Terça-feira, 18 de Maio de 2021
CONSCIENTIZAÇÃO

Autismo: transtorno acompanha a pessoa durante toda a vida

Geralmente diagnosticado na fase da infância, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) acompanha o indivíduo para sempre, exigindo tempo, carinho e dedicação de familiares e responsáveis



af7d4d41-3b3f-414c-ba4f-9d92bd132495_0FB69DCE-D13A-48B1-969E-B6213443B161.jpg Aos 18 anos, Marco Antonio chega à fase adulta enfrentando os desafios da TEA. Foto: Junio Matos
02/04/2021 às 09:54

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio no desenvolvimento do cérebro que afeta o sistema nervoso e capacidade de relacionamento com pessoas e o ambiente. Os sintomas podem ser leves a severos. Apesar de o diagnóstico, em sua maioria, acontecer ainda na infância, e ter boa divulgação midiática, transtorno persiste por toda a vida do indivíduo.

Conforme o Centro e Prevenção de Doenças (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, a cada 110 pessoas, uma terá caso de TEA. Levando em consideração os 200 milhões de habitantes no Brasil, estimasse que existam cerca de 2 milhões de pessoas autistas. Na cidade de Manaus, segundo informações da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), são 11.350 pessoas com Transtorno do Espectro Autista.



O TEA reage de formas diferentes em cada pessoa, quando diagnosticado na infância, as possibilidades de evolução no tratamento são maiores, fazendo com que na vida adulta o autista consiga viver com mais autonomia.

Autismo na vida adulta

Ao ser diagnosticado o Transtorno do Espectro Autista, a vida da família ou responsáveis muda completamente, pois o cuidado exige tempo e esforço. Foi o que aconteceu com Fátima Preste, mãe de Marco Antônio, 18 anos, diagnosticado aos 7 anos com Autismo. Fátima relata que no início foi um choque, pois temeu o julgamento da sociedade e como Marco Antônio chegaria a fase adulta.

"Esse momento foi infeliz e feliz ao mesmo tempo, pois ele saiu de um mundo normal para um mundo totalmente especial. Muita gente não reconhece a pessoa autista como adulta, principalmente no caso do meu filho, que possui o autismo mais grave. O preconceito da sociedade ainda é muito grande", disse.


Marco Antônio foi diagnosticado aos 7 anos de idade. Foto: Junio Matos

O Transtorno do Espectro Autista foi adicionado à classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde apenas em 1993. Sendo assim, em muitos estados do Brasil, não era realizados exames, incluindo Manaus. Caso de Felipe Melo, no qual teve seu diagnóstico confirmado no Rio de Janeiro.

Fante Melo, mãe de Felipe, contou que recebeu o diagnostico justamente em 1993, voltando para Manaus para continuar o tratamento, no qual Felipe recebe há 30 anos. "A vida do autista sem tratamento é muito difícil, por isso, faço de tudo para meu filho ter esse suporte", completou.


Felipe realizando exercícios de coordenação motora. Foto: Junio Matos

Fante reforçou também a falta de apoio do Estado tanto no transporte público quanto na educação e saúde. "O Estado deixa muito a desejar, é muito difícil achar profissionais preparados para lidar com pessoas com o Espectro Autista, principalmente na fase adulta. O estado deveria também priorizar atendimentos em todos as áreas da saúde e conscientizar as pessoas sobre esse transtorno, pois precisamos desse apoio".

Amparo especializado

Apesar das dificuldades encontradas por familiares com falta de apoio do estado, é possível encontrar acompanhamento especializado. Em Manaus, a Associação de Amigos do Autista no Amazonas (AMA-AM), ampara especialmente pessoas adultas com o Espectro Autista, a partir de 14 anos. É oferecido atendimento psicológico, fonoaudiólogo, pedagógico e atividades físicas.

Os usuários participam de oficinas e atendimento terapêutico. É nessa associação que Marco e Felipe recebem acompanhamento, indo duas vezes por semana.

A psicóloga do AMA, Lucia Barros, orienta a equipe multiprofissional e famílias quanto às estratégias utilizadas para amenizar os comportamentos inadequados.

"Sempre oriento os pais a perceberem, quando o autista está agitado, a treinar os comportamentos mais adequados, para assim, amenizar os inadequados. Além de estimular o desenvolvimento das habilidades sociais que o autista adolescente e adulto mais sofre, por não conseguir manter um diálogo e relacionamento" informou.


Trabalho realizado na AMA é acompanhado por pessoal especializado. Foto: Junio Matos

De acordo com a Assistente Social da Associação, o local por ser o único no Amazonas que oferece atendimento à pessoa adulta com autismo, existe uma longa lista de espera, mas por não terem apoio, o número de profissionais é reduzido. "Nosso número de funcionários ainda é reduzido, infelizmente para manter a instituição precisamos de doações e parcerias, é o que nos mantém funcionando", disse.

Carteira da Pessoa com Deficiência

A Carteira da Pessoa com Deficiência (PcD), foi lançada em 2020 pelo Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), com o objetivo de substituir o laudo médico, garantindo acesso prioritário a diversos serviços públicos e privados, como em agências bancarias, caixas eletrônicos e supermercados.

Segundo a secretária executiva da Pessoa com Deficiência da Sejusc, Lêda Maia, a solicitação da carteira pode ser feito pelo aplicativo Sasi, disponível para download em celulares com sistema Android e iOS ou por meio do telefone (92) 8406-0249.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

A ONU (Organização das Nações Unidas), no fim de 2007, definiu todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (no original em inglês: World Autism Awareness Day), quando cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul — no Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor — para lembrar a data e chamar a atenção da mídia e da sociedade para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Repórter de A Crítica

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