Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Revolta caso nicolau

Arquivamento de investigação contra Nicolau causa revolta entre organizações da sociedade civil

Autores do pedido de investigação do ex-presidente da ALE-AM tacharam a decisão da CCJ de vergonhosa, imoral e de patifaria



1.jpg Presidentes do Iaci, Hamilton Leão, e da Central de Movimentos Populares, Alexandre Simões, quando entregaram o pedido
19/09/2013 às 08:30

“Imoral”, “vergonhosa” e “patifaria” foram algumas das palavras usadas por representantes de organizações da sociedade civil ouvidos por A CRÍTICA, ontem, ao comentarem a decisão da Assembleia Legislativa de livrar o ex-presidente da Casa, o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) de investigação por quebra do decoro parlamentar.

O vice-presidente do Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci), Luiz Odilo, disse que não vai desistir de continuar fiscalizando o uso do dinheiro público. Mas o ato da ALE-AM, classificado pelo ativista de “corporativista”,  faz pessoas como ele se sentirem envergonhadas.

“A decisão da Assembleia Legislativa e a do Supremo (Tribunal Federal - STF), hoje (ontem), fazem pessoas como eu, comuns, sentirem vergonha de buscar ser honesta. Fico irado como uma coisa dessas, que é um estímulo à corrupção”, afirmou Odilo.

Nessa quarta-feira(18), também, com o voto do ministro Celso de Melo, o plenário do STF considerou válidos recursos que vão levar a um novo julgamento nos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha de 12 dos 25 condenados no processo do mensalão.

Um dos pedidos na ALE-AM para investigar as denúncias feitas pelo Ministério Público Estadual (MPE-AM) contra Ricardo Nicolau foi feito pelo Iaci, no dia 21 de junho. “O que resta agora é esperar a decisão do Tribunal de Justiça”, disse Odilo.

Após investigação subsidiada por perícia técnica de engenheiros do MPE, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), a Procuradoria de Justiça concluiu que, na gestão de Nicolau, a construção de um edifício-garagem na ALE-AM, que custou R$ 23 milhões, foi superfaturada em R$ 4,9 milhões. A denúncia foi encaminhada para TJ-AM, que vai decidir se a aceita ou não.

O presidente do Iaci, Hamilton Leão, disse que o instituto vai esperar ser comunicado oficialmente sobre o arquivamento do seu pedido de investigação para recorrer da decisão.  Para Hamilton, o ato da CCJ mostra o quanto a ALE-AM não tem compromisso com a sociedade. “O que esses deputados mostram é que não existe compromisso com a sociedade e com os eleitores deles”, afirmou Hamilton.

Na  avaliação dele,  os deputados desprezaram o trabalho de investigação feito pelo MPE e TCE. “Estão fazendo uma verdadeira blindagem, que já se torna imoral. É uma proteção a um deputado que, quanto mais passa o tempo, mais elementos aparecem para incriminá-lo”, disse o presidente do Iaci.

Movimento  quer recorrer da decisão


Membro da Central de Movimentos Populares do Amazonas, Alexandre Simões, disse que vai se reunir com os membros do Iaci, para recorrer da decisão da ALE-AM. “E não deixar essa patifaria cair no esquecimento”.

A Central de Movimentos Populares do Amazonas assinou com o Iaci o pedido de investigação contra Ricardo Nicolau, em junho.

Para Alexandre, os deputados mostraram, ontem, que Ricardo Nicolau falava sério quando lembrou aos colegas, em discurso, que tinha “uma armário abarrotados de coisas” que nunca se arvorou em falar.

“Essa decisão mostra o corporativismo dos deputados. E ao mesmo tempo mostra que as ameaças feitas pelo deputado surtiram efeito, e que alguém mais ali (na ALE-AM) tem rabo preso”, disse Alexandre.

Alexandre disse que a sociedade precisa de respostas. “Cinco milhões dariam para construir uma escola de tempo integral”, afirmou.

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