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Cotidiano
Educação e arte

Associação Marias do Bairro ensina criançada a criar seus próprios brinquedos

Alunos da Escola Estadual Waldir Garcia, no Alvorada, Zona Centro-Oeste da cidade, participaram de uma animada oficina de artesanato; associação foi criada para ajudar na renda de mulheres 05/10/2016 às 05:00
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Criançada se divertiu e ainda fez seu próprio brinquedo / Fotos: Aguilar Abecassis e Paulo André Nunes
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Projeto Marias do Bairro ministrou na terça-feira, dia 4, uma oficina gratuita para crianças na Escola Estadual Waldir Garcia, localizada na avenida J, Alvorada 2. O objetivo é ensinar a cada uma delas como fazer artesanato, mais especificamente, um brinquedo, a “Borboleta de Eva”, já visando ao Dia das Crianças, que será comemorado no dia 12. O evento é uma contrapartida pelo fato da escola ceder seu espaço para o projeto, que existe desde 2014 com atividade aos sábados no próprio local, mas que ainda não possui uma sede definitiva.

A atividade foi realizada e administrada por professoras voluntárias. A oficina foi desenvolvida de 8h às 12h e de 14h às 16h. “Já é o segundo ano que ensinamos artes em prol das crianças. Elas ficam muito felizes em fazer seu próprio presente. Cada borboleta leva um saquinho de bombom que elas adoram. São artes rápidas em contrapartida com a escola por cederem espaço para o projeto. Sem apoio, nós mesmas vamos conseguindo as coisas”, disse Bara Feltros, criadora do projeto “Marias do Bairro”.

A pequena Ana Clara Andrade de Lima, de apenas 7 anos de idade, era só sorrisos ao confeccionar a sua própria borboletinha. A menina, que estuda na 2ª série do ensino fundamental, disse que “era muito legal” criar o próprio brinquedo. “Vou terminar de fazer e dar de presente para a minha mãe”, disse a estudante, que mora no próprio Alvorada.

Voluntária

Savanah Barreto é uma das professoras voluntárias do projeto Marias do Bairro que estavam ontem na escola Waldir Garcia. Ela falou da alegria e satisfação que tem ao proporcionar momentos felizes à criançada e do que a fez ser voluntária.

“Eu fiquei desempregada e vi a oportunidade de fazer um curso que era pra mim mesmo, nem visando o trabalho. Entrei em janeiro, fui conhecendo o projeto e fui me apaixonando, cada semana uma arte, e trabalhar em casa era o mais possível agora. As meninas são ótimas e muito generosas, aprendi muito e já estou trabalhando, ajudando, colaborando. Ser voluntária é ajudar mais, fazer a minha parte, o projeto é muito bom, e não vi como não participar”, conta ela, que trouxe o filho, Artur, de 2 anos, para a atividade.

“Sempre que eu posso trago ele, mas como nosso projeto trabalha com tomada, cola quente e principalmente agulha, não dá pra trazer todo tempo. Mas como hoje era uma ação voluntária com crianças, não dava para deixá-lo em casa. E ele adora e ajudou muito”, comentou ela, que é moradora de Educandos, na Zona Sul da cidade, e era uma das cinco voluntárias presentes ao Waldir Garcia.

“Eu sempre divulgo para as minhas vizinhas e colegas o projeto Marias do Bairro. E o Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas) promove cursos de graça e o que eu fiz esse ano eu sempre divulgo. No Marias do Bairro é praticamente de graça, pois você paga R$ 35 pra aprender quatro artes que você pode aprender e vender por R$ 25, R$ 30. Eu já estou vendendo rendas, por exemplo. Meu último curso foi o de transformar latas de leite em ‘porta-trecos’. E às vezes eu ensino as pessoas cobrando só o valor do material, nada menos. O que eu estou aprendendo, vou repassando. Ainda estou desempregada, mas fazendo faculdade de Administração”, relata ela.

Frase

"Já é o segundo ano que ensinamos artes em prol das crianças. Elas ficam muito felizes em fazer seu próprio presente” (Bara Feltros, fundadora do projeto Marias do Bairro)

Blog

Raif Lima, diretora da Escola Estadual Waldir Garcia

“A parceria que temos com as “Marias do Bairro” é muito gratificante pois ambos nos ajudamos. A escola cede o espaço para elas realizarem as suas oficinas, no sábado, e seus eventos, onde trazem mães de alunos e pessoas da comunidade. Há professores que participam e que se sentem realizados. O retorno delas pra gente é essa alegria e esse envolvimento com as crianças. A presidente (Bara Feltros) é mãe de aluno da nossa escola. Elas trabalham fazendo atividades de material reciclado e restos de garrafas PET e material de papel e ensinam como fazer um brinquedo”

Mãe artesa inspirou criação da associação

A fundadora do Marias do Bairro, Bara Feltros, comentou que a finalidade da associação é desenvolver cursos rentáveis de artesanato, sempre aos sábados, na cantina da própria Escola Estadual Waldir Garcia para mulheres, visando ter uma renda para ajudar em casa.

“Hoje, em contrapartida, estamos ensinando artes para as crianças em prol do dia delas. Já havíamos feita essa atividade em outubro do ano passado, quando eles aprenderam a fazer uma tartaruga de garrafa PET, e agora elas criaram uma borboleta com material EVA e pirulito. Elas ficam maravilhadas e fora os bombons que elas ganham”, conta ela.

O projeto surgiu  em 2014 como forma de homenagem à mãe da própria Bara Feltros, Vanda Menezes da Silva, que também era uma artesã. “A mamãe sustentava a casa com o artesanato. Ela era uma grande artesã. E eu vi, nesse exemplo dela, uma forma de poder ajudar a outras mulheres”, explica ela.

A associação Marias do Bairro conta atualmente com 500 mulheres e apenas 1 homem, diz Feltros.

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