Terça-feira, 31 de Março de 2020
economia

Bancos podem driblar redução de juros do cheque especial, dizem economistas

Economistas consultados pelo Portal A Crítica acreditam que os bancos buscarão outras medidas para cobrir o déficit gerado após Banco Central (BC) determinar o limite de 8% nos juros do cheque especial



ARQUIVO_AC_F03E32B3-595C-4334-8EC8-CA4A8369936B.JPG Foto: Arquivo AC
06/01/2020 às 15:48

A partir desta segunda-feira (6) passa a vigorar o limite de 8% nos juros do cheque especial, modalidade de crédito disponibilizada pelos bancos. De acordo com o Banco Central (BC), em novembro de 2019 a taxa fechou em 12,4% ao mês, isto significa que ao ano o cliente pagava 306,6% de juros em cima do valor emprestado. Com a nova medida, o correntista pagará 151,8% de juros ao ano.

Apesar da redução na taxa, economistas consultados pelo Portal A Crítica acreditam que os bancos buscarão outras medidas para cobrir o déficit com o limite nos juros do cheque especial. Segundo o economista Ailson Rezende, a questão em relação às taxas é mais complexa. Para o especialista, mesmo com a redução nos juros, ainda assim o valor é alto e só quem lucra com isso são os bancos.



“Veja bem, hoje os correntistas pagam em média R$ 20 pela taxa de manutenção na conta. Se esse valor não é pago, o cliente é negativado e a própria instituição financeira utiliza o cheque especial para quitar a manutenção. Nessa ação já começa a correr os juros. Essa quantia do cheque especial nenhum cliente solicita. É um valor que o banco libera e cobra de quem utiliza essa modalidade de crédito e também de quem não utiliza”, explicou o economista.

Sobre o uso do cheque especial, Rezende salienta que é vantajoso apenas quem está com problemas emergenciais, mas configura como prejuízo para os correntistas que não utilizam. “A taxa está em 8%, no entanto, os bancos tradicionais podem encontrar mecanismos para recuperar o dinheiro. Por exemplo, temos o direito a três saques em caixas 24 horas, se o banco quiser cobrar taxa por um desses saques ele poderá fazer. O ideal é não usar o cheque especial”, exemplificou o economista.

Segundo a economista Denise Kassama, o banco nunca vai querer perder. “O cheque especial ajuda uma parcela significativa do mês para quem necessita. No entanto, o banco não vai abrir mão da receita”, pontuou a especialista. “Os bancos tradicionais podem tentar utilizar de outras formas para cobrir essa redução, embora a medida seja um alento para a população endividada com o cheque especial”, complementou Kassama.

Fintech

Start-ups surgiram no mercado com o intuito inovar e aperfeiçoar serviços do sistema financeiro, conhecidas como Fintech (junção das palavras americanas Financial e Technology), tem despertado interesse de clientes em razão da ausência, ou quase inexistências, de taxas e juros considerados abusivos.

O economista Ailson Rezende analisa a presença desses bancos on-line como uma ameaça aos bancos tradicionais. “Clientes pequenos estão migrando para os bancos digitais. Os bancos tradicionais podem usar outras taxas para suprir a saída desses usuários. Não deviam cobrar uma taxa de quem não utiliza o cheque especial”, disse Rezende.

Por outro lado, a economista Kassama acredita que a tendência é os bancos tradicionais migrarem para os serviços on-line. “Esses bancos têm muitos clientes e já são consolidados. Acredito que a tendência é esses bancos se tornarem Fintechs. Eu mesma não vou ao banco tem uns três meses, resolvo tudo on-line. Caso isso ocorra até os bancários serão afetados”, analisou.

Comércio em espera

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson da Frota, declarou que com a redução das taxas de juros do cheque especial a expectativa é que menos pessoas fiquem negativas e com isso voltem a comprar.

“Essa determinação do Banco Central é justamente para coibir as taxas abusivas dos bancos. O Governo Federal vem procurando medidas para baixar essas taxas. É inadmissível uma taxa Selic de 4,5% ao ano e a taxa dos bancos serem 300% ao ano”, pontuou o presidente da Fecomércio, Aderson da Frota.

Bancos e taxas

De acordo com o BC, no período entre 13 de dezembro a 19 dezembro do ano passado, a instituição financeira registrou as seguintes taxas de juros para cheque especial concedidos a pessoas físicas (PF): Banco Santander com 14,78% ao mês e 422,8% ao ano; Banco Bradesco com 12,78% ao mês e 323,36 ao ano; Itaú Unibanco com 12,46% ao mês e 309,24% ao ano; Banco do Brasil com 12,10% ao mês e 293,93% ao ano; Banco da Amazônia com 8,22% ao mês e 158,02% ao ano; e Caixa Econômica Federal com 6,94% de juros ao mês e 123,80 anualmente.


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