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Após R$ 10 milhões de investimento, recuperação viária de Barreirinha continua um caos

Governo do AM assinou convênio com a Prefeitura e investiu R$ 10 milhões para recuperar todo o sistema viário da cidade, porém, sete meses depois nem sequer a pavimentação em concreto de uma única rua está concluída 11/04/2013 às 12:47
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Rua do bairro Nova Conquista, o único onde a construtora asfaltou, já está desse jeito e obra terá de ser refeita
jonas santos ---

No ano passado a grande enchente do rio Andirá e do paraná do Ramos inundou completamente a cidade de Barreirinha (a 328 quilômetros de Manaus). O município decretou Estado de Calamidade Pública. Escolas, hospital, postos de saúde, o cemitério, delegacia de polícia, a Câmara Municipal, a prefeitura, o Fórum de Justiça também ficaram debaixo d’água. Centenas de famílias tiveram que ser removidas para cidades vizinhas. Em socorro aos moradores, ainda em 2012, o Governo do Amazonas assinou convênio com a Prefeitura e autorizou o aporte financeiro de R$ 10 milhões para recuperar todo o sistema viário da cidade, incluindo aterro e drenagem de áreas baixas.

Porém, sete meses depois do início dos trabalhos a Embrac Construções Ltda, empresa contratada para realizar a obra, não conseguiu executar nem sequer a pavimentação em concreto de uma única rua, no Centro. E no único bairro asfaltado, o Nova Conquista, a empresa terá que refazer o serviço  porque a emulsão asfáltica foi embora com a primeira chuva deste ano.

As obras tiveram início em setembro de 2012, antes das eleições. Em Barreirinha, poucos operários trabalham na pavimentação em concreto da rua 9 de junho, uma via com aproximadamente 400 metros de extensão. O trabalho segue a passos de tartaruga. A utilização do concreto no serviço justifica-se por se tratar de um material mais durável e resistente à cheia, ao contrário do asfalto que é imediatamente danificado pela água.

Os moradores estão indignados com a situação em que se encontravam as ruas da cidade. A preocupação maior é porque Barreirinha deverá ser novamente atingida pela enchente, mais uma vez, por estar localizada em uma área de várzea. A população do município é de 27.355 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE) e a área territorial compreende 5.751 Km2. “No ano passado eu abandonei minha casa, porque tudo foi para o fundo, e tive que me mudar para uma comunidade aqui próxima”, disse dona Maria do Rosário, 62, moradora do bairro Ulisses Guimarães. “Você deveria aparecer aqui quando chove para ver a nossa situação. Colocaram um asfalto sem vergonha”, completou o aposentado Raimundo Souza, 68, que reside no bairro Nova Conquista. Neste bairro, recém-asfalto pela empresa, as ruas estão intransitáveis. Para atenuar o sofrimento dos moradores, em 2012, a prefeitura construiu várias pontes de madeira e providenciou a remoção de famílias, que não tinham mais condições de permanecer nas residências.

A chegada da patrulha mecanizada no ano passado serviu de alento para  quem sonhava com aterramento do solo e drenagem em vários bairros, a fim de minimizar o sofrimento com novas alagações. “Por onde nós andamos na cidade é buraco. E no bairro que asfaltaram não há mais asfalto. Há muito buraco e ninguém consegue andar. Essa rua aqui, por exemplo, que estão pavimentando, já vai completar ano e não fica pronta”, comentou um mototaxi, que pediu para não ser identificado.

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