Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
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Baixa procura pelos cursos de licenciaturas pode comprometer educação

Procura por cursos de licenciaturas no Brasil subiu 0,8% em 2012, número insignificantes para nossas necessidades



1.jpg Luta constante por melhores salários, como aconteceu no Amazonas, desestimula os jovens na hora em que eles optam por uma carreira de nível superior
04/10/2013 às 09:08

Estimativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) dão conta de que até o ano de 2030, serão necessários 8,4 milhões de professores no mundo para assegurar educação a todas as crianças do ensino primário e secundário. Mas no Brasil, se continuar a baixa procura pelos cursos de licenciaturas, haverá cada vez menos, principalmente em áreas como Exatas e Biológicas. De acordo com o Censo da Educação Superior 2012, o número de matrículas nesses cursos aumentou apenas 0,8% entre 2011 e 2012. Para o professor doutor em educação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Roberto Mubarac, vários fatores contribuem para esse quadro, especialmente a desvalorização do trabalho do professor e a falta de um plano de cargos, carreira e salário.

O Censo revelou que enquanto os cursos de licenciaturas cresceram menos de 1%, os tecnológicos apresentaram aumento de 8,5% nas matrículas e os de bacharelado, 4,6%. Um dado destacado pelo MEC é que a maior parte das matrículas em cursos a distância foi de alunos de licenciatura, totalizando 40,4%.

O MEC anunciou neste mês a criação de um programa para aumentar o interesse dos jovens pela carreira docente, especificamente nas áreas onde o déficit é maior: física, química, biologia e matemática (para saber mais, clique aqui). Segundo cálculos do próprio governo federal, o déficit é de 170 mil professores na área de exatas.

ATRATIVIDADE

Para especialistas, a baixa procura é resultado da pouca atratividade da carreira docente. A sociedade tem construído uma imagem negativa do trabalho do professor com as greves que duram meses, porque eles não conseguem mostrar as consequências da falta de políticas valorização, afirma Mubarac, lembrando que após o início da década dos anos de 2000 essa questão ficou mais evidente. A perda do direito de ter um plano de cargos e salários e até benefícios como plano de saúde ser refletem na profissão. Outro fator citado por ele foi a formação em grande número de pedagogos não absorvidos pelo mercado de trabalho, que é carente em algumas áreas como Matemática, Física, Química, mas não tem vaga suficiente para acolher os formandos de outras áreas.

A falta de concursos públicos para a carreira de pedagogia é também fator preponderante no desinteresse pela profissão, segundo o professor da UEA, coordenador do curso de Pedagogia da instituição. Para Mubarac, como essa profissão é a base de todas as demais, pode-se entender a razão da crise de ética pela qual passa o País. Segundo ele, é o professor que contribui na formação ética das crianças e sem um profissional capacitado e valorizado para fazer isso, fica uma lacuna que se reflete em todas as profissões.


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