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Cotidiano
DISCUSSÂO

Audiência pública debate redução do Mais Médicos e possibilidade de extinção

No Amazonas, 500 médicos atendem pelo programa. Governo interino anunciou redução de médicos estrangeiros e preocupou órgãos e entidades. Programa foi criado em 2013 para suprir carência de profissionais no interior 02/07/2016 às 09:27 - Atualizado em 02/07/2016 às 09:28
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Profissionais da saúde e deputados discutiram o impacto do programa (Foto: Divulgação)
Luana Carvalho Manaus (AM)

A Medida Provisória 723/2016 que prorroga por mais três anos o prazo do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) foi tema de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) na manhã de ontem. Depois que o Governo interino anunciou a redução de médicos estrangeiros, órgãos e entidades nacionais locais se preocuparam com a possível extinção do programa. No Amazonas são 500 médicos que atendem pelo programa.

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems/AM) elaborou, em parceria com a Associação Amazonense dos Municípios (AAM), um manifesto contra a extinção do programa, que trouxe para o Amazonas 500 médicos que atuam nas periferias de Manaus e nas comunidades rurais do interior. Segundo o presidente do Cosems, Januário Neto, frisou que o impacto, além de epidemiológico, também afetará a economia.

“Com o advento do programa mais médicos, 500 médicos foram inseridos no Amazonas. São 500 novas equipes de saúde da família com todos os subsídios de atendimento em saúde completo. Cada equipe de saúde atende em torno de 4 mil pessoas, então são 2 milhões de amazonenses que antes não tinha acesso ao Sistema Único de Saúde”, frisou.

O secretário estadual de saúde, Pedro Elias, no entanto, discordou do número informado. Segundo ele, 2 milhões é o número total da população do interior. “Além dos profissionais do programa, existem médicos do quadro da Susam e das próprias prefeituras no interior. Não sei como foi feito essa estatística, mas este número não chega a tudo isso”.

Outro impacto citado por Januário seria o econômico. Ele informou que só no município de Guarajá, pertencente à Microrregião do Juruá, o programa viabilizou a economia de quase R$ 250 por ano. “Por conta de questões salariais e outros fatores, os médicos não querem ir para locais remotos. Então precisamos desses profissionais que queiram trabalhar no interior. Se o programa acabar hoje, nós não teremos nem 100 médicos que estejam dispostos a residir 30 dias em uma comunidade rural”.

Ainda segundo ele, antes do PMMB, os municípios chegavam a pagar R$ 30 mil para um médico atender uma comunidade por 12 dias. O deputado estadual Sinézio Campos, quem propôs a audiência, diz que a situação está preocupante. “O modelo do SUS é a universalização do serviço para todos. Vivemos em um Estado com a maior população indígena do Brasil e todos são atendidos pelo Mais Médicos. A decisão que querem tomar no Planalto sem dialogar, atingi principalmente o Estado do Amazonas, que já possui uma realidade diferenciada”.

Coordenador Nacional da Associação Brasileira Rede Unida, Júlio Cesar Schweickardt, que também participou da construão da política do SUS, também demonstra preocupação para o fim do programa.

“A gente tem a obrigação de manifestar, não podemos recuar. Queremos um sistema que continue a se ampliar pela inclusão de todas as pessoas. As consequências seriam desastrosas com o fim do Programa Mais Médico, que deu oportunidade de incluir pessoas na assistência a saúde em lugares que médicos nunca foram”.

Carência

O Programa Mais Médicos foi considerado uma das boas práticas relevantes para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) A informação consta da publicação “Boas Práticas de Cooperação Triangular Sul-Sul para o Desenvolvimento Sustentável”. O programa foi criado em 2013 com o objetivo de suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades brasileiras.

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