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Após saída, Dodô diz que pensava que no Rio Negro se fazia futebol profissional

O ex-técnico contou em coletiva de imprensa algumas das motivações para pedir afastamento do cargo na última terça-feira (16). Mesmo não tendo completado nem um mês na função, o ex-atacante relatou que a decisão já vinha sendo pensada há tempos 17/08/2016 às 21:06 - Atualizado em 17/08/2016 às 21:20
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Segundo Dodô, nos treinamentos apenas água era oferecida aos atletas. Foto: Divulgação/TV A Crítica
Rafael Seixas Manaus (AM)

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (17) em um flat no Centro de Manaus, o ex-técnico do Rio Negro Dodô explicou o que lhe levou a pedir afastamento do cargo antes mesmo de completar um mês na função. Segundo ele, o clube não conseguiu oferecer a estrutura mínima para a realização de um trabalho profissional.

“Desde a nossa chegada, a estrutura do clube tem sido muito deficitária. Deixamos claro para o presidente e para as duas pessoas que estão juntas com ele, o que seria básico para o futebol. Sei que a estrutura não é de time grande, como do Rio de Janeiro e de São Paulo, de onde eu vim. Cheguei sabendo das dificuldades, mas a gente precisa do mínimo, do mínimo necessário, para fazer futebol profissional”, declarou o ex-atacante, com passagens por times como São Paulo, Palmeiras, Botafogo, Fluminense e pela Seleção Brasileira.

Ainda de acordo com ele, que deixou o clube juntamente com o preparador físico Sandro Sargentim, infelizmente foi vinculado que com a sua vinda o Galo da Praça da Saudade disputaria finais de campeonato.

“Só que para mudar a história não é com nome. Isso se consegue com estrutura e qualidade de trabalho, o que infelizmente não tivemos. Tudo o que estou dizendo aqui é porque tiveram vários problemas. A única coisa que não teve problema foi no campo, com o trabalho que a gente estava realizando com os atletas. Agora, extracampo, nós tivemos todos”, acrescentou o ex-treinador do Rio Negro, que estrearia no campeonato amazonense no dia 24 de agosto, diante do rival, o Nacional.

Dodô disse que a decisão de deixar a função foi postergada várias vezes, pois os dirigentes do time faziam promessas. “O futebol estava sendo tocado por mim e ele [Sandro] diariamente. Estávamos sendo supervisores, o presidente sendo fisioterapeuta... A gente não tem médico. Chegamos a ir para o treino só com água. Se não falasse para fechar acordo com o pessoal da água e do gelo, nem isso nós teríamos. Quando falei em suplementação, eles disseram que o Dodô queria muito. Só queríamos Gatorade e Maltodextrina para repor [as energias dos atletas]”, contou.

“A gente treinava no quilômetro 42 da rodovia [AM-010]. Eu não ligava de treinar lá e demorar uma hora para ir e uma hora para voltar, mas nós íamos num ônibus precário, sem ar-condicionado. Em mais de três semanas, nós só tínhamos água. Umas duas, três vezes, que tivemos frutas para os garotos. O nosso treinamento é de alto rendimento, porque a gente pensou que aqui era futebol profissional”, relatou Dodô, acrescentando que o Estado tem um grande potencial, mas precisa de profissionais para conduzir o futebol.

Em nota, a assessoria de imprensa do Rio Negro Clube e da empresa Excellence, responsáveis pelo Projeto Futebol 2016, agradeceram aos dois profissionais pelo excelente trabalho desenvolvido junto à equipe e lamentou a impossibilidade de continuidade dos mesmos no projeto. A diretoria comunicou ainda que a nova direção técnica da equipe será anunciada nesta semana.

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