Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Caso Nicolau estratégias

As estratégias de Ricardo Nicolau para se livrar de processo interno

Ex-presidente da ALE-AM se livra da investigação depois de afirmar que tem 'um armário de coisas' contra os outros deputados



1.jpg Deputado Ricardo Nicolau e o presidente da ALE-AM, Josué Neto, pertencem ao partido comandado pelo governador Omar Aziz
19/09/2013 às 09:00

A decisão da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) de enterrar a abertura de processo por quebra de decoro contra Ricardo Nicolau (PSD) se deu um mês depois de o parlamentar proferir ameaças veladas contra os outros deputados, em discurso no plenário da Casa. “Tenho um armário de coisas”, disse ele. Ao invocar a Terceira Lei de Newton, Nicolau reforçou: “Quem faz também tem que receber”.

“Em nenhum momento eu falei da honra, falei de pessoas, muito embora tenha um grande armário abarrotado de coisas que chegavam todos os dias para mim, mas eu nunca me arvorei em falar, em botar o dedo na cara de qualquer pessoa que seja, porque eu tenho critérios de vida” afirmou Ricardo Nicolau, em discurso no dia 22 de agosto, quando se defendeu da denúncia de ter realizado uma “reunião fantasma” para autorizar pagamento aditivo à obra do edifício-garagem da Assembleia. Documento oficial da Casa informa que a Mesa Diretora deu aval ao aditivo, mas todos os sete membros do colegiado, à época comandado por Nicolau (2011/2012), negaram que tenham participado de qualquer reunião que autorizou o pagamento adicional.

Desde que o escândalo sobre desvios na construção do edifício-garagem estourou, em abril deste ano, o presidente da Casa, Josué Neto, do PSD, mesmo partido de Nicolau - sigla comandada pelo governador Omar Aziz  em nível estadual - adotou como conduta ignorar o tema. Em maio e junho, Josué Neto desprezou os pedidos formais feitos pelos deputados Marcelo Ramos, Luiz Castro e José Ricardo Wengling para que o Poder investigasse o caso internamente.

Ao receber em 21 de junho a representação do Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci), que requeria a abertura de processo por quebra de decoro contra Nicolau, o comando da Assembleia demorou quase dois meses para definir o encaminhamento “legal” do pedido. O documento passou pela Mesa Diretora, Procuradoria-Geral da ALE-AM, Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), outra vez pela Mesa Diretora, novamente pela Procuradoria-Geral, até retornar à CCJ, que decidiu a questão somente na quarta-feira(18).

Já no segundo pedido de abertura de processo por quebra de decoro, relacionado à “reunião fantasma”, Josué Neto permitiu que o próprio Nicolau despachasse sobre a matéria, ao recebê-la na Corregedoria e encaminhá-la à CCJ. “Ele se deu por suspeito”, justificou Josué.

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