Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Atividade industrial segue em marcha lenta Brasil afora

Uso da capacidade instalada cai como reflexo da retração no consumo. No PIM, problema é maior no setor de duas rodas



1.jpg Esfriamento da indústria significa menor faturamento, menor arrecadação de impostos e menor oferta de empregos
02/10/2014 às 10:33

A atividade industrial voltou a cair em agosto. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (1), mostram que as horas trabalhadas na produção e no emprego caíram 0,8% no mês de agosto em relação aos números do mês de julho. A utilização da capacidade instalada reduziu 0,5 ponto percentual e a indústria operou, em média, com 80,5% da capacidade. As informações são da pesquisa Indicadores Industriais.

De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Wilson Périco, a indústria local também experimentou essa retração no índice de capacidade instalada. Para ele, a retração do consumo foi a responsável por essa queda, principalmente no setor de duas rodas.

“Hoje enfrentamos essa queda no segmento de duas rodas por conta da dificuldade de acesso ao crédito por parte do consumidor, acarretando a queda das vendas, ou seja, redução da demanda e, consequentemente, redução no ritmo de produção e utilização da capacidade instalada”, disse.

Na prática, a redução da atividade significa menor faturamento, menor arrecadação e redução nos níveis de emprego. A CNI divulgou que o indicador de emprego teve, em agosto, uma queda de 0,8% em relação a julho. Essa foi a sexta queda consecutiva no índice. No Amazonas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), houve saldo negativo de 398 postos de trabalho na indústria de transformação.

Os números da pesquisa refletem o fraco desempenho da indústria brasileira no ano de 2014 e isso é atribuído à queda nos investimentos, à diminuição do consumo das famílias e à dificuldade dos produtos brasileiros competirem com produtos estrangeiros. A queda no mês de agosto vem depois de um crescimento atípico ocorrido em julho, após quatro meses consecutivos em queda.

Apesar dos indicadores negativos, alguns dados foram positivos para a indústria. A massa salarial dos trabalhadores desse setor subiu 0,3% em agosto na série livre de efeitos sanzonais. Esse aumento quebra uma sequência de cinco meses seguidos de queda. O faturamento da indústria cresceu 1,1% no mês de agosto. Esse número, porém, não foi suficiente para recolocar o indicador no patamar do mesmo período do ano passado. O faturamento foi 8,8% menor do que o registrado em agosto de 2013.

Indústria deverá fechar com déficit

A CNI projeta que dificilmente a indústria terminará 2014 com saldo positivo nos indicadores de produção e empregos. Somente uma recuperação muito significativa salvaria o setor do resultado negativo. De acordo com Wilson Périco, os resultados do Pólo Industrial de Manaus (PIM) não deverão ser melhores que os do ano passado.

A pesquisa Indicadores Industriais é realizada mensalmente em 12 Estados, o que representa mais de 90% do produto industrial do País. O objetivo é acompanhar a evolução da indústria brasileira no curto prazo, nela são estimadas as taxas de crescimento mensais para as principais variáveis de desempenho da indústria e o percentual médio de utilização de capacidade da indústria de transformação.

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