Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ENTREVISTA

Qualificações em áreas com poucos profissionais é dica de especialista

Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup Brasil, foi o responsável por contratar 5 mil pessoas para trabalhar nos Jogos Olímpicos de 2016. Ele aconselha jovens a apostar nas áreas de inovação e atendimento ao público



nilson_manpower.JPG Em 2016, Nilson Pereira foi o responsável por contratar 5 mil pessoas para trabalhar nos Jogos Olímpicos e já atuou na Liberty Seguros e Itaú Seguros.
18/02/2018 às 13:15

Apostar em carreiras ligadas a inovação é a dica de Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup Brasil, empresa líder mundial em contratação de pessoas. Em 2016, ele foi o responsável por contratar 5 mil pessoas para trabalhar nos Jogos Olímpicos. 

De acordo com os resultados da pesquisa trimestral de empregabilidade da Manpower, com 850 empregadores, as intenções de contratações melhoraram, sendo que 12% pretende aumentar o número de funcionários.

Em entrevista ao Portal A Crítica ele avalia o mercado de trabalho em Manaus, e também fala sobre a mulher no trabalho, geração milênio, reforma trabalhista e a flexibilidade entre patrão e funcionário.

O Amazonas gerou em julho 1,8 mil postos de trabalho, com maior contratação para a indústria, com 570 vagas, porém algumas entidades avaliam que o resultado não representa a retomada do crescimento na geração de empregos na ZFM. Em sua opinião, quais alternativas devem ser feitas na economia para que haja uma retomada de emprego nos próximos anos?

Nós não estamos vivenciando uma retomada econômica, mas o pior já passou. Depende da definição do quadro político e do governo equalizar suas contas, para que se tenha um cenário melhor. Enquanto não se resolver isso as empresas se sentem inseguras para fazer investimento. Por outro lado se tem a reforma trabalhista que pode ser uma oportunidade das empresas fazerem contratações diferentes. 

Como o senhor avalia o mercado de trabalho em Manaus?

Nós temos percebido que as empresas ainda não voltaram a contratar como três anos atrás, existe uma tentativa de retomada, mas ainda não saímos da crise. De uma forma geral, não só em Manaus, as empresas ainda estão esperando o País sair dessa crise econômica e política para ter a retomada. O pior da crise já passou, foi o que atingimos ano passado, nesse ano temos uma retomada lenta.

Qual o melhor e pior setor para encontrar emprego?

Em base em nossa pesquisa, o setor mais difícil de encontrar emprego é o da construção civil. Já onde estamos tendo uma retomada é no setor do agronegócio. Alguns setores de exportação também estão tendo sinais positivos, como automobilístico, que no caso aqui de Manaus é o de duas rodas, que basicamente abastece o mercado interno. 

Segundo os indicativos de mercado, quais as carreiras em alta no momento?

Não necessariamente é uma carreira, mas sim todos os profissionais ligados a inovação e quando falo em inovação, não é necessariamente tecnologia. Quando você faz questão de inovar, isso traz novas referências. Os setores que estão inovando são os que estão crescendo mais.

Quais as exigências mais recorrentes no mercado atual? Formação acadêmica pode impulsionar a carreira?

O brasileiro tem a exigência de um nível superior, mas não necessariamente as pessoas com diploma são as que as empresas estão buscando. Hoje, a maior necessidade das empresas é ter profissionais com formatação técnica. Eu recomendo ter as duas coisas, uma formação superior e um curso técnico. Outra questão é o excesso de profissionais em determinadas áreas, como Administração e Direito. As pessoas têm que buscar qualificações em áreas que ainda não têm profissionais, relacionadas a inovação, tecnologia e atendimento ao público.

Pode-se dizer que para as mulheres ainda é mais difícil subir na carreira do que para os homens?

Não é que seja mais difícil, o que temos hoje em relação às mulheres é diferente, a carreira da mulher acaba sendo mais interrompida do que a do homem. Ela tem que interromper a carreira e os estudos para cuidar da família e dos filhos.

Quais as principais barreiras para a entrada das mulheres no mercado de trabalho e quais ações poderiam mudar esse quadro de desigualdade de oportunidades e salários?

Se compararmos nas mesmas funções não existe diferença de trabalho entre homem e mulheres. Existe uma percepção que a mulher ganha menos. Hoje ela exerce funções de mulheres que são menos remuneradas, as mulheres geralmente optam por serem professora ou assistentes sociais. Algumas empresas incentivam a questão da diversidade, outras colocam como metas de você ter funções gerenciais e direção, para facilitar e ajudar no ingresso desses profissionais no mercado de trabalho. 

Quais são as áreas que demandarão mais empregos nos próximos anos? E que talvez ainda não existam hoje?

São todas as funções da área de tecnologia, de atendimento ao cliente, não necessariamente Call Center, pois tende a desaparecer e vai ser uma função repetitiva. E a terceira função é o de Recursos Humanos, o gestor vai ser o intermediador para encontrar os profissionais. Mas uma dica aos jovens, é que muito além de uma formação está à capacitação, tem que ter flexibilidade para se adaptar no ambiente de trabalho. 

Quais as profissões que podem sumir?

Todas as funções que o robô ou tecnologia vão substituir são as profissões que vão desaparecer nos próximos anos. Um caixa de banco, por exemplo, tende a sumir, pois estamos constantemente reduzindo taxas de bancos. Operações Call Center, operações de intermediações.

Como o senhor avalia o conjunto de mudanças da reforma trabalhista?

Vejo como muito positivo, pois traz inovações, vai trazer alterações que são necessárias a nossa realidade, por exemplo, um trabalho a distância, um home Office e a negociação direta.

Com a redução da qualidade dos empregos vai gerar maior empregabilidade?

Não existe redução dos efeitos trabalhistas. O que existe é que as pessoas vão ter que se readequar, como por exemplo, à negociação direta. Existe uma adaptação tanto para o trabalhador como para as empresas.

Qual o perfil do trabalhador que mais pode de ser prejudicado com a reforma trabalhista?

Não vejo prejuízos, mas acho que agora novas oportunidades vão surgir, são possibilidade de trabalhar nos finais de semanas, de ter dois empregos. São coisas que as pessoas ainda não perceberam isso. Você pode flexibilizar a jornada de trabalhar com os estudos. 

Como o senhor avalia a flexibilidade no trabalho? Coworking, home Office.

Uma pesquisa recente que fizemos mostrou que em uma das áreas que o brasileiro tem mais interesse de emprego é a flexibilidade (45%). Por exemplo, home Office, trabalhar alguns dias de casa e trabalhar por turnos, de ter grandes períodos de interrupção para descansos. O maior importante pra ele é flexibilizar horário de entrada e saída. 

Quais dicas o senhor dar para quem quer se destacar no mercado de trabalho?

Ele tem que entender qual a cultura, os valores e a proposta daquela empresa, pois isso tem a ver com a sustentabilidade daquele negócio, para ser um profissional que se adéque rapidamente as mudanças e que esteja sempre aprendendo. E o estilo de aprendizagem é muito importante. Hoje o mais importante são as funções comportamentais, uma questão de atitude, postura e interesse. Esses profissionais que tem isso são mais desejados pelos os recrutadores, pois podem ser treinados e isso é muito mais importante do que uma formação técnica. 
 

Sobre

Formado em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e MBA em controladoria, pela Universidade de São Paulo (USP). Possui vasta experiência no negócio. Há 11 anos na Manpower, liderou Operações & Vendas e a Diretoria Administrativa Financeira, sendo responsável pelo planejamento e execução de planos de negócios, startup de novas soluções e gestão das áreas de suporte ao negócio.

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