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Autista que passou dez anos nas ruas de Manaus reencontra sua família nesta sexta-feira (24)

A viagem de volta para rever a família, da qual não tem contato há mais de uma década, se encerra quando o barco que leva Alfredo Zavasque, de 59 anos, e a irmã Zélia atracar em Santarém, no Pará 24/10/2014 às 09:27
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Após quase dez anos vivendo na solidão das ruas, Francisco reencontrou a irmã, Zélia, que mora no Pará
Acyane do Valle Manaus (AM)

Depois de um reencontro emocionante, em Manaus, Alfredo Zavasque, 59, e a irmã dele Zélia, embarcaram no final da manhã de ontem para o Pará, onde ele vai rever a mãe, de 83 anos, e os outros irmãos, no município de Santarém, após ter ficado dez anos sem ter tido qualquer contato com a família. Por conta do seu "desaparecimento", os parentes achavam que ele tinha morrido.

O barco, no qual viajaram os irmãos, saiu um pouco antes das 11h30 da Manaus Moderna, no Centro, Zona Sul da cidade, com previsão de chegada em Santarém no final da manhã ou início da tarde desta sexta-feira. Antes do reencontro com a irmã, que aconteceu esta semana, Alfredo vivia há dez anos no Serviço de Acolhimento Institucional (SAI) Amine Daou Lindoso, instituição que faz parte da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

Antes disso, ele morou nas ruas da capital, mas não se sabe o que aconteceu a ele nesse período e nem como e quando chegou à cidade, porque ele praticamente não falava, apenas afirmava não possuir família. Ontem, os profissionais do abrigo o acompanharam até o barco e se despediram, num momento de muita emoção. Na mala, só quis levar os objetos de uso pessoal e algumas roupas.

Família

Além da mãe, que vive na zona rural de Santarém, Alfredo possui nove irmãos, que são agricultores, e sobrinhos, todos estão com uma grande expectativa para rever e conhecer o parente. De acordo com a Semasdh, eles receberam orientações do corpo técnico do SAI sobre seu comportamento, hábitos, formas de tratamento e outras recomendações que serão importantes à rotina dele e dos familiares. Outra medida importante será o ingresso, junto aos órgãos competentes, do pedido de Benefício de Prestação Continuada (BPC), oferecido às pessoas com algum grau de deficiência.

A irmã Zélia contou que os pais diziam que Alfredo “tinha um problema na cabeça”. Ele sumiu por não aceitar a venda de um terreno pelo pai, abandonando a família. O psicólogo do abrigo, Carlos Almeida, 55, percebeu o sobrenome diferente e, a partir daí, usando as redes sociais, conseguiu chegar até a família dele. O reencontro foi planejado com a equipe do abrigo durante dois meses.

Ele pediu para ir mora com a mãe

Quando chegar em Santarém, Alfredo e Zélia Zavasque vão passar uns dias na sede do município para depois seguir em direção à zona rural. Ele pediu para morar com a mãe e nos dois dias de convívio com a irmã, em Manaus, retomou os vínculos familiares e estava “falante”.

Esta semana, profissionais da Semasdh revelaram suspeitar  que Alfredo tivesse autismo, uma doença do transtorno do desenvolvimento marcado pela inabilidade para interagir socialmente; dificuldade da linguagem para comunicar-se; e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Ontem, a secretaria informou que, na verdade, o diagnóstico de Alfredo Zavasque é de esquizofrenia. Por conta da doença, ele tinha um comportamento muito fechado. Durante todo o tempo em que esteve no SAI, realizou acompanhamento psicossocial.

Abrigo

O SAI Amine Daou Lindoso acolhe até 30 pessoas em situação de mendicância, moradores de rua, migrantes e imigrantes, propiciando atendimento psicossocial e encaminhamentos necessários para a consolidação da vida produtiva.


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