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Cotidiano
NOS PALCOS

Artistas circenses criticam filmes que abordam os palhaços como figuras malignas

Para eles, fazer uma criança sorrir (muitas vezes) é mais difícil que fazê-las chorar e por isso merecem respeito 08/10/2017 às 20:08 - Atualizado em 09/10/2017 às 10:24
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(Foto: Euzivaldo Queiroz)
Kelly Melo Manaus (AM)

A pequena Sofia Alencar, de apenas quatro anos, sabe como é divertido ir ao circo. Diferente de muitas crianças que têm medo de palhaços, a garota foi quem pediu para a mãe para conhecer essas “figuras”. “Ela sonhou que vinha no circo e aí passou o dia me pedindo para trazê-la. Tivemos que vir  e ela ficou bastante ansiosa”, afirmou a mãe, Priscila Alencar, que é enfermeira. 

Para a menina, o sonho foi realizado. “Eles fazem a gente rir e aquela roupa é só uma fantasia, por isso eu não tenho medo”, disse Sofia, enquanto esperava para assistir ao espetáculo. 

Engraçados, extravagantes e cheios de alegrias, os palhaços estão nos espetáculos circenses, na televisão e até mesmo nas ruas. Mas só quem dá vida a um palhaço sabe do preconceito que ainda existe e da imagem depreciativa que muitas vezes  é veiculada na internet e nos telões do cinema. 

O filme “It A Coisa”, que estreou este ano e se tornou líder de bilheteria entre os  filmes de terror, mostra um grupo de amigos tentando enfrentar um palhaço maligno e sombrio. Conhecido como Pennywise, na obra, há séculos ele deixa um rastro de morte e violência.

Para os personagens da vida real, a imagem ‘desagradável’ como os palhaços têm sido retratados nos cinemas pode prejudicar a relação deles com o público, principalmente as crianças.   “Não concordo  com essa forma de retratar o palhaço porque nós somos o símbolo da alegria. Quando um palhaço aparece fazendo algo ruim no cinema ou na televisão, as crianças podem interpretar isso de forma errada e não é isso que queremos, nem que elas tenham medo do personagem”, afirmou Lantma Souza da Silva, 33, que dá vida ao palhaço Fuleiragem. 

Vindo de uma família circense, Lantma conta que sempre quis ser um palhaço nos palcos e que seu prazer está em fazer as pessoas sorrirem. “O circo é um lugar de alegria. As pessoas vêm para cá para se divertir e a nossa missão é tirar um sorriso delas, independente se são crianças ou adultos”, disse. 

O palhaço profissional se apresenta acompanhado do filho, Lantma Melo (palhaço Fuleirinho), de apenas oito anos. O filho também quer seguir os passos do pai. “O Fuleiragem e o Fuleirinho são palhaços tradicionais, bem coloridos, usam sapatos enormes e cabelos de lã. A nossa proposta é se aproximar ao máximo do universo infantil, pois eles se identificam mais com esse público”, destacou Fuleiragem.

‘A gente tem que agradar, não assustar’, diz Tulypa

O palhaço Tulypa, interpretado pelo artista circense Marcelo Santos, 55, também vem de uma família tradicional de circo e já está ensinando os primeiros passos da arte para o filho caçula, Marcelo Rodrigo, de apenas cinco anos. Nos palcos, o menino se apresenta como o palhacinho Tulypinha, e ajuda o pai em sua apresentações.  “Ele está aprendendo ainda. Ele entra no palco, faz uma dancinha que é a abertura do meu show e é tudo uma brincadeira”, conta.

 O artista também é o responsável pela administração do circo e explica que fazer parte dessa arte não é tão fácil assim. “A gente tem que agradar primeiro a criança e depois os pais e tirar deles aquele sorriso espontâneo. E isso é mais difícil do que fazer chorar. O circo é o lugar da criança que nunca envelhece”.

Segundo  Marcelo, ele também se entristece com a forma (muitas vezes) negativa que as redes sociais e o cinema apresentam os palhaços. “Isso faz com que as crianças se assustem com os palhaços e não é isso que queremos.  Esse palhaço mau, ou que usa palavras de baixo calão não nos representa. O circo é lugar de arte, cultura e alegria”, enfatizou. 

Nos palcos, Tulypa se caracteriza com um palhaço mais moderno, já que introduziu o stan up comedy em suas apresentações. “Sou um humorista maquiado, que canta músicas engraçadas, conta histórias e faz todo mundo rir”.

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