Sábado, 20 de Julho de 2019
DIVERSIDADE RELIGIOSA

Aqui não existe Natal: veja religiões e doutrinas que não celebram a data

O Portal A Crítica mostra como é a relação dos adeptos que não comemoram o Natal com a data



muculmanos-manaus_DBFD9404-A6E8-43F5-8740-C38E9E57F131.JPG Foto: Yasmin Feitosa
25/12/2018 às 06:40

Data comemorativa que simboliza o nascimento de Jesus Cristo, o Natal, festejado em 25 de dezembro, é uma celebração cristã que não existe em outras religões ou doutrinas pelo mundo, e não apenas no judaísmo, onde a crença é que o “Salvador” ainda virá à Terra.

O teólogo e doutor em Aconselhamento (FCU-USA) Arão Amazonas é apóstolo da Igreja da Restauração, instituição que não aceita a data. Ele relata que os principais motivos para não acreditar nessa data específica são as evidências da festa do Solstício e o frio de Israel nessa época do ano.

“A história não coaduna com a real verdade do nasciento do Senhor Jesus Cristo. Nossa visão não é única, mas de várias instituições por todo o mundo: não temos a visão tradicional de um Natal que se comemora com Papai Noel e em alusão a todo esse mercantilismo que existe hoje na sociedade, embora várias igrejas cristãs hoje, no mundo, tenham como foco o Natal sendo um marco do nascimento do Senhor Jesus Cristo. Uma das razões de não celebrarmos é não acreditarmos que o nascimento de Jesus foi nesse marco de 25 de dezembro. Na realidade, a fonte disso é que o Natal advém de uma festa pagã institucionalizada pela Igreja Romana e onde houve uma adaptação do nascimento de Jesus em uma festa paga, a festa do Solstício, e que o mundo cristão só veio a aceitar 100% bem mais tarde por imposição romana. Mas os primeiros cristãos primitivos não aceitaram a data pela festa do Solstício. Além disso, em Israel é impossível qualquer criança nascer numa manjedoura no mês de dezembro e pastores cantando nos campos e tratando das suas ovelhas nos montes porque lá, nessa época, assim como Hemisfério Norte inteiro, é muito frio”.

Muçulmanos

A religião muçulmana não comemora o Natal, mas, para ela, Jesus Cristo existiu e foi um profeta. É o que explica o professor Tamer Mohamad, colaborador da Mesquita Muçulmana do Amazonas.

“Somos uma religião de submissão a Deus. Existem os cinco pilares do Islã e os testemunhos da unicidade de Deus e do reconhecimento do profeta Mohamed como seu servo e mensageiro. A prática da oração, caridade, do jejum e a visita à Meca. E existem os pilares da fé, que são a crença em todas as revelações de Deus, seus livros e seus mensageiros. E na crença muçulmana o profeta Jesus é um mensageiro de Deus que veio com a palavra também. Então, obviamente, para se tornar um verdadeiro muçulmano deve-se acreditar nos mensageiros de Deus. Nessa época de Natal, onde os católicos comemoram o nascimento de Cristo, e a renovação da fé, os muçulmanos também têm isso como aprendizado. Dentro da prática da mmensagem do profeta Jesus também temos a visão da renovação da fé, da crença, da obediência às leis de Deus. Tudo isso vem à tona com todos os ensinamentos. Deus todo poderoso, quando ele revela no Alcorão e na sua mensagem, ele coloca que nós devemos seguir os ensinamentos de todos os seus mensageiros, de Adão até o profeta Mohamed”, explica Muhamad.

Praticante do budismo tibetano desde 1998, a industriária Ioná Pinheiro, 43, falou que a única ligação da sua doutrina com o Natal é o amor e a compaixão.

“Não há uma ligação do budismo com o Natal porque o Natal é uma comemoração cristã ligada à questão de celebrar o nascimento de Cristo. O budismo tibetano é bem anterior ao próprio Jesus Cristo. No entanto, a data expressa generosidade. E Cristo pregou muito a questão do amor e da compaixão, que é uma das bases do budismo. Celebrar o nascimento de uma pessoa que teve essas grandes virtudes, é foi reconhecido, isso é muito bom, tirando a questão comercial”, destaca ela,praticante de Budismo Tibetano em Manaus, aluna da Fundação Chagdud Gonpa estabelecida no Brasil em 1994 pelo Mestre Sua Eminência Chagdud Rinpoche.

Wicca

Morando no Canadá ha quase 4 anos e wiccan e bruxa há 19, a cantora de nome pagão Femi Heqet e artístico no Brasil Mohana Dharma conta que celebra o Solstício de Inverno, também conhecido como Yule, do qual o Natal se origina. “Celebramos o dia do Solstício em 21 de dezembro. Temos um pinheiro de verdade para simbolizar a vida e abundância mesmo nos meses de inverno. Decoramos ele com símbolos mágicos para atrair o que queremos para o novo ano. Há troca de presentes, e os desejos e símbolos penduramos na árvore. E a maneira como nós pagãos celebramos o solstício de inverno”, comentou.

“Muitos pagãos celebram o nascimento do Deus Sol nesse dia. Fontes históricas atestam que não se sabe quando Yeshua (nome de Jesus Cristo, em hebraico) nasceu, então resolveram que seria 25 de dezembro porque esse é o dia do Deus Mithra, um dos deuses pagãos mais reverenciados na Antiguidade. O culto e os dogmas de Mithras deram origem a muitas crenças católicas”, acrescenta a artista.

Ateísmo

A ambientalista Erika Schloemp conta que, na infância, sempre festejava o Natal com sua família, com comida, árvore, enfeites, músicas natalinas, biscoitos, presentes e velas. Mas, já na adolescência, ela fez suas escolhas e se assumiu atéia, mas mantendo o respeito pela data cristã.

“Hoje em casa a data de Natal é comemorada com um jantar gostoso e simples. Presente não é obrigatório e nem na data de Natal. Na noite de Natal dormimos no horário normal. Apesar de ser atéia o respeito com outras religiões sempre permanece. Só não concordamos com o comércio nesta época do ano. Boas Festas para todos. Paz e amor os 365 dias por ano”, deseja a ambientalista.

Ganesha e Sheeva

A publicitária e hinduísta Luana Raposo, que é simpatizante do budismo, ensina que entre os hindús não existe Natal. “Nós idolatramos Ganesha e Sheeva, que são os deuses da prosperidade e da remoção de obstáculos, e entoamos mantras acreditando em uma energia”, disse ela.

O NATAL NAS RELIGIÕES

Budismo

Cristo não é mencionado pelos textos sagrados da religião e sua festa mais importante é em maio, rememorando o nascimento e a morte de Buda. Nessa ocasião, dão banhos de chá em uma imagem de elefante com um bebê em cima. Ela depois é colocada em um altar enfeitado.

Hinduísmo

Os adeptos dessa religião reconhecem Cristo como um avatar (encarnação de Vishnu, uma de suas entidades divinas mais importantes). O dia 25 de dezembro é reservado à comemoração da Festa das Luzes. Neste dia, para eles, o nascimento da luz venceu a escuridão.

Islamismo

Para os islâmicos, Cristo é um profeta. Mas os fiéis não possuem uma data especial para comemorar o nascimento. As duas principais festas da religião são a Eid el-Fitr, celebração do desjejum realizada após o Ramadã, e o Eid el-Adha, que marca o encerramento da peregrinação a Meca.

Judaísmo

Os judeus não reconhecem Cristo como Filho de Deus e, portanto, não comemoram seu nascimento. No período do Natal, eles realizam o Chanuká, ou a Festa das Luzes. Ela relembra a reinauguração do Grande Templo de Jerusalém, reconquistado pelos judeus após 3 anos de guerras. Quando foi retomado, o local estava cheio de imagens pagãs e sediava costumes profanos. Para purificá-lo, foi necessário acender diversas luzes. Por isso, o principal símbolo do chanuká, que dura 8 dias, é a menorá (candelabro judaico). As oito velas que o adornam são acesas, uma a cada dia, durante a festividade.

Testemunhas de Jeová

Como entendem que festas de aniversário são um costume pagão, as Testemunhas de Jeová, apesar de prestarem devoção a Cristo, não fazem nenhuma comemoração em 25 de dezembro por entenderem que não há nada na Bíblia que ateste ser este o dia do nascimento de Jesus.

Umbanda

A religião associa Cristo a Oxalá, maior de todos os Orixás. Em 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo sua crença, comanda todas as forças da natureza.
Wicca - Desde tempos pré-cristão, os adeptos das tradições pagãs comemoram o solstício de inverno, batizado de Yule, em 21 de dezembro. As comemorações se estendem até janeiro, e deram origem às festas de fim de ano adaptadas pela cultural cristã ocidental, como o próprio Natal.

Kemetismo

Os seguidores dessa religião do Antigo Egito comemoram em 21 de dezembro o Dia do Retorno da Deusa Errante, desde 4.500 a.C. Celebra-se o retorno da deusa Hathor a seu pai Ra, e a restauração de sua relação.

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