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Cotidiano
ALVO DE DISPUTA

Balsa do prefeito de Nhamundá apreendida por crime ambiental é incendiada no Pará

A embarcação havia sido apreendida em março pelo Ibama e pela PF por suspeita de extração ilegal de seixo 12/07/2017 às 13:23 - Atualizado em 12/07/2017 às 13:28
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Foto: Divulgação
Vinicius Leal Manaus (AM)

Uma balsa pertencente ao prefeito de Nhamundá, Nenê Machado, foi incendiada na tarde de ontem, terça-feira (11), na sede do município paraense de Faro, na região oeste do estado do Pará. A embarcação estava sob a responsabilidade da Prefeitura de Faro desde março, depois de ter sido apreendida pelo Ibama e pela Polícia Federal durante uma operação contra crimes ambientais supostamente cometidos pelo prefeito de Nhamundá.

O incêndio aconteceu por volta das 15h na orla da cidade e em frente à sede delegacia do município. A embarcação ficou completamente destruída. “Lá pelas três da tarde soubemos que a balsa estava pegando fogo. Determinei logo a instauração de um inquérito policial para apurar os fatos e imputar os crimes de incêndio e outros que venham a ser descobertos”, afirmou o delegado Jair de Assunção Castro, da Polícia Civil de Faro. Até o momento, não há suspeitos do crime.

A balsa incendiada é o alvo de uma disputa entre o prefeito de Nhamundá e o governo municipal de Faro. “A balsa do prefeito Nenê foi apreendida pelo Ibama e pela Polícia Federal sob a suspeita de ser utilizada para a extração ilegal de seixo do leito do rio Nhamundá. Todo o material apreendido, incluindo uma balsa e outra balsa com draga, motores e todo o seixo extraído, foi designado pelo Ibama à Prefeitura de Faro para ser o depositário fiel”, explicou o delegado Jair Assunção.

Retida na orla da cidade Faro desde março, a balsa estava sendo requerida de volta pelo prefeito Nenê Machado. “No dia de ontem o prefeito de Nhamundá foi até a sede da Prefeitura de Faro levar um documento assinado pelo superintendente do Ibama no Amazonas, redesignando uma empresa de Nhamundá para ser a depositária da balsa. Ele retirou a balsa das mãos da Prefeitura de Faro e redesignou à uma empresa de Nhamundá”, disse.

Entretanto, a administração municipal de Faro negou repassar a posse da embarcação, havendo inclusive uma discussão entre o prefeito Nenê Machado e o marido da prefeita de Faro, Josué Abreu. “Foi negada a entrega e o cumprimento da medida administrativa (do Ibama), e existem boatos (de atrito entre Nenê e José Abreu), mas não confirmo. Isso também vai ser apurado no inquérito”, afirmou o delegado Jair Assunção.

Após ser impedido de levar a balsa, o prefeito Nenê Machado foi à Polícia Civil tentar registrar um Boletim de Ocorrência contra o marido da prefeitura de Faro. “Eles queriam registrar B.O, mas desistiram depois. E após a desistência, eles pediram apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar para dar efetividade à medida do superintendente do Ibama do Amazonas, mas eu expliquei que aquilo não seria possível sem ordem judicial. Então falei que deveriam ingressar em juízo”, explicou o delegado.

A partir de agora, o delegado Jair Assunção vai prosseguir com as investigações para verificar as causas do incêndio. “Vamos apurar tudo, até o fato do Ibama ter direcionado a uma empresa próxima ao prefeito a designação da balsa. Quero saber a motivação do ato administrativo redesignar a responsabilidade dos bens a uma empresa local de Nhamundá”, completou.

Crime ambiental

A balsa do prefeito de Nhamundá foi apreendida pelo Ibama e pela PF no dia 14 de março deste ano durante uma operação para desmontar um esquema especializado na extração ilegal de seixo no leito do rio Nhamundá, na fronteira com o Estado do Pará. Além disso, também foi apreendido um maquinário especial para a extração do seixo, com outra balsa com draga, e um arsenal de grosso calibre, como submetralhadoras, rifles, pistolas e espingardas, e de armas brancas.

Na ocasião, homens que estavam em posse das embarcações e das armas foram presos e o prefeito de Nhamundá, Nenê Machado, confirmou ser dono dos equipamentos, mas negou a propriedade das armas e o crime ambiental. Até o momento, as investigações sobre o crime de extração ilegal de seixo do rio Nhamundá não foram finalizadas e o prefeito Nenê Machado continua sendo investigado.

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