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Avanço da produção da folha da coca próximo às fronteiras do Amazonas preocupa autoridades

Mauro Spósito acredita haver mais de 10 mil hectares de plantação de folha de coca a menos de 39 metros das fronteiras entre Colômbia, Peru e Bolívia, considerados os países que mais produzem coca no mundo 16/09/2015 às 10:41
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Mauro Spósito (à direita) palestrou sobre o avanço dos plantios de folha de coca nas imediações da fronteira brasileira
Isabelle Valois ---

Mesmo com mais de 30 anos de experiência trabalhando em ações policiais para reprimir a ação de traficantes e a entrada de drogas em território brasileiro, o ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas e assessor da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Mauro Spósito, mostrou-se preocupado com o avanço da produção da folha da coca próximo às fronteiras do Amazonas, no momento em que palestrava sobre o tema “Drogas na Amazônia Brasileira”, no primeiro dia do Seminário de Proteção da Amazônia, promovido pelo Centro de Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O seminário iniciou ontem e a programação continua hoje e amanhã. O evento ocorre no no auditório Anavilhanas do Centro Regional de Manaus do Censipam, localizado no Tarumã, Zona Oeste.

Spósito acredita haver mais de 10 mil hectares de plantação de folha de coca a menos de 39 metros das fronteiras entre Colômbia, Peru e Bolívia, considerados os países que mais produzem coca no mundo. De acordo com o delegado da PF, em menos de 15 anos o Brasil deixou de ser um país de trânsito da cocaína e hoje é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, ficando a baixo dos Estados Unidos.

“Com esses dados, nossa preocupação maior é em combater a entrada desta droga no País. Não nos animamos quando realizamos apreensão de grande quantidade de cocaína no território brasileiro, pois sabemos que de alguma forma esta droga conseguiu passar por nossas fronteiras”, explicou.

Conforme o delegado, parte das plantações de coca são de responsabilidade dos índios peruanos da etnia Ticuna. “O perigo já bateu em nossa porta e precisamos estar atentos e promover ações para evitar que a droga entre no nosso território, pois isso se transforma em problemas sérios de saúde pública. Há menos de 15 anos éramos um país de trânsito e agora somos o segundo maior consumidor de todo o mundo”, reforçou.

Hoje, a determinação do governo brasileiro é para que sejam feitos os esforços para a integração de todas agências para obter um resultado no combate. “O problema é grande e, se não houver essa união, podemos perder a guerra”, disse Spósito.

‘Usuários sustentam narcotráfico’

O consumo de drogas é o que sustenta o crescimento do narcotráfico. A afirmação é do assessor da SSP, Mauro Spósito. “O governo precisa investir em clínicas de reabilitação e combater a entrada das drogas. A situação está grave. No Amazonas foram mais de R$ 1,5 bilhão de recursos gastos com o consumo da cocaína, este valor dá para sustentar um exército”, disse.

Para o diretor-geral do Centro de Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Rogério Guedes Soares, esse tema precisa estar sempre em discussão. “Isso já é uma característica nossa, de realizarmos este tipo de discussão entre os órgãos públicos de segurança, pois fazemos parte das estratégias. Após este seminário vamos elaborar um documento para apontarmos diretrizes e estratégias novas para consolidar com os planos de operações e ter mais efetividade no plano que apoiamos”, completou.

Em números

10 mil hectares ou mais é a extensão dos plantios de coca nas proximidades da fronteira entre Colômbia, Peru e Bolívia, segundo dados da Polícia Federal. As plantações ficam a uma distância de aproximadamente 30 metros do território brasileiro.


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