Publicidade
Cotidiano
Notícias

Após morte, moradores do bairro Cidade de Deus aguardam providências da Defesa Civil

Perigo é maior para família que ficou em cima de onde ocorreu soterramento 04/11/2013 às 08:13
Show 1
Local do acidente que resultou na morte de um adolescente que trabalhava escavando
Ana Celia Ossame Manaus, AM

Três dias depois da morte por soterramento de um adolescente de 16 anos, na rua São Francisco, bairro Cidade de Deus, Zona Norte, a diarista Eliane da Silva Marques, 35, mãe de cinco filhos e grávida de seis meses, aguarda a providência prometida pela Defesa Civil de Manaus para retirá-la do local. Segundo ela, que mora na parte de cima de onde dois adolescentes faziam escavações para construção de um muro, a aflição é permanente porque tem que sair para trabalhar e deixar os filhos sozinhos em casa. “Quando chove, fico desesperada, mas não tenho para onde ir”, afirmou.]

O acidente que matou um dos dois adolescentes que trabalhavam na escavação aconteceu na manhã da última sexta-feira, no momento em que estava chovendo. Um outro jovem contratado pelo proprietário da casa resolveu deixar o local quando começou a chuva.

O sobrevivente ficou soterrado parcialmente e saiu ferido. O outro, de 16 anos, foi difícil de ser encontrado, o que provocou a morte dele. “Meus filhos disseram ter ouvido o barulho da terra e logo depois uns gritos fracos de pedido de socorro”, relatou Eliane, revelando temer permanecer no local já que houve alteração no barranco após a escavação. “Quem garante que não vai cair mais terra?”, perguntou ela, explicando que o muro seria para evitar que a terra caísse.

Ameaças
Em toda a rua São Francisco, os moradores dizem viver preocupados com a situação, mas alegam não ter alternativa. O operário de construção civil Edmar Jesus da Silva, 50, também tem a casa construída na base de um barranco, que está sendo alterado para construção de uma escada. Ele afirmou não acreditar haver muito risco na ação, mas se preocupa porque quando há chuvas, desce muita água do barranco, que pode infiltrar-se no solo, tornando-o frágil e com riscos de desmoronamento.

Na avaliação de Edmar Jesus da Silva, a tragédia pode ter acontecido por conta de uma ação errada na escavação.

Próximo daquela área, em outra rua do bairro, na Salvador, indígenas da etnia tukano também demonstram preocupação com o barranco. Com as casas construídas na base do local íngreme, eles reconhece o risco que correm com o precipício. “Desce muita água daí, principalmente quando chove”, disse uma das indígenas que vive no local e pediu para não ter o nome divulgado. Ela também acredita que a água pode encharcar a terra e com o tempo, causar desmoronamento.

Família será retirada de área de risco
Técnicos da Defesa Civil constataram que há risco de novos desmoronamentos na área e acionaram a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) para fazer o cadastro da família de Eliane da Silva Marques, que deve ser incluída no recebimento de benefícios sociais.

De acordo com a diretora do Departamento de Proteção Social Especial (DPSE) da Semasdh, Gecilda Albano, a família deverá ser retirada hoje e será contemplada com aluguel social porque com a escavação feita pelos adolescentes, a base do barranco foi afetada, deixando a casa em situação de risco.

Segundo a diretora, que acompanhou o atendimento ao adolescente que sobreviveu, ele está bem. De acordo com ela, “é lamentável ver que os três foram vítimas de trabalho infantil porque foram contratados para fazer a escavação, sem qualquer orientação técnica, por R$ 150, valor que seria dividido entre os três”. “O jovem perdeu a vida a custa de R$ 50”, lamentou Gecilda.

Publicidade
Publicidade