter supostamente colocado presos e um adolescente apreendido para trabalharem na construção de uma academia de propriedade  dele.

“Tive conhecimento que havia presos que saiam para trabalhar na residência e na academia dele (delegado). Tenho conhecimento sim. A coisa era pública e notória. Inclusive acredito que saiu uns vídeos nas redes sociais, espancamento de preso. Têm presos espancados que, segundo informações, trabalhavam na construção dele”, disse ontem o capitão da Polícia Militar Francisco Jesus Barbosa de Souza, que  responde interinamente pela Delegacia de Polícia de Juruá e atua no município desde 2010.

Na portaria, o promotor determina que seja requisitado do Estado a ficha funcional do delegado e da Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública, cópias integrais de todos os procedimentos administrativos e sindicância contra ele. Pede também  à Prefeitura de Juruá e à Junta do Comércio do Estado do Amazonas cópia de todos os documentos da academia que pertenceria a Daniel Trindade.

Ontem, por telefone, Daniel Trindade disse que foi orientado pelo setor jurídico da  Associação de Delegados de Polícia do Estado do Amazonas (Adepol) a não se pronunciar sobre qualquer fato relativo à sua função. A advogada da Adepol,  Pualani Barreto, informou que o delegado  não foi notificado sobre o inquérito do MP-AM.

Em números

10 é o atual número de presos da Delegacia de Juruá, segundo o  Capitão da PM Francisco Jesus. Em junho, o delegado Daniel Trindade foi denunciado por promover lutas entre detentos. No início desta semana, A CRÍTICA divulgou imagens em vídeo do delegado  agredindo três presos com ripadas nas mãos e na sola dos pés.

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