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Cotidiano
ECONOMIA

Botija de gás chega a R$ 90 no interior do Amazonas após reajuste no preço

Em Manaus, o produto está sendo comercializado entre R$ 75 e R$ 80. O aumento foi de 8,5%, conforme tabela prevista pela Petrobras 08/11/2018 às 20:31 - Atualizado em 09/11/2018 às 08:01
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Foto: Arquivo/AC
Náis Campos Manaus (AM)

Após o anúncio na segunda-feira sobre o reajuste no preço da botija de gás de 13kg, a Federação das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito do Amazonas (Fegás) admitiu que o valor já foi repassado ao consumidor pelas distribuidoras. O preço praticado pode ficar próximo a R$ 85 a unidade. Em Manaus, o produto está sendo comercializado entre R$ 75 e R$ 80, nos municípios do interior pode variar de R$ 85 a R$ 90. O aumento foi de 8,5%, conforme tabela prevista pela Petrobras.

Para o presidente da Fegás, Fernando Feitosa, o lucro das revendedoras é baixo, e gira entorno de 15 a 17%. “Esse percentual é bem abaixo da média nacional, que hoje é de 30%. Por conta disso, temos 50% das revendas na capital à beira da falência por conta dessa margem muito baixa”, admitiu.

Ainda conforme Feitosa, o grande vilão do aumento do gás no Amazonas são os impostos, como PIS-Cofins e o ICMS. Para se ter uma ideia, do valor total praticado em uma botija, R$ 20  vêm desses tributos estaduais. “E, no fim, as revendas ainda têm que pagar os tributos federais chegando a quase R$ 25 só de impostos”, calculou o presidente da Fegás ao garantir que o ICMS no Estado, R$ 16,68 é o dobro do praticado no Pará e o triplo do Rio de Janeiro (R$ 5,09).

Aumento de 30%

Na análise da federação, de setembro de 2017 a setembro desse ano, a botija de gás teve elevação no preço de 30% da Petrobras para as revendedoras do Amazonas. “Nesse cálculo, só foi repassado 15% para o consumidor final. A outra metade, as revendas seguraram. Esses impactos, a população, os distribuidores e os revendedores é que vão pagar a conta do governo”, disse Fernando Feitosa.

A empresária do ramo alimentício, Lílian Guedes declarou que o reajuste do gás não afetou os donos de restaurantes em Manaus, pelo contrário.

“Recebemos um comunicado da Fogás, ontem, que os donos de restaurantes obtiveram uma redução de R$ 0,10 no quilo do gás a granel. Ao invés de repassarem um reajuste eles receberam uma redução da Petrobras e repassaram integralmente aos clientes do gás a granel”, informou a conselheira administrativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Pelo menos 90% dos restaurantes da capital utilizam o gás a granel e não o de botija.

O pão francês, de uso comum da população, também não sofrerá reajuste apesar do aumento autorizado pela Petrobras. A informação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas (Sindpan), Carlos Azevedo.

“Esse aumento é sempre suportado pelo setor, não causando majoração nos preços. A energia elétrica tem um impacto maior. A composição do custo no preço do produto (pão), depende de matéria-prima (trigo), insumos, salários, encargos sociais, custos logísticos, etc”, detalhou o empresário da panificação.

Monitoramento

O deputado Sinésio Campos (PT), que comanda a comissão de gás e energia da Assembleia Legislativa, afirmou que há algum tempo já vem denunciando os aumentos abusivos, inclusive pediu ajuda do Procon, Petrobras e Ministério Público Federal para que esses preços sejam permanentemente monitorados. “Como parlamentar não vou me calar e me curvar, porque o que estão fazendo com o cidadão amazonense é um absurdo. Chegando na ordem de R$ 85 a botija de 13 quilos” , criticou o parlamentar.

Deputado fala em ‘absurdo’

O deputado Sinésio Campos afirmou que a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) havia anunciado, no final de novembro, que o Amazonas ficaria de fora do reajuste praticado no gás de cozinha. “É absurdo. O preço final para o cidadão, a dona de casa, no valor de R$ 85 a botija e chegando aos municípios um preço superior a R$ 100 a botija”, ironizou o parlamentar.

O parlamentar analisa que, se teve redução e o Estado não aprovou o aumento dos tributos de ICMS, que poderia ser um dos motivos da majoração de preços. “Então o que se justifica? Vamos continuar de fato observando quem está saqueando e usurpando o povo do Amazonas”, denunciou.

No final de outubro, o deputado promoveu uma audiência pública na ALE-AM para debater os aumentos dos combustíveis, incluindo o gás. Na ocasião, o parlamentar questionou que, se o  Amazonas tem uma base petrolífera “queremos saber onde está o gargalo desse aumento”.

“Queremos saber que impacto terá esse aumento. Está previsto uma mudança tributária e a Secretaria de Fazenda se houver essa mudança ou abrir mão de receita, ela tem de justificar em nome de quê está abrindo mão. O nosso propósito é fazer um debate muito mais amplo porque não dá pra ter produção de gás e petróleo e pagar esse preço abusivo”, argumentou.

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