Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Notícias

Balança comercial brasileira registra pior resultado dos últimos 16 anos

Segundo o MDIC, o saldo negativo histórico se deveu à falta de exportações de plataformas de petróleo, à queda do preço internacional do minério de ferro e a situação econômica da Argentina, principal parceiro comercial brasileiro. As exportações do Brasil dependem maciçamente de commodities agrícolas e minerais



1.gif A queda nas exportações de plataformas de petróleo e de minério de ferro contribuíram para o saldo negativo
03/11/2014 às 16:53

A balança comercial – diferença entre exportações e importações – teve déficit de US$ 1,177 bilhão em outubro, divulgou há pouco o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O resultado é o pior para o mês desde outubro de 1998, quando as importações superaram as exportações em US$ 1,443 bilhão.

No mês passado, as exportações somaram US$ 18,33 bilhões, com queda de 19,7% em relação a outubro de 2013, pela média diária. As importações totalizaram US$ 19,5 bilhões, um recuo de 15,4% também pela média diária na mesma comparação.

Com o desempenho de outubro, o déficit da balança comercial em 2014 aumentou para US$ 1,871 bilhão. O resultado acumulado é o segundo pior da história, só perdendo para os dez primeiros meses de 2013, quando o déficit somava US$ 1,99 bilhão. No ano, as exportações somam US$ 191,965 bilhões (queda de 3,7% em relação a 2013 pela média diária). As importações somam US$ 193,836 bilhões (retração também de 3,7% pela média diária).

Contribuiu para a queda das exportações a inexistência, no mês passado, de exportações de plataformas de petróleo. Em outubro de 2013, a venda de uma plataforma produzida em Rio Grande (RS), para uma subsidiária da Petrobras com sede no exterior, engordou a balança comercial em US$ 1,9 bilhão, apesar de o equipamento não ter deixado o país. Autorizada pelas normas internacionais de comércio, a operação não se repetiu em outubro desde ano.

MDIC explica motivos

A queda do preço internacional do minério de ferro e a situação econômica da Argentina foram os principais fatores que contribuíram para o resultado negativo da balança comercial – diferença entre exportações e importações – em outubro. A avaliação é do secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, ao comentar o resultado negativo de US$ 1,117 bilhão na balança comercial em outubro, o pior para o mês desde 1998.

Segundo o secretário, a forte base de comparação em relação a outubro do ano passado também interferiu no saldo negativo. Em outubro de 2013, a plataforma de petróleo P-55, produzida em Rio Grande (RS), foi vendida a uma subsidiária da Petrobras com sede no exterior. Registrada como exportação, a operação engordou o saldo da balança comercial em US$ 1,9 bilhão no ano passado, apesar de o equipamento não ter deixado o país. Autorizada pelas normas comerciais internacionais, a venda não se repetiu em outubro deste ano, puxando o saldo para baixo.

De acordo com Godinho, o efeito estatístico da exportação da plataforma estava previsto pelo governo. No entanto, ele admitiu que a queda de preços das commodities (bens primários com cotação no mercado internacional), principalmente do minério de ferro, está mais acentuada que as projeções do governo.

“O preço do minério de ferro caiu 20% no ano. Somente em outubro, a queda chegou a 40% em relação a outubro do ano passado. Se a mesma quantidade de minério tivesse sido exportada a preços de 2013, teríamos US$ 5,4 bilhões a mais de exportações em 2014”, declarou Godinho. Por causa do minério de ferro, a China deixou de ser o principal destino das exportações brasileiras em outubro, sendo superada pelos Estados Unidos, o que não ocorria desde janeiro de 2013.

O secretário também destacou a queda da demanda da Argentina, como um dos fatores responsáveis pela queda das exportações neste ano. “A Argentina é o nosso terceiro parceiro comercial e o principal comprador de manufaturados brasileiros. Até o momento, as exportações para lá caíram 27% no ano. As vendas de manufaturados caíram 29%. Somente as exportações de automóveis [para a Argentina] têm queda de 44% em 2014”, ressaltou.

Outros produtos, no entanto, registram bom desempenho em 2014. Beneficiada pelo fim do embargo da Rússia, a carne suína registrou recorde de exportação em outubro, com vendas de US$ 183 milhões. Somente em 2014, as vendas de carne suína cresceram 17,1% em relação ao ano passado. Os embarques de carne bovina acumulam alta de 11,6%.


Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.