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Assembleia geral para decidir aprovação da greve dos docentes da Ufam é suspensa

A medida foi tomada nesta terça-feira, 26, no auditório Rio Amazonas, da Faculdade de Estudos Sociais, no setor Norte do Campus Universitário.  Nova reunião para discutir o assunto ainda não tem data para ser realizada 26/05/2015 às 20:58
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Professores estiveram reunidos nesta terça-feira (26)
Rafael Seixas Manaus (AM)

Foi suspensa, no fim da tarde desta terça-feira (26), a assembleia geral que decidiria se os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) deflagrariam a greve, acompanhando a orientação nacional de paralisar as atividades por tempo indeterminado. A decisão foi tomada no auditório Rio Amazonas, da Faculdade de Estudos Sociais, no setor Norte do Campus Universitário, após um impasse entre os docentes presentes: alguns queriam a presença dos professores do interior ou o cômputo dos seus votos, outros queriam que a assembleia seguisse apenas com os presentes.

Após uma discussão acalorada entre os professores José Humberto Michiles e Selma Baçal, o presidente da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Alcimar de Oliveira, decidiu suspender a votação. 

“A suspensão se deu em razão de alguns professores, boa parte da sede em Manaus, não quererem considerar os votos dos professores de fora da sede (atuantes nos interiores do Estado). Eles não teriam como vir aqui para votar, por isso realizaram assembleias em suas unidades. Então não poderíamos desconhecer os votos desses companheiros. Isso seria um golpe à democracia sindical que defendemos. Em razão disso, por não existir mais clima, declaramos suspensa a assembleia. Não temos data prevista para realizar uma nova”, declarou o presidente da Adua.


A professora Márcia Lira, 50, do curso de Pedagogia da Ufam, aprovou a atitude tomada pela diretoria da Adua. “Penso que a mesa agiu corretamente porque está em defesa dos direitos dos docentes das unidades do interior. Existe uma quantidade de professores aqui que, em meus 27 anos de magistério, eu nunca vi presente numa assembleia. Na última foram tomadas algumas decisões e ocorreram deliberações em concordância com os trabalhos que a mesa conduziu hoje (26). Quem não estava na última assembleia, não se informou e veio para cá confuso”, opinou a profissional, a qual é a favor da greve.

Um professor, que não quis se identificar, não concordou com a atitude tomada pela a mesa. “Tudo está desorganizado. Seria mais cômodo fazer uma votação numa urna em que cada professor declarasse contra ou a favor à greve. Eu, por exemplo, sou contra”.

As principais reivindicações da classe é a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, além de melhores condições de trabalho. “A situação se agravou com os cortes que fizeram no orçamento da Educação”, garante Márcia Lira.

MOMENTO EXATO

De acordo com André Moraes, 22, diretor financeiro Diretório Central dos Estudantes da Ufam, a suspensão é uma vitória dos estudantes junto com os professores. No entanto, ele afirma que é a favor das reivindicações da classe, mas que a greve deve ser realizada no momento certo.

“Não podemos aceitar o corte de R$ 9 bilhões feito pelo Governo Federal na educação. Os professores terão nossas forças, mas, no momento que estamos tendo o calendário acadêmico reajustado, com professores com muitos afazeres, não era o momento certo para uma paralisação”, explicou.

VOTAÇÃO

A greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino (IFE) foi aprovada pela ampla maioria das 43 seções sindicais do ANDES-SN em reunião realizada nos dias 15 e 16 de maio, da qual participaram 61 professores, representantes das seções sindicais. Em âmbito nacional, a deflagração do movimento paredista está marcada para o dia 28 deste mês. Porém, cada seção sindical tem autonomia para declinar ou acompanhar tal decisão, inclusive definindo a data para deflagração, caso assim seja aprovado pela base da categoria.

“Chamamos os professores em todo o País a participarem das assembleias que serão realizadas para tratar da deflagração da greve. A hora é agora, as universidades e demais instituições federais de ensino estão à míngua, sem condições de funcionamento, enquanto o governo anuncia que vai promover mais cortes”, conclamou o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), Paulo Rizzo, durante reunião do setor das universidades federais, em Brasília.

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