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Autônomo acompanha de perto trabalhos na ALE-AM e na CMM

Nelmo dos Santos Silva, 51, aprendeu o funcionamento do Legislativo para cobrar melhorias para as comunidades onde mora  21/06/2015 às 15:08
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O autônomo Nelmo dos Santos Silva tem 51 anos e é morador do bairro Nova Cidade, na zona Norte de Manaus
natália caplan ---

Conhecer as atribuições e funções dos cargos legislativos é fundamental aos candidatos, mas principalmente aos responsáveis por elegê-los. Porém, qual eleitor efetivamente cobra, fiscaliza e participar do dia a dia político? Um morador do bairro Nova Cidade, Zona Norte, decidiu fazer a diferença e se tornou conhecido na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) e na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Para Nelmo dos Santos Silva, 51, digitar alguns números na urna eletrônica é apenas parte dessa responsabilidade.

“Eu morei muitos anos na Compensa e ainda tenho família lá. Em 2011, vi alguns problemas que mexiam com o bem estar da comunidade, que sofria muito com a violência e muitos assaltos, e resolvi procurar as autoridades. Eu não sabia como, mas precisava encontrar uma forma de ajudar o meu bairro”, diz, ao revelar que nem sabia a quem recorrer. “Como eu não tinha ideia de onde ir, fui primeiro à Assembleia Legislativa tentar um contato com a Secretaria de Segurança [SSP]”, lembra.

Porém, a primeira experiência do autônomo com os bastidores da “política” foi bem desagradável. Por desconhecer o regimento interno da Casa, ele entrou no plenário durante a sessão, o que é restrito aos próprios deputados estaduais e alguns poucos assessores e funcionários. Resultado? Foi forçado a sair. “Eles mandaram o segurança me retirar porque eu estava ‘incomodando’. Mas eu não sabia que era proibido. Ver o deputado na TV é uma coisa, mas lá dentro é outra”, ressalta.

Após o susto, seguido de constrangimento, Silva conheceu a então parlamentar Vera Castelo Branco (PTB), que o orientou a procurar a Comissão de Segurança Pública da ALE-AM, atualmente presidida pelo deputado Cabo Maciel (PR). “Entreguei um requerimento, solicitando um posicionamento mais efetivo da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança. Fui a uma audiência pública, conversei com o secretário, com o diretor da Ronda no Bairro e com os deputados”, declara.

Resultados

Ao ver frutos das visitas constantes à Assembleia — instalação de câmeras de segurança na avenida Brasil e aumento do efetivo policial na área —, Nelmo dos Santos Silva começou a adquirir conhecimento sobre o funcionamento da legislatura e a frequentar a Câmara. Decidiu visitar todos os gabinetes, com ofícios e requerimentos daquilo que o bairro da zona Oeste necessitava. Com o tempo, aprendeu as funções parlamentares, a acompanhar as atividades do plenário e a fiscalizar as obras realizadas na comunidade.

“Comecei a ver resultados e peguei gosto de fazer isso. Outros deputados começaram a me atender. Eu ia de gabinete em gabinete buscar apoio. Depois, comecei a participar das audiências públicas na Câmara Municipal. Agora, que sei a responsabilidade de cada um e quem realmente ajuda, vou direto aos contatos certos, sem perda de tempo”, enfatiza, ao citar o nome dos vereadores Junior Ribeiro (PTN) e Socorro Sampaio (PP); e dos deputados estaduais Dr. Gomes (PSD) e Cabo Maciel (PR). “Eles se comprometem”, afirma.

Não quero ser líder, diz autônomo

Apesar da forte atuação para garantir os direitos dos moradores dos bairros da Compensa e Nova Cidade, Nelmo dos Santos Silva nunca quis ser líder comunitário. Na opinião dele, há omissão e o conformismo por parte da maioria da população, que até tem uma noção dos direitos básicos. “Acho que é um dever meu, como cidadão. Muitos moradores não têm interesse, não querem se envolver. Todos têm o direito de ir e vir, denunciar e procurar os órgãos, mas não fazem isso. Poucos se mobilizam”, lamenta.

Para o autônomo, não basta reclamar e se acostumar com os problemas. É preciso cumprir o dever prático da cidadania: cobrar, fiscalizar e reconhecer, posteriormente, aquilo que foi cumprido. Por isso, ele conversa com vizinhos e familiares, coloca as debilidades das comunidades no papel, acompanha a tramitação de cada documento protocolizado junto às duas casas legislativas, visita as obras e volta ao gabinete do político responsável pela ajuda para agradecer pessoalmente.

Economista dá exemplo na Câmara

No último dia 17 de maio, o jornal A CRÍTICA mostrou outro exemplo de cidadão: a preocupação de Indalecio Giraldez, 74, com as contas públicas de Manaus. O economista, contador, advogado, empresário, auditor fiscal aposentado é o único cidadão da capital que, anualmente, analisa o balanço financeiro da Prefeitura detalhadamente. Nascido na Espanha e erradico no Amazonas há pouco mais de dez anos, ele é o único a assinar a ata de registros, no qual os interessados no balanço das atividades socioeconômicas e financeiras da cidade assinam.

O documento referente ao exercício do ano anterior fica à disposição do público para consulta e fiscalização, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), sempre de 1º de maio a 30 de junho, em cumprimento ao artigo 29 da Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman). “Está na Constituição, é um direito importante do cidadão: saber para onde vai o dinheiro público. Mas aqui é letra morta”, disse.


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