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Aromas da Amazônia para o mundo

Umas das maiores indústrias do ramo nas Américas, o grupo mexicano Nattura Laboratórios S.A., atuará em parceria com a “Gotas e cheiros da Amazônia” na produção de cosmético no Amazonas 20/10/2013 às 11:00
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Produtos da Aromas da Amazônia
Cinthia Guimarães ---

Em breve os aromas da flora Amazônica podem ganhar o mercado mundial de cosméticos em uma parceria que o Instituto Nacional da Amazônia (INPA) vem desenvolvendo com uma das maiores indústrias do ramo nas Américas, o grupo mexicano Nattura Laboratórios S.A. A holding sediada em Guadalajara, México, tem forte atuação em 67 países, sendo dona e distribuidoras de famosas marcas de perfumaria, cosméticos e produtos capilares como Tec Italy, NBC, Fashion Style, IPO, Pravana, Paul Mitchell, Modern Search e Hidra.

A parceria nasceu a dois anos por meio da empresa de fitoterápicos e cosméticos “Gotas e cheiros da Amazônia”, comprada por executivos da Nattura Labs. A produção que era manual e não chegava a R$ 160 mil por mês agora aumentou para R$ 500 mil, com investimentos de US$ 500 na compra de equipamentos para aumentar sua capacidade fabril. A intenção dessa parceria comercial é exportar a marca “Amazônia” mundo afora com uma linha de produtos genuinamente amazônicos. O aumento da produção vai depender da receptividade dos produtos lá fora.

A Gotas e cheiros da Amazônia deve começar suas exportações nos primeiros meses de 2014, já que conseguiu a autorização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para isso, publicado no Diário Oficial da União (DOU) na semana passada. A empresa, localizada no Distrito Industrial de Micro e Pequenas Empresas de Manaus (Dimpe), já produz xampus, condicionadores, cremes faciais, sabonetes íntimos, sabonetes em barra, defrizantes para cabelos de essências como buriti, cupuaçu, açaí, andiroba, mulateiro, crajiru, jucá, amor crescido e mulateiro, ainda voltado para o mercado interno.

O Instituto Manaquiri, um centro de treinamento gerido pelo INPA, é quem está desenvolvendo as pesquisas das espécies utilizadas como matéria-prima na produção industrial. O centro que fica no município de Manaquiri, km 8 da rodovia AM-354, capacita 300 produtores rurais de 10 comunidades rurais para a prática do manejo florestal das espécies com finalidade para diversos setores como cosmética, artesanato, frutos e outros.

Processo produtivo

O projeto, coordenado pelo doutor em Botânica, o peruano Juan Revilla, recebe apoio de instituições como Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (Sebrae), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Idam) e Centro de Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e Prefeitura de Manaquiri.

Para isso os investidores já tem um respaldo. O Processo Produtivo Básico (PPB) para a fabricação de bicosméticos exige que os produtos feitos na Zona Franca contenham 4% de matéria-prima vegetal. “A empresa ganha em matérias-primas de qualidade; o Inpa ganha inserindo os produtores rurais com manejo sustentável”, disse o doutor Revilla, que tem 40 anos de experiência estudando a flora amazônica.

Os mexicanos apostam na experiência da Nattura Laboratórios para inserir essa linha de cosméticos naturais no mercado internacional. “O nome Amazônia é o terceiro de toda uma lista de nomes que movem o mercado. O Brasil soa bem para o exterior como um país da moda”, disse o diretor da Gotas da Amazônia, o mexicano Francisco Bojorquez.

Dificuldades no processo

Mas há dificuldades inerentes ao processo. Os produtos rurais no Amazonas ainda não conseguem coletar matéria-prima suficiente para produção em escala industrial. Para isso, explica o doutor Juan Revilla, precisaria haver mais investimentos no projeto, como legalização de terras dos colonos, ampliando a exploração de outros territórios para o manejo, e oferecendo linhas de financiamentos agrícolas.

O centro que foi inaugurado em 2009 ainda tem poucos recursos para capacitação, compra de combustível e alimentação para assistir ao trabalho dos produtores. “Fazemos capacitação como forma de gerar renda para essas pessoas humildes, que elas saibam usar a floresta de forma eficiente”, disse Revilla.

Especializado em botânica econômica, Revilla afirma que ainda há pouco interesse do governo federal no investimento em pesquisas na Amazônia. “O governo tem que dar passos mais passos em direção a isso. Se consegue financiamento para a agricultura como soja, café, por que não para o que se produz na floiresta?”, questionou ele que também possui um consultório de medicina natural em Manaus.

Juan é autor de publicações como “Corantes naturais” e “Apontamentos para botânica econômica”.



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