Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
POLÍTICA

Bancada do AM não vê clima para processo de impeachment de Bolsonaro

Dos congressistas do Amazonas ouvidos por A Crítica apenas um defendeu a abertura do processo de impeachment contra o presidente



download__1__6E461A02-0B1B-4D3D-B9E8-2C2E1DEE0945.jpg Foto: Adriano Machado/Reuters
29/04/2020 às 08:15

A abertura de um processo de  impeachment de  Bolsonaro (sem partido) e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar as denúncias feitas pelo ex-ministro Sergio Moro de interferência política do presidente na Polícia Federal, não têm o apoio da maioria da bancada federal do Amazonas. O presidente é alvo de trinta pedidos de impedimento. Desse total, três propostas foram apresentadas após as acusações do ex-juiz. 

Na segunda-feira, o  presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a prioridade da sua gestão é o combate ao coronavírus e questões como CPIs ou pedidos de impeachment “têm que ser olhadas com muita cautela”. 



Maia disse que ampliar a crise política só agravará as incertezas políticas afastando investidores e dificultando a retomada da economia. “Devemos voltar para a agenda que preocupa todos os brasileiros. Não podemos, de forma nenhuma, que o Parlamento seja motivo de crises e incertezas”, afirmou.

Pedidos

Desde a última sexta-feira, 24, a Câmara recebeu três novos pedidos que se somam a outros 27 que já haviam sido apresentados. Os três mais recentes foram protocolados pelo PDT, pelo PSL, partido pelo qual Bolsonaro foi eleito, e pelo Movimento Brasil Livre. O presidente é acusado de ter cometido crimes de responsabilidade previstos na Constituição Federal e na Lei do Impeachment. 

Há também pedido de abertura de uma CPI Mista formalizado pelo PSDB para apurar eventuais crimes praticados por Bolsonaro. Dos pedidos, sete têm relação com a participação do presidente em manifestações que defendem a retomada da atividade econômica em todo o País durante a pandemia da covid-19. Bolsonaro é denunciado de minimizar a exposição da população ao novo coronavírus.

O deputado federal José Ricardo (PT) enfatizou que Rodrigo Maia não pode engavetar os pedidos de impeachment e da criação de CPI. O parlamentar avalia que o número de propostas representa a insatisfação de boa parte da classe política e da sociedade.

“As denúncias são graves. Tem que haver as apurações e nesse caso avaliar o crime de responsabilidade cometido ao longo desse governo. Agora, temos como prioridade número um de todo mundo enfrentar a pandemia. Nada impede que, em paralelo, o Congresso trate também desses pedidos de impeachment", declarou.

Sem motivo

Na avaliação do deputado Pablo Oliva (PSL), no momento, nenhum comportamento de Bolsonaro justifica a abertura de um processo de impeachment.

“O afastamento presidencial é medida de exceção e depende de provas incontestáveis do cometimento de crime de responsabilidade. As denúncias do Juiz Sérgio Moro serão apuradas pelo STF (Supremo Tribunal de Federal). Vamos aguardar o resultado das investigações”, disse.

Para Marcelo Ramos (PL), o afastamento do presidente da República é um processo que gera muita instabilidade, é demorado e agravaria a crise ‘já tão profunda no país’.

“Concordo com o presidente Rodrigo Maia de que devemos ser muito prudentes e, nesse momento, concentrar toda nossa energia em combater o coronavírus e salvar a vida dos brasileiros. Com a decisão do STF de instaurar Inquérito penso que já teremos uma investigação sobre os fatos envolvendo o presidente e no STF isso gera menos instabilidade ao país”, afirmou.

Segundo o deputado, caso a apuração do Supremo revele o surgimento de novos elementos as propostas de impedimento podem ser reavaliadas após o período de pico da crise do novo coronavírus no Brasil.

Na segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello autorizou abertura de inquérito para apurar as declarações de Moro contra Bolsonaro.

Personagem: Deputado federal Alberto Neto> “Estão tramando para derrubar o presidente”.

O deputado federal Alberto Neto (Republicanos) disse, em live no facebook na segunda-feira, ser contra qualquer investigação e que não há materialidade nos pedidos apresentados na Câmara que justifique o afastamento do presidente Jair Bolsonaro.

“Não é a mudança política do diretor-geral (da PF) que as investigações vão parar. É mentira. Estão querendo criar uma narrativa para derrubar o presidente. Nenhum policial vai deixar de investigar. Não aconteceu nem com o Lula, Dilma, Temer e nem vai com o Bolsonaro. Tenho certeza que o Rodrigo Maia não vai instaurar nenhum pedido pela ausência de justificativa e materialidade”, disse.

O deputado afirmou que parlamentares estão utilizando a saída de Sergio Moro do governo para potencializar e acelerar a tramitação das propostas. “Estão tramando para derrubar o presidente. Não há nenhum crime e nenhuma notícia de corrupção nesse governo, diferente dos anteriores. Não podemos dar espaço para esquerda voltar ao poder. Precisamos da maioria para arquivar ou que (o processo) perca na votação”, declarou.

Ao analisar o pedido apresentado pelo PSL, ele criticou deputados  da sigla que foram eleitos na carona do presidente.

Saiba mais

Na última quinta-feira, o ministro do STF Celso de Mello pediu informações ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre a análise do pedido de impeachment contra Bolsonaro apresentado por um grupo de advogados, que decidiu acionar o Supremo para obrigar Maia a analisá-lo imediatamente.

Omar e Plínio não vão assinar pedido de CPI

O coordenador da bancada federal do Amazonas, senador Omar Aziz disse que os 12 senadores do PSD decidiram  não assinar a criação de CPI contra Bolsonaro.

“Esperar o Supremo se manifestar até porque nessa pandemia e crise econômica é impossível. Estamos fazendo sessões remotas, como fazer uma CPI neste momento?  Não vamos assinar nenhuma CPI ou investigação contra o presidente nesse momento”, disse.

Plínio Valério (PSDB) argumenta que as propostas vão ficar na gaveta do presidente da Câmara que terá em mãos um instrumento de negociação. O senador disse que há motivos para um pedido de impeachment, mas não é o momento. 

“A ele (Maia) compete levar ao Plenário e com certeza não o fará agora. Seria colocar a política acima do interesse da Nação. Não assinei nenhuma CPI por entender que precisamos primeiro atravessar essa tempestade. Aqueles que buscam a paz, tem que fazer concessões difíceis em tempo de guerra. Eu escolhi não jogar gasolina no incêndio”, afirmou o senador.

Silas Câmara (Republicanos) se posicionou contrário aos pedidos de impeachment. “Não tem clima e nem motivo concreto para tal. Sou contra”.

Átila Lins (PP) disse que não há clima para instauração de um processo de impeachment. “Não tenho posição sobre o impeachment. Acho prematuro. As acusações contra o presidente tem que ser comprovadas. Não quero desviar a minha atenção do gravíssimo problema que estamos enfrentando  para tratar de política. Tudo a seu tempo”, declarou.

Bosco Saraiva (Solidariedade) afirmou que aguardará o posicionamento da mesa diretora da Câmara quanto a ‘enxurrada’ de pedido de impedimento do presidente para emitir opinião em processo, caso alguma proposta seja aceita.

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Repórter de A Crítica

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