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Atual prefeito de Coari, Raimundo Magalhães afirma que terá que reduzir quadro de funcionários

O prefeito da segunda cidade mais rica do Amazonas - Coari -, Raimundo Magalhães, diz que trabalha em 2015 com um orçamento apertado e que é pressionado pelo TCE para dispensar servidores 22/08/2015 às 13:40
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Coari é governada pelo candidato que obteve a segunda maior votação no pleito de 2012, o empresário Raimundo Magalhães (PRP)
Antônio Paulo Brasília

Após a via-sacra que fez nos gabinetes dos deputados e senadores do Estado do Amazonas, no Congresso Nacional, e em vários Ministérios, o prefeito de Coari, Raimundo Magalhães retornou à cidade confiante nas promessas de ajuda e recursos para viabilizar projetos que não saíram do papel, como a usina termogás e o porto das Barreiras, e outras obras que serão erguidas como o novo estádio de futebol, transformado em cemitério pelo ex-prefeito Adail Pinheiro. Para A CRÍTICA, Magalhães fez avaliação positiva da viagem à capital federal, promete intensificar e estreitar essas relações institucionais, mas também falou da difícil situação financeira por que passa a segunda cidade mais rica do Estado, depois de Manaus.

Como está sendo a administração de Coari após tanta confusão envolvendo a Justiça Eleitoral e a Justiça Comum? A oposição está lhe deixando trabalhar?

As dificuldades não são tanto políticas, pois, temos um bom diálogo com os vereadores da Câmara Municipal, mesmo com os da oposição, que têm feito seu papel dentro do respeito e do jogo democrático. Nosso problema é financeiro. O município de Coari está perdendo sua arrecadação a cada mês. De uma média de R$ 30 milhões mensais que entravam por conta dos royalties do petróleo e gás, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e outras receitas, esse valor caiu para R$ 14 milhões/mês. O Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que em abril foi de R$ 5 milhões, em julho caiu para R$ 2,2 milhões. A Prefeitura de Coari está gastando R$ 500 mil mensais com merenda escolar, enquanto a contrapartida do governo federal foi de R$ 107 mil. Realmente, estamos em uma situação muito delicada.

E a folha de pagamento, que sempre foi alta no município, também está contribuindo no aumento de despesas?

Assumi a prefeitura em 16 de abril e, no primeiro momento, não mexi com o funcionalismo, mas agora não tem jeito, serei obrigado a reduzir o quadro porque o Tribunal de Contas do Estado está exigindo. Somente a folha de pagamento consome R$ 8 milhões o que é muito para o apertado orçamento que estamos trabalhando. Outra questão que temos de resolver é com relação aos altos salários dos médicos de Coari. Embora o município tenha entrado no convênio do programa “Mais Médicos”, a folha continua muito alta e a prefeitura não está dando conta de arcar com as despesas. Estamos verificando a possibilidade de terceirizar os serviços por meio de cooperativa.

E as dívidas herdadas das administrações anteriores são muitas?

O município tem uma dívida de R$ 96 milhões com o INSS, sendo R$ 15 milhões de precatórios (requisições de pagamento de quantia devida pela Fazenda Pública, em face de uma condenação judicial) que é obrigado a pagar. Recebemos, no dia 10 de agosto, em torno R$ 700 mil da parcela do FPM. Desse valor, quase R$ 600 mil foram bloqueados automaticamente pela receita federal para pagar o INSS.

Então, fazer obra este ano nem pensar?

É difícil, mas estamos realizando obras, revitalizando e reformando dez UBS (Unidades Básicas de Saúde), não apenas colocando massa e tinta, mas trocando telhados, pisos, etc. Também estamos gastando R$ 1 milhão por mês para asfaltar a cidade de Coari.

Por isso que o senhor esteve em Brasília, esta semana, batendo a porta dos parlamentares do Estado para pedir ajuda? Quais os resultados concretos dessa viagem?

Eu e a equipe de secretários de Coari fomos recebidos pelas senadoras Vanessa Grazziotin e Sandra Braga e pelos deputados federais Arthur Bisneto, Alfredo Nascimento e Conceição Sampaio. Reivindicamos emendas ao Orçamento da União para obras no Município e todos eles prometeram nos ajudar. Os parlamentares também auxiliaram nos contatos com os Ministérios. No do Esporte, por exemplo, apresentamos o projeto ao ministro George Hilton, que é do meu partido, o PRB, para construirmos um estádio de futebol, pois, o que Coari tinha (Estádio Manoel Brasil de Melo) foi transformado em cemitério (pelo ex-prefeito Adail Pinheiro). O estádio terá capacidade para com cinco mil lugares e custo está estimado entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões. O ministro do Esporte prometeu empenhar (autorizar pagamento de verba) três parcelas de R$ 2,5 milhões até 2016. Com o deputado Alfredo Nascimento, tratamos do novo porto de Coari, a ser construído nas Barreiras. Ele vai nos ajudar junto ao Ministério dos Transportes e no Dnit.

E a usina de gás natural vai sair?

Por conta de agenda lotada, o ministro de Minas Energia (Eduardo Braga) não pôde nos atender, mas a esposa dele, a senadora Sandra Braga, recebeu a gente. Com ela encaminhamos pedidos de recursos para as vítimas da enchente para a construção da usina termogás. Coari é a mãe do petróleo e do gás amazonense e até hoje não tem sua energia gerada pelo gás que produz. Vamos reverter essa situação.

O senhor já está pensando na sua reeleição em 2016?

Estamos trabalhando diuturnamente para ver a nossa população mais feliz. Quero apenas resgatar a dignidade que Coari perdeu com tantos escândalos e notícias ruins nos jornais ao longo desses anos. É preciso devolver a autoestima desse povo, o resgate moral. É só nisso que penso quando acordo até ao deitar.

Perfil

Idade: 50 anos
Nome: Raimundo Nonato de Araújo Magalhães
Estudos: Ensino Médio completo
Experiência: Empresário do ramo de combustível. Prefeito de Coari – foi o segundo colocado nas eleições de 2012, mas herdou o cargo com a cassação, pelo TSE, do ex-prefeito Adail Pinheiro e após a renúncia do vice-prefeito Igson Monteiro. 

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