Domingo, 29 de Novembro de 2020
POLÍTICA

Bancada do AM repercute saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça

Parlamentares avaliam que as acusações feitas pelo ex-ministro de que Jair Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal, além de implicações políticas, ensejam o pedido de impeachment do presidente



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24/04/2020 às 16:18

A saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública causou reação no meio político. Parlamentares do Amazonas avaliam que as acusações feitas pelo ex-ministro de que o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) interferiu politicamente na Polícia Federal (PF), além de implicações políticas, ensejam o pedido de impeachment do presidente.

O senador Plínio Valério (PSDB) declarou que há motivos consistentes para um pedido de impeachment do presidente da República. Todavia, o parlamentar defende que esse processo não aconteça durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Para Plínio, a saída de Moro teve apenas ‘seu primeiro capítulo’.



Na manhã desta sexta-feira (24), Sérgio Moro anunciou o seu desligamento do Ministério da Justiça. A saída de Moro ocorre após o presidente Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

“O Presidente, com certeza, deve ter concluído que está forte o suficiente para fazer hoje o que pensava fazer amanhã. Torço para que ele tenha firmeza suficiente para comandar o barco nessa travessia sob tempestade. Com as mudanças na Polícia Federal e no Ministério da Justiça, o importante não é saber quem perde ou ganha, é torcer para o barco não ficar fazendo tanta água e afundar”, publicou o senador nas redes sociais.

Na avaliação do deputado Bosco Saraiva (Solidariedade) é ‘gravíssima’ a situação política de Bolsonaro neste momento.

“Ainda estou sob o impacto das revelações do Dr. Sérgio Moro. O Congresso saberá avaliar corretamente o fato e tomar a adequada decisão que o Brasil precisa neste momento”, afirmou.

José Ricardo (PT) declarou que as acusações feitas por Moro reforça o pedido de afastamento de Bolsonaro do cargo.

O parlamentar lembrou que a participação do presidente da República em ato antidemocrático, que pedia o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e intervenção militar no Brasil, em Brasília, no último domingo (19), já justifica o pedido de impeachment.

“O fato do bolsonaro ter participado de manifestações contra a democracia, a Constituição, as instituições já seria um motivo, inclusive já tem pedido de impeachment no Congresso Nacional. Com as denúncias do Moro em relação a ingerência do presidente, e uma série de outras questões, reforça essa tese. O Partido dos Trabalhadores vai debater e discutir hoje, mas já tem elementos para essa propositura”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que o ex-ministro se calou e negou-se a investigar a família de Bolsonaro e agora está fugindo do governo. Segundo o petista, Moro deveria permanecer e lutar contra pandemia.

“Ele estava como ministro como um prêmio por ter impedido o ex-presidente Lula de ser candidato (nas eleições 2018) e ajudou Bolsonaro a ser eleito. Pouco entendia de segurança pública e pouco realizou para melhorar a segurança no Brasil e no Amazonas.  Ficou calado quando a democracia foi atacada e as instituições como o STF e o Congresso Nacional”, argumentou.

Para o deputado Sidney Leite (PSD), a sociedade brasileira perde com a saída de Moro e a presença do magistrado no Ministério da Justiça, segundo o parlamentar, representa o combate à corrupção e a independência dos órgãos de investigação. 

“As denúncias feitas pelo Sergio Moro são muito graves e precisam ser apuradas pelo congresso. Antes de qualquer pedido de impeachment é preciso apurar o que foi falado pelo ex-ministro da justiça. Agora, lamento profundamente essa situação, porque é tudo o que o Brasil não precisa. Estamos enfrentando uma crise na saúde e na economia por conta desta pandemia e enfrentar agora uma crise no governo, é algo bem complicado para o momento”, declarou o parlamentar.

O deputado Alberto Neto (Republicanos) escreveu, no Twitter, que não será permitido o impeachment do Bolsonaro referindo-se ao pedido do Partido Democrático Trabalhista (PDT), protocolado na Câmara dos Deputados na quarta-feira e assinado pelo deputado Ciro Gomes (PDT-CE). “A esquerda não aceita ter um governo sem escândalos de corrupção, não aceita ter um governo que trabalha para prover o melhor para o povo brasileiro, não aceita ter um presidente honesto e sem passagem pela polícia”, publicou.

O parlamentar agradeceu, nas redes sociais, todos os esforços de Moro em acabar com a corrupção e o crime organizado no Brasil. “Obrigado Moro pelos serviços prestados ao Brasil. A nação brasileira agradece”, disse o deputado e capitão da Polícia Militar que se elegeu e tem como bandeira de atuação a segurança pública.

Pablo Oliva (PSL) divulgou vídeo em que lamenta a saída de Moro e elogiou a trajetória do ex-ministro.

“Como um verdadeiro maestro, combateu a criminalidade e a corrupção no Brasil. Mantenho o meu compromisso com a autonomia e a independência da Polícia Federal nas investigações que resgataram  orgulho dos brasileiros”, disse o deputado e delegado da PF.

Silas Câmara (Republicanos) também lastimou a forma como Moro deixou o governo. “Brasil perde muito e o governo também”, disse.

Delação premiada

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) avalia que as declarações do ex-ministro da Justiça, de que o presidente tentava ter acesso a relatórios da inteligência da PF, deixaram o político numa posição desconfortável perante a opinião pública, principalmente, diante do seu eleitorado. Para Serafim, Moro não fez um pronunciamento, mas “uma delação premiada”. 

“Ora, a Polícia Federal é um órgão de estado, não um órgão de governo. Essa interferência é injustificada. Agora, quando a revelação desse fato vem do Sergio Moro isso não é um pronunciamento, é uma delação premiada. Eu vejo que essa declaração coloca o presidente (Bolsonaro) numa situação muito desconfortável perante a opinião pública e principalmente, perante o seu próprio eleitorado que deve em parte estar decepcionado com essa postura”, disse Serafim.

Em coletiva de imprensa, o ex-ministro declarou que Bolsonaro queria alguém para quem pudesse telefonar para colher informações privilegiadas.

“A coisa é tão escandalosa que o Sergio Moro sentiu saudades do governo anterior (PT) que não interferia nos trabalhos da Polícia Federal. Vejam a que ponto chegamos. Mas vamos aguardar, todos temos que ter serenidade para ver como administramos conjuntamente essa crise que se acresce a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. É muito grave o que o ministro Sérgio Moro disse em relação ao presidente da República”, afirmou Corrêa.

O deputado federal Marcelo Ramos (PL) pondera que a saída de Moro gerará uma crise política e institucional “que precisa ser rapidamente superada para que não dispersemos os esforços do combate ao coronavírus e preservação da vida dos brasileiros”.

Ao parafrasear um amigo, Ramos disse que Moro não deu uma coletiva.

“Ele fez uma delação premiada! Um ministro dizer que o presidente trocará o Diretor da PF por ter interesse de interferir em inquéritos é muito grave. O Chefe do Executivo obstruir e interferir em inquéritos é crime”, escreveu no Twitter.

O parlamentar disse ainda que o momento não é para açodamentos (precipitações) e qualquer consequência decorrente das declarações do ex-ministro deve considerar a grave crise sanitária, econômica e social gerada pela pandemia de Covid-19 no país.

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