Publicidade
Cotidiano
Notícias

Após vitória de Dilma no Brasil, Ibovespa despenca e dólar dispara

Ibovespa chega a cair mais de 6% após reeleição da petista, enquanto o dólar dispara mais de 3% ante real e renova máximas desde 2008 27/10/2014 às 18:05
Show 1
Operadores não descartam que seja acionado o mecanismo de "circuit breaker", que controla a oscilação do Ibovespa, interrompendo as negociações por trinta minutos quando a queda alcança 10%
Reuters Brasil São Paulo (SP)

A Bovespa registrava fortes perdas logo após a abertura dos negócios nesta segunda-feira (27), com fortes ajustes de posições após a reeleição de Dilma Rousseff no domingo, com o eleitorado mais dividido desde a redemocratização do país.

Às 10h28 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 5,54 por cento, a 49.061 pontos, pressionado principalmente por ações de estatais como a Petrobras e por bancos.

De acordo com profissionais do mercado ouvidos pela Reuters nesta manhã, o mercado prefere vender enquanto aguarda os novos passos do governo para lidar com os significativos desafios no campo econômico. A expectativa é grande em torno do anúncio da nova equipe econômica, em especial de quem assumirá o lugar de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

"No primeiro momento, o mercado não irá dar o benefício da dúvida a ela (Dilma)", disse o gestor de um fundo no Rio de Janeiro, pedindo para não ser identificado.

Operadores não descartam que seja acionado o mecanismo de "circuit breaker", que controla a oscilação do Ibovespa, interrompendo as negociações por trinta minutos quando a queda alcança 10 por cento.

Após esse intervalo, o índice volta a ser transacionado, mas se a queda alcançar 15 por cento, as operações voltam a ser suspendidas, desta vez com intervalo de 1 hora. Se a queda alcançar 20 por cento, ocorre a suspensão dos negócios por prazo a ser definido pela bolsa.

Dólar dispara mais de 3%

O dólar disparava mais de 3 por cento nesta segunda-feira, retomando o patamar de 2,54 reais e voltando às máximas desde 2008, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) deixar os investidores apreensivos com o futuro da política econômica do país.

Às 10h19, a moeda norte-americana subia 3,57 por cento, a 2,5447 reais na venda. Na máxima, chegou a subir 4,21 por cento, a 2,5605 reais, maior nível intradia desde 5 de dezembro de 2008, quando atingiu 2,6190 reais.

Na sexta-feira, a divisa norte-americana havia caído 2,26 por cento em meio a rumores de que o desempenho do candidato Aécio Neves (PSDB) nas urnas, derrotado por Dilma no domingo, seria melhor.

"O mercado está operando no escuro", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira. "Nós sabemos quem é o presidente, mas agora queremos saber quem é o ministro da Fazenda e como de fato vai ser esse próximo governo. Só aí vai dar para saber onde o dólar vai se acomodar".

Dilma, cuja política econômica é alvo de críticas nos mercados financeiros, foi reeleita no domingo com o eleitorado mais dividido desde a redemocratização do país.

Apesar de Dilma também ter acenado com o diálogo, investidores mostravam-se céticos. Segundo analistas, os mercados financeiros devem continuar voláteis até que ela dê sinais concretos de que está disposta a mudar a política econômica.

Em seu discurso após a reeleição na noite passada, a presidente disse que faria "ações locais, em especial na economia, para retomar o nosso ritmo de crescimento".

Uma outra questão que os mercados vão querer ver resolvida é a formação da nova equipe econômica. Segundo publicou a Reuters na véspera, Dilma quer manter Alexandre Tombini à frente do Banco Central e deve convidar o empresário Josué Gomes para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No ministério da Fazenda, os nomes que ela trabalha são do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa.

"Está muito cedo. O mercado tem que aguardar as próximas notícias e as próximas sinalizações, mas, por enquanto, está pessimista", afirmou o operador da corretora B&T Marcos Trabbold, que acredita que o BC pode fazer leilões adicionais de swaps cambiais se a volatilidade ficar excessiva.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3,1 mil contratos para 1º de junho e 900 contratos para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a 197,2 milhões de dólares.

O BC também fará nesta sessão mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 3 de novembro, que equivalem a 8,84 bilhões de dólares, com oferta de até 8 mil contratos. Até agora, a autoridade monetária já rolou cerca de 80 por cento do lote total.

O contrato de dólar futuro para novembro subia cerca de 2,40 por cento nesta sessão. Segundo analistas, o movimento era mais fraco no mercado futuro porque o derivativo já havia reduzido as perdas após o fechamento do dólar à vista na sexta-feira e pela aproximação do vencimento do contrato futuro.

Publicidade
Publicidade