Domingo, 21 de Julho de 2019
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Assembleia despreza manifestação das ruas

A corrupção, um dos temas que mais aparecem nos cartazes de manifestantes, não é apurada dentro do Poder Legislativo



1.gif Assembleias Legislativas do Brasil inteiro responderam de forma ágil aos protestos, aprovando projetos moralizadores e que vão ao encontro dos anseios populares; no Amazonas, Poder não reage
03/07/2013 às 22:22

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) é uma exceção entre as Casas Legislativas do País. Presidida pelo deputado Josué Neto (PSD), há duas semanas a instituição ignora a voz do eleitor nas ruas. Ao contrário do que fez o Congresso Nacional, a direção da ALE-AM decidiu desprezar o grito da população, que pede o fim de regalias e da proteção a corruptos. Não deu resposta às manifestações que exigem nova conduta dos homens públicos, tão pouco propôs agenda própria. Ontem, o Legislativo estadual rejeitou 17 reivindicações populares. Há uma semana, adia a decisão sobre o pedido de abertura de processo por quebra de decoro contra o deputado Ricardo Nicolau (PSD), corregedor da Casa, denunciado pelo MPE  de patrocinar o desvio de R$ 4,9 milhões.

O Poder Legislativo do Amazonas está no centro de uma denúncia que envolve o desvio de recursos públicos de obra erguida dentro da Casa, diante dos olhos de todos os membros do poder. O responsável pela maracutaia, segundo o MP, deputado Ricardo Nicolau, é do mesmo partido de Josué Neto e do governador Omar Aziz. Também pertence à sigla David Almeida, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve rejeitar o pedido de processo por quebra de decoro parlamentar contra o colega de Casa. A direção da ALE-AM se recusa a investigar o caso internamente.  Membros do Poder, como os deputados Marcos Rotta (PMDB) e Chico Preto (PSD), já pediram providências da mesa diretora em discurso.

Os deputados José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (PSB) e Luiz Castro (PPS) enviaram requerimento à presidência da Casa pedindo “apuração dos fatos relacionados à denúncia” de desvios de recursos e instauração de procedimento investigatório, como prevê o regimento da Casa, além de ação da Comissão de Ética. As vozes divergentes não conseguem convencer Josué Neto a mudar de postura. O parlamentar diz aguardar a resposta da Justiça e mantém, assim, a suspeita de proteção e de mistério em torno do desvio.

Pelo Brasil

A Assembleia da Bahia aprovou, há uma semana, a “ficha limpa” para ocupantes de cargos públicos, comissionados ou efetivos, nos três poderes do Estado. O Maranhão seguiu a mesma linha. No Rio Grande do Sul, o Legislativo transformou em lei, anteontem, proposta da mesa diretora para publicar nominalmente os vencimentos de todos os servidores do Poder. Em Rondônia, o Legislativo renunciou R$ 4 milhões do próprio orçamento para contribuir com o reajuste salarial de professores. As iniciativas se deram em resposta às manifestações populares pelo Brasil. No Amazonas, Josué Neto ainda aposta que o eleitor é míope e que não terá memória para lembrar da atual legislatura em 2014. 

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