Sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Autoridades brasileiras se preocupam com surtos e epidemias durante a Copa

O que mais preocupa as autoridades de Saúde brasileiras é um vírus de nome complicado, contra o qual não temos vacina nem anticorpos: chikungunya



1.gif O Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, é um dos vetores que pode disseminar o vírus chikungunya
25/05/2014 às 10:48

A possível reinserção de doenças já erradicadas no Brasil durante a Copa do Mundo - como o sarampo e a poliomielite -, trazidas por turistas de países onde esses vírus ainda circulam, levou o Ministério da Saúde a reforçar a imunização contra elas em todos os Estados. Mas o que mais preocupa as autoridades de Saúde brasileiras é um vírus de nome complicado, contra o qual não temos vacina nem anticorpos: chikungunya.

“Se existe algum vírus que pode levar a uma epidemia durante a Copa do Mundo, é esse. Contra ele o alerta é maior porque, além da população não ter anticorpos, aqui ele encontra as condições ideais para uma rápida disseminação”, alertou o coordenador do programa Copa Saudável no Amazonas, Bernardino Albuquerque.



É que o vírus chikungunya, que está presente em 40 países e já provocou surtos na África, Ásia, Europa e recentemente chegou à América Central, é disseminado por dois “velhos conhecidos” dos amazonenses: os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, transmissores da dengue .

Segundo Albuquerque, a fácil disseminação e a falta de imunidade são fatores que fazem do chikungunya o vírus que mais ameaça os brasileiros na Copa do Mundo, uma vez que, além de desprotegida, a população estará mais exposta a ele em ambientes de grande concentração de pessoas, sobreturo estrangeiras, como os estádios e as Fan Fests.

“O sarampo e a poliomielite são doenças erradicadas no Brasil há mais de dez anos, nossa população tem imunidade contra elas, com uma cobertura vacinal de quase 100%, então um surto é pouco provável. Podemos ter casos isolados. Contra o chikungunya ainda não temos proteção, é uma ameaça real”, alertou Albuquerque.

Doenças tropicais

Na outra ponta do problema está a preocupação com a exposição dos turistas que virão ao Amazonas durante a Copa do Mundo a doenças às quais eles não estão acostumados, como a dengue, a malária, a febre amarela e a influenza (H1N1).

Para isso, governos federal, estadual e municipal reforçaram as ações de imunização da população local e dos visitantes, para reduzir a incidência dessas doenças entre os brasileiros e, consequentemente, o risco de transmissão aos turistas, informou Bernardino Albuquerque.

“Reforçamos as campanhas de vacinação contra H1N1 e, entre os estrangeiros, a de febre amarela, que deve ser tomada com antecedência mínima de dez dias da viagem. Temos uma situação muito confortável com relação às doenças vetoriais”.

A dengue e a malária, garante Albuquerque, estão sob controle no Amazonas, com a redução no número de casos notificados. No caso da malária, a redução foi de 23% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) registrou, entre janeiro e março deste ano, 1.390 casos confirmados de dengue no Amazonas, 320 deles em Manaus. Já os casos de H1N1 somam 15 confirmados este ano, com quatro mortes.


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