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Ativista afirma que abordagens jornalísticas contrariam ações afirmativas de negros e mulheres

“A maioria das abordagens são enviesadas e contraria às ações afirmativas raciais, são abordagens parciais”, declarou Isabela Vieira 26/05/2013 às 12:33
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Jornalista Isabela Vieira é uma das coordenadoras do 3º Prêmio Nacional Abdias Nascimento no Norte do País
Rosiene Carvalho Manaus

As matérias jornalísticas que tratam sobre a população negra e feminina (maioria na sociedade) têm abordagens enviesadas e sem qualificação. A afirmação é da jornalista e uma das divulgadoras do 3º Prêmio Nacional Abdias Nascimento no Norte do País, Isabela Vieira.

“A maioria das abordagens são enviesadas e contraria às ações afirmativas raciais, são abordagens parciais”, declarou Isabela Vieira.

A iniciativa inédita da premiação é colocar na pauta dos jornalistas e da empresas de jornalismo do Brasil a abordagem positiva de questões raciais e de diversidade de gênero.

“A temática do preconceito racial é um problema no País. Os indicadores sócio-econômicos mostram isso. As abordagens jornalísticas não favorecem a compreensão do racismo na sociedade”, declarou.

A jornalista afirmou que o desafio maior do prêmio é influenciar o olhar dos jornalistas e das redações do País para uma abordagem positiva sobre a questão racial. “O prêmio é um instrumento utilizado por toda a sociedade. Vai ser chamada atenção para essa temática, para a necessidade de uma abordagem positiva em torno da questão racial. Que coloque negros e mulheres no papel de protagonistas para vencer estereótipos”, afirmou.

A ideia é que as abordagens jornalísticas tratem de temas como saúde da população negra, ações afirmativas, juventude negra, intolerância religiosa, entre outros.

Minoria nas redações
Os negros (pretos e pardos) são minoria nas redações dos jornais e o jornalismo é uma das profissões com menor percentual de negros no País. Os dados estão disponíveis nos site do 3º Prêmio Abdias Nascimento e são do Censo 2000 do IBGE. As redações são compostas de 15,4% de jornalistas negros e de 82,8% de brancos.

“É um percentual baixo. A ausência de negros nas redações é um reflexo do racismo na sociedade”, declarou a jornalista Isabela Vieira.

Ainda segundo artigo publicado no site do prêmio, o jornalista Tim Lopes, na década de 1990, deu a seguinte declaração: “Não existe um só repórter negro, mulato, moreno-claro ou cafuso que, por trás da máscara da simpatia, não tivesse sofrido brincadeira discriminatória pelos colegas brancos”. Na ocasião, ele trabalhava no Jornal do Brasil. Tim Lopes foi assassinado em junho de 2002 durante apuração de uma matéria de tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Inscrições começam em agostoAs inscrições do prêmio estão abertas desde o dia 7 de maio, e encerrarão em 31 de julho de 2013. São sete categorias que, juntas, somam um total de R$ 35 mil em prêmios para as melhores reportagens sobre as temáticas de discriminação racial e de gênero de mídias como impresso, televisão, rádio, jornais alternativos e comunitários, internet e fotografia.

A expectativa dos organizadores do prêmio é que, este ano, as inscrições superem as da edição passada. Na primeira edição (2011), foram 150 reportagens. Em 2012, foram 170 reportagens inscritas. Na segunda edição, aumentou o número de inscrições de matérias de fora da região sudeste. Este ano, pela primeira vez, estados do Norte foram inclusos no calendário de divulgação do prêmio.

A organização também facilitou as inscrições permitindo que os cadastros sejam feitos inteiramente pela Internet. Nas edições anteriores, era necessário enviar documentos pelos Correios.

Ativismo

O ex-senador Abdias Nascimento se tornou ícone da defesa dos direitos humanos e do combate ao racismo. Desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, artista plástico, escritor, poeta e dramaturgo. Natural de São Paulo, participou dos primeiros congressos de negros. No Rio de Janeiro, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN).

Carreira

Como jornalista, Abdias Nascimento foi repórter do Jornal Diário e trabalhou em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e foi filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio. Acumulou vários títulos, entre eles, o de professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

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