Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
Outubro Rosa

Autoconhecimento é decisivo para a cura do câncer de mama

Portal A CRÍTICA preparou um roteiro para ajudar as mulheres que querem buscar acompanhamento especializado



1571856335_9070A622-DF6F-481F-A938-0B63E287B2B1.jpg Foto: Divulgação
11/10/2020 às 12:43

O diagnóstico precoce do câncer de mama além de favorecer o tratamento, aumenta as chances de cura. Em virtude disso, é essencial que as mulheres fiquem atentas às três perguntas que salvam: Você tem observado suas mamas?; Você já marcou seus exames anuais?; e Você conhece os seus fatores de risco?, tema da campanha do Outubro Rosa deste ano.

Para esclarecer essas dúvidas, saber onde buscar ajuda e quando realizar os exames voltados para saúde da mama o A CRÍTICA preparou o passo a passo de como funcionam as consultas e tratamentos pela rede pública de saúde.



A mastologista da Fundação Cecon (FCecon), Hilka Espírito Santo, recomenda que a partir dos 40 anos a mamografia deve ser realizada anualmente, mas  desde sempre as meninas devem ser instruídas a realizar o autoexame, para que elas conheçam o próprio corpo. A mulher consegue encontrar, até 30% das vezes, a presença de algum nódulo ou alteração a partir do toque ou observação dos seios.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) devem ser observados:

•             Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos, quando o câncer é percebido pela própria mulher;

•             Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;

•             Alterações no bico do peito (mamilo);

•             Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço;

•             Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos.

O enfermeiro especializado ou clínico geral podem verificar as alterações. Porém, Hilka indica que a mamografia para a idade de risco deve ser solicitada pelo ginecologista, juntamente, com os exames de rotina e o preventivo.

Essa consulta pode ser realizada gratuitamente em Manaus nas 291 Unidades Básicas de Saúde (UBS), nas UBSs fluviais para a área rural e ainda nas 6 policlínicas espalhadas pela cidade, bem como nas UBS dos municípios do interior do estado.

Durante a consulta ginecológica, as mamas devem ser avaliadas pelo médico. Esse toque deverá ser feito também nas mulheres com idade inferior aos 40 anos. Entretanto, as pacientes que possuem casos de câncer na família, por sua vez, são consideradas pessoas com fator de risco para a doença e por isso devem ser regularmente avaliadas por um mastologista. Elas devem começar a realizar os exames de imagem e rastreio dos tumores mesmo antes dos 40 anos.

 

Alteração na mama identificada e agora?

Após a avaliação do ginecologista ou mastologista, dependendo da idade, serão realizados exames complementares -  ultrassom, mamografia ou biopsia. “Se nessa mamografia ou exames de imagem estiverem dado alguma alteração, ou até mesmo na biopsia, ela vai ser encaminhada para a Fundação Cecon”, esclarece Hilka.

O agendamento do exame de Mamografia ou da Ultrassom Mamária é realizado via SISREG com a apresentação de documento de identidade, cartão do Sistema Único de Saúde e requerimento médico.

A mastologista, alerta que nem todo o nódulo será um câncer, por isso, na Fcecon será realizado o mapeamento da doença para comprovação do diagnóstico. Após a confirmação, inicia-se o ‘estadiamento’, termo usado para a averiguação do tamanho do tumor, e também é analisada a incidência de ‘metastase’, ou seja, se as células cancerígenas atingiram outras partes do corpo senão a mama.

Com esses dados, os médicos avaliam a ordem de prosseguimento ao tratamento, que pode ser iniciando tanto pela cirurgia, quanto pela quimioterapia - visando reduzir o tamanho do nódulo. Apesar de variar de caso para caso, o tratamento do câncer de mama costuma demorar cerca de 6 a 8 meses. Nesta fase também podem ser requeridos tratamento como a radioterapia ou a hormônioterapia.

As áreas mais comumente afetadas pela metástase são os pulmões, o fígado e os ossos o que pode aumentar o tempo de tratamento e reduzir as chances de cura. O tamanho do tumor também é crucial para a prescrição, ou não, de tratamentos mais invasivos como a mastectomia que consiste na retirada total das mamas atingidas pelo câncer, por isso a importância do diagnóstico precoce.

“Quanto menor é o tumor, menos agressivo ele é, [tem] menos chance de metástase e menos agressivo será o tratamento que essa mulher irá fazer. Um tumor pequeno de um centímetro, eu não preciso tirar a mama dela, mas se há um diagnóstico no tumor de cinco centímetros ao a chance é muito maior de fazer uma cirurgia radical”, explica a médica.

Apesar de ser considerada uma doença crônica, a cura do câncer de mama é uma realidade e segundo a médica, se o tratamento for realizado corretamente a longevidade da paciente pode ser assegurada.

MITOS E VERDADES

Usar sutiã pode propiciar o câncer de mama?

Não, sutiã não dá câncer, nem mesmo o sutiã de arte, isso não é uma verdade.

 

O uso de contraceptivos pode aumentar o risco?

Não. O anticoncepcional é utilizado para muitas coisas. Além da anticoncepção, ele pode ser usado para evitar muitas doenças que essa mulher tenha. Ele não é nocivo para a mama mas ele dever ser acompanhado. O que acontece em relação à contracepção propriamente dita, é que na terapia hormonal que a mulher faz na pós menopausa ou na pré-menopausa com os homônimos, o risco estimado dela após cinco anos de uso da medicação aumentam e é necessário conversar com o paciente e explicar a necessidade de fazer sempre uma controle e avaliar o custo benefício.

Menstruar mais cedo pode ser fator de risco para o desenvolvimento de tumores malignos na mama?

Existe um fator de risco quando essa paciente menstrua muito cedo e para de menstruar muito tarde. São fatores de risco, mas a gente não pode dizer que foi isso que causou o câncer.

O estilo de vida da mulher impacta no diagnóstico do câncer de mama?

Na verdade é até o slogan da campanha, que envolve várias coisas. É muito importante que a mulher tenha uma boa alimentação que ela faça exercícios regularmente. Isso não só para mama, mas para qualquer tipo de doença.

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Repórter de A CRÍTICA. Sempre em busca de novos aprendizados que somente uma boa história pode trazer.

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