Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
REPERCUSSÃO

Bancada do AM projeta barreiras para criação de zona franca na Ilha do Marajó

Políticos e empresários atacaram projeto anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira (3), em Brasília.



_abrace_o_marajo20200303_0183_7B1E1961-0884-4E52-9C4D-086FD0D96D74.jpg Foto: Alan Santos/PR
04/03/2020 às 15:46

A repercussão negativa sobre a proposta de criação de uma nova zona franca na Ilha de Marajó, no estado do Pará, anunciada nesta terça-feira (3) pelo presidente Jair Bolsonaro, foi imediata. As críticas vieram de todos os setores. Perplexos, políticos e empresários atacaram a declaração do presidente da República dada durante o lançamento do programa Abrace o Marajó, comandado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

“Não vou permitir. Enquanto eu for presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nenhuma votação de proposta de criação de zona franca em qualquer parte do Brasil vai acontecer”, garantiu o coordenador da bancada do Amazonas, no Congresso Nacional, senador Omar Aziz (PSD-AM). 



Segundo o senador, há na CAE do Senado seis pedidos de criação de zonas francas no país, entre eles estão a do estado do Maranhão, Goiás, Distrito Federal e no Espírito Santo, onde já tem um porto pronto para fazer o escoamento da produção.

O vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Plínio Valério (PSDB-AM), chamou a proposta de Bolsonaro de “a Mãe de todas as incoerências possíveis”. Para ele, o presidente cala quando, deliberadamente o ministro Paulo Guedes bombardeia a Zona Franca de Manaus “que é um modelo de sucesso” e incentiva a criação de uma nova zona franca no Marajó, que pode dar certo ou não. 

Para o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, da Câmara dos Deputados, Bosco Saraiva (SD-AM), a criação da zona franca do Marajó é só mais um arroubo do presidente Bolsonaro.

“A política econômica implantada desde sua posse na Presidência é de frontal combate aos incentivos fiscais e é, exatamente, por esse motivo que ele deprecia a Zona Franca de Manaus a olhos vistos. Não vejo nenhuma chance dessa proposta avançar no Congresso Nacional, pois, há muitos anos dormiram outras propostas de criação de outras Zonas Francas país a fora”, disse Bosco Saraiva. 

Dificuldades para criar ZF do Marajó

O deputado federal José Ricardo (PT-AM) também vê dificuldades na criação da nova zona franca no estado do Pará porque, segundo ele, a prática do governo federal é fazer uma política anti-incentivos fiscais, contra a Zona Franca de Manaus (ZFM). E por que com Marajó seria diferente? Questiona o parlamentar. 

“No máximo, podem pensar em criar uma área de livre comércio, como existe em várias cidades do Norte, mas uma Zona Franca industrial nos mesmos moldes de Manaus é muito difícil, não acredito”, afirma José Ricardo. 

O deputado petista diz ainda o governo federal não tem projeto para desenvolver verdadeiramente a região Norte, por isso, a bancada parlamentar, o Governo do Amazonas, empresários e trabalhadores precisam continuar lutando pela Zona Franca de Manaus, “que o presidente ameaça todos os dias com as medidas de redução de alíquota, inviabilizando setores da economia”.

O deputado Marcelo Ramos disse que não vê nenhuma chance de o ministro Paulo Guedes apoiar a criação de uma nova zona franca no Brasil. “Seria completamente contra a política dele. Além do mais, seria muito difícil uma proposta dessas passar na Câmara dos Deputados. Portanto, considero mais uma palavra do presidente para agradar setores do Pará do que um compromisso efetivo”, disse Marcelo.

Manifestação da indústria

O representante da Federação e Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam/Cieam) em Brasília, Saleh Hamdeh, disse que, ao anunciar estudos para criação da zona franca do Marajó, o presidente da República reforça, comprova e atesta que incentivos fiscais são imprescindíveis para o desenvolvimento regional e o combate à pobreza. 

“A Zona Franca de Manaus é um exemplo exitoso de desenvolvimento e geração de riqueza e deve ser fortalecida, pois, ainda há muito a fazer em toda a Amazônia Ocidental”, complementou o executivo da Fieam/Cieam.

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Repórter de A Crítica - Correspondente em Brasília

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