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Cotidiano
INSEGURANÇA E MEDO

Aumenta número de crimes envolvendo traficantes e ‘piratas’ nos rios do AM

Trabalhadores do ramo de transporte fluvial temem os ataques, que na maioria das vezes são feitos por homens fortemente armados 06/10/2017 às 21:05 - Atualizado em 07/10/2017 às 08:44
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Fotos: Evandro Seixas/Arquivo AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

Viajar pelos rios do Amazonas está ficando mais perigoso com a ação cada vez mais frequente de traficantes, “piratas” e “ratos d’água”. Esses grupos criminosos praticam furtos, roubos, tráfico de drogas, assassinatos, enfrentam as forças de segurança e assustam  os viajantes. Trabalhadores do ramo de transporte fluvial temem os ataques, que na maioria das vezes são feitos por homens fortemente armados.

Na madrugada de ontem (6), por exemplo, a polícia registrou um confronto entre traficantes e policiais civis e militares que atuam na Estratégia Estadual de Segurança Pública Integrada para a Região de Fronteira e Divisas do Amazonas (Esfron), em Tabatinga, no Alto Solimões.

De acordo com o delegado-geral Mariolino Brito, na ocasião, um policial civil e um militar foram atingidos por disparos de arma de fogo e já foram transferidos para a capital. A embarcação dos criminosos foi abandonada no local e a suspeita é que ela esteja carregada com meia tonelada de droga. 

Uma aeronave levando policiais de forças especiais foi enviada, ontem, para o local para reforçar nas buscas pelos bandidos e das drogas.

Rios de maior risco

Os rios Solimões e Madeira despontam com os mais perigosos. De acordo com as autoridades policiais, o trecho do rio Solimões entre Coari e Tefé, Codajás até Maraã já está sendo chamada de “Zona de Guerrilha”, que é onde ocorre a maioria dos confrontos entre os bandos de traficantes e piratas.

Conforme o delegado titular do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) Paulo Mavignier, os piratas abordam os traficantes para roubar as drogas, ambos fortemente armados, tomam o produto, as armas e a lancha.  Essa droga é guardada na zona rural até eles conseguirem um comprador, que trás o material ilícito até Manaus e depois abastece as bocas de fumo da capital.

Segundo o delegado, muitos confrontos resultam em mortes. As vítimas são jogadas nos rios e devoradas pelos peixes carnívoros que existem na região e esses corpos nunca são achados. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) não têm os números exatos desse tipo de homicídio.

Conforme outros dados da SSP-AM, os ataques ocorrem em regiões remotas, na madrugada e, na maioria das vezes, os bandidos escondem qualquer tipo de prova, o que atrapalha o trabalho da polícia para chegar aos criminosos.  

Caso Garcez


Delegado desapareceu após confronto com traficantes no fim do ano passado

Em dezembro do ano passado, um confronto armado entre policiais e traficantes no Solimões resultou no desaparecimento do delegado da Thyago Garcez, em Coari. Um grupo de policiais comandado pelo delegado foi abordado quando estavam em missão para recuperar uma canoa que havia sido roubada. 

O corpo do delegado nunca foi encontrado. Ele teria sido atingido por um dos seguranças do traficante e ao cair na água ferido desapareceu.  Apenas a submetralhadora e o colete que Thyago Garcez estava usando  foram encontrados.

Casos no Madeira

Há registros de ataques de piratas ao longo do rio Madeira, no trecho que banha Manicoré e Novo Aripuanã no Sul do Amazonas.  Nessa área, o garimpo favorece a criminalidade. A situação mais crítica é a partir de Borba, com casos de prostituição infantil, assaltos a embarcações

Ribeirinhos armados atacam embarcações a serviço de criminosos


Britânica foi morta em setembro, no Solimões, por grupo de homens armados

De acordo com o delegado Paulo Magvinier, os crimes nos rios que mais preocupam são as abordagens por grupos armados especializados em assaltos formados por ribeirinhos a serviço de criminosos.  Eles atacam as embarcações para roubar combustível, mercadorias e pertences dos passageiros.

Há ainda os  “barrigas” ou “ratos d’água”,  que atacam pequenas embarcações. Foi um grupo desses que  roubou e matou a canoísta britânica Elma Kelty, 43, no mês passado, no rio Solimões, no trecho entre  Codajás e Coari. Ela foi atacada por um grupo armado no momento que armava a sua barraca em uma praia.

A polícia conseguiu prender quatro envolvidos: Arthur Gomes da Silva, o “Bera”; Erinei Ferreira da Silva, 28, o “Alfinete”, e Jardel Pinheiro Gomes, 19, o “Kael”, além de um adolescente de 17 anos.  Eles confessaram o crime e disseram que mataram para roubar os pertences dela e depois jogaram o corpo no rio para ser devorado pelos peixes.

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