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Cotidiano
Educação

Busca pelo transporte escolar para os filhos deve ser criteriosa; 244 estão cadastrados

Procurar empresas credenciadas e ficar atento às normas são primordiais para garantir a segurança das crianças à caminho da escola 15/01/2017 às 19:10 - Atualizado em 15/01/2017 às 19:33
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Especialistas recomendam muito cuidado na hora de os pais ou responsáveis escolher a empresa que irá conduzir os filhos para a escola (Arte: Thiago Rocha)
Silane Souza Manaus (AM)

A procura pelo serviço de transporte escolar para o filho de seis anos não foi fácil para a médica veterinária Michelle Griggi, 39, no ano passado. A maioria das prestadoras não fazia a rota para a creche que o filho estudava, na Zona Centro-Sul, e quando ela conseguiu uma condução legalizada, duas semanas depois, o motorista não apareceu mais para pegar a criança porque tinha conseguido outro estudante para levar e o itinerário havia “ficado contramão”. 

Depois de muitas indicações, ela conseguiu contratar outro prestador do serviço, mas o filho acabou sofrendo maus tratos durante o percurso e teve que concluir o ano letivo indo de taxi para a escola. “Fiquei muito transtornada. Este ano não sei como vai ser porque é extremamente difícil encontrar uma condução que faça rotas que não sejam para as escolas grandes. Também há a preocupação com a falta de preparo dessas pessoas em lidar com crianças, principalmente especiais”, afirmou. 

O receio de Michelle não é para menos. Os especialistas recomendam muito cuidado na hora de os pais ou responsáveis escolherem a empresa que irá conduzir os filhos para a escola e optar sempre pelo profissional legalizado. “Contratar um serviço de transporte escolar clandestino é colocar em risco a integridade física do filho”, alertou o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Leonel Feitoza. 

De acordo com a Superintendência de Transportes Urbanos (SMTU), existem 244 condutores cadastrados para fazer transporte escolar em Manaus. Para saber se o condutor possui autorização concedida pelo Município, os pais ou responsáveis podem acessar o site http://smtu.manaus.am.gov.br/transporte-escolar/ ou ligar para os telefones: 118 e 3632-2752. Na hora de ligar, é importante ter em mãos a placa do veículo e nome completo do condutor.

O superintendente da SMTU, Audo Albuquerque, destacou as vantagens de contratar o serviço de transporte escolar autorizado. “O veículo cadastrado passa por vistorias periódicas, onde são checados itens de segurança, tais como cinto, funcionamento de faróis, condições dos pneus, dentre outros. Além disso, o condutor legalizado também é um profissional que recebe capacitação especifica para realizar o serviço”, evidenciou.

Curso para condutores

O Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) está com as inscrições abertas para os cursos de atualização e especialização para condutores de veículo de transporte escolar. As inscrições estão sendo feitas desde o último dia 4, diretamente no site do Detran-AM (www.detran.am.gov.br).

Fiscalizações

De acordo com o superintendente da SMTU, Audo Albuquerque, operações de fiscalização serão realizadas a partir do início das aulas e os veículos que não possuem autorização ficam sujeitos à apreensão e ao pagamento de multa no valor de 20 Unidades Fiscais do Município (UFMs), equivalente a R$ 1.996,80.

O diretor presidente do Detran-AM, Leonel Feitoza, disse que o órgão começará as operações de volta as aulas, no próximo dia 23, quando inicia as aulas das escolas particulares. O objetivo das ações é fiscalizar o transporte escolar e orientar os pais sobre o transporte seguro dos estudantes.

Pais devem checar informações com o  Detran e a SMTU

Para a presidente do Sindicato de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe/AM), Elaine Saldanha, antes da contratação do serviço, os pais precisam pesquisar sobre a empresa no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e na Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), além de pegar referência com pessoas que já utilizam o transporte. “É importante perguntar dos outros pais o que eles estão achando do serviço, se há alguma reclamação”, pontuou.

De acordo com ela, a vistoria dos itens de segurança pelos pais deve ser feita o ano inteiro e não somente no momento da contratação do serviço. “Os pais podem perguntar da criança, com regularidade, como foi à viagem e se houve algum problema”, salientou Elaine.

Outra dica que ela dá é que os pais tenham os contatos telefônicos do condutor e de alguns pais que usam o transporte. Com os outros pais, podem trocar informações sobre o serviço e identificar, a tempo, qualquer irregularidade. “Os órgãos de trânsito são responsáveis por fiscalizar esse tipo de transporte, porém, é papel dos pais acompanhar e saber de que forma esse serviço está sendo executado”, destacou.

Sem acidentes

De acordo com o diretor presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Leonel Feitoza, desde julho de 2013, quando o órgão intensificou as ações de fiscalização ao serviço de transporte escolar, não teve mais acidentes envolvendo esse tipo de veículo. E nas últimas fiscalizações nenhuma irregularidade grave foi constatada. Para ele, as empresas se conscientizaram da responsabilidade. Contudo, todo cuidado é pouco para os pais garantirem a segurança dos filhos.

Entre as recomendações do diretor presidente do Detran-AM estão: verificar se o veículo está credenciado para fazer transporte escolar junto a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), e se tem cinto de segurança e ar-condicionado em bom estado de conservação. Além, claro, de checar se o motorista tem habilitação para dirigir esse tipo de veículo (categoria D), se há monitor para acompanhar a viagem e se ambos tem a certificação do Detran-AM atualizada.

 “Nós oferecemos cursos de capacitação, atualização e especialização para condutores e monitores de transporte escolar. Eles são obrigatórios para poder exercer a profissão”, frisou Feitoza. “É importante que os pais chequem os antecedentes criminais do motorista e monitor e nunca deixar o filho ir para a escola com aquele vizinho que cobra preço baixo porque a condução não é especializada, o motorista não tem curso, principalmente de direção defensiva e de aptidão para lidar com criança”, completou. 

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) suspendeu a obrigatoriedade do uso de cadeirinhas para crianças de até 7 anos e meio em veículos de transporte escolar. A resolução foi publicada na edição do “Diário Oficial da União” do 1º de dezembro de 2016. A Decisão vale para o ano de 2017.

Na opinião de Leonel Feitoza, essa decisão é um grande retrocesso porque as crianças ficaram sem segurança adequada. “Quando a criança é muito pequena, o cinto de segurança não serve para segurá-la no banco no caso de um acidente. Infelizmente nós temos que cumprir a decisão. Mas se eu fosse pai, logicamente, só colocaria meu filho no transporte escolar com cadeirinha. Não tem cabimento deixar a criança sem proteção, principalmente nesse tipo de transporte”.

Pais ou responsáveis devem ter cuidados ao escolher a empresa que irá conduzir os filhos para a escola. Confira na arte de Thiago Rocha:

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