Publicidade
Cotidiano
Notícias

Após prisão de 'João Branco', FDN deve se reestruturar para manter negócios, crê polícia

Segundo acreditam as autoridades, as ordens da facção criminosa Família do Norte devem continuar vindo de dentro dos presídios de segurança máxima, para serem executadas por soldados e emissários 26/02/2016 às 10:59
Show 1
Operação La Muralla, começou com a apreensão de R$ 200 mil em uma lancha, dissecou a estrutura interna da facção Família do Norte
Joana Queiroz Manaus (AM)

Junto com a prisão do narcotraficante João Pinto Carioca, o "João Branco", em poder da Polícia Federal de Roraima desde esta quinta-feira (25), quando foi preso tentando entrar no Brasil após anos sob o status de foragido, cai a última liderança ainda em liberdade da facção criminosa Família do Norte (FDN), que comanda o tráfico de droga e a maioria dos crimes de homicídios que acontecem em Manaus nos últimos anos.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, que resultou na operação “La Muralla” em novembro de 2015, mesmo foragido, ele continuava no comando do crime de onde estava escondido, provavelmente da Venezuela, e de lá vinha as ordens para assassinatos, transações financeiras e o comércio de drogas, executadas por seus soldados.

Com a prisão de João Branco, a polícia acredita que a organização vai se reestruturar para manter os seus negócios e deve continuar mandando as ordens de dentro dos presídios para serem executadas pelos seus soldados. Coincidência ou não, a semana passada, a Polícia Civil do Amazonas prendeu  Manoel Ivani Pinto Carioca, 37, conhecido como “Zico” ou “Manoelzinho”, irmão de João Branco.

Durante depoimento prestado para o diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Samir Freire, Zico  declarou que após a fuga do irmão, ocorrida há dois anos, foi ele quem coordenou homicídios e tráficos. “Ele é o representante abaixo do João Branco e  foi ele quem assumiu o lugar do irmão”, declarou Samir.

De acordo com o ex-superintendente da Polícia Federal e atual assessor especial da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) Mauro Spósito,  o comando vai continuar dando ordens mesmo estando preso em presídios de segurança máxima.

Para a polícia, as ordens vão chegar, para serem executadas, por meio de emissários - pessoas com eles vão ter contato, entre eles, o filho do traficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, Luciano Fernandes;  e Erick Simões, o “CD”, que é quem comanda o tráfico no Coroado, Zona Leste.

Ordens para matar desafetos

Partiram dos celulares dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN) João Pinto Carioca, o “João Branco”, e José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa” as ordens para parte da série de 38 execuções que transformaram o período de 18 a 20 de julho no que ficou conhecido como “Final de Semana Sangrento”. 

Na época, João Branco estava foragido e Zé Roberto preso no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), atualmente, em presídio federal. As conversas telefônicas entre líderes da FDN interceptadas pela Polícia Federal revelaram os planos da facção para assassinar os membros de duas facções rivais, com quem ela disputa territórios em Manaus: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a “Família Esparta 300”, liderada pelo criminoso Ronairon Moreira Negreiros, que está preso  no Comando de Policiamento Especial (CPE).

A conclusão da PF foi baseada em interceptações de conversas e mensagens telefônicas trocadas por Zé Roberto, João Branco e Alan Castimário, o “Nanico” - que estava preso na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e também foi transferido para presídio federal -, responsável pela coordenação dos assassinatos.

Os diálogos entre os comandantes da FDN, segundo a PF, deixam claro que as mortes foram coordenadas por Nanico e executadas por Eduardo Queiroz de Araújo, o “Foguinho”.

Em outra mensagem interceptada, "João Branco" tenta elaborar um plano de sequestro ao se ver sem alternativas para trazer de volta a Manaus o Gelson Carnaúba, outro "comandante" da organização.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, as ações orquestradas da FDN que partiam dos presídios não se restringiram aos homicídios. Segundo a PF, preocupados com a repercussão das mortes, os líderes da facção deram ordens de um “salve geral” e também orientaram familiares e “amigos” da FDN para que acessassem os portais e blogs de notícias e fizessem comentários nas matérias, atribuindo as mortes a policiais.



ENTENDA AQUI

Publicidade
Publicidade