Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
ROTA DO SOLIMÕES

Base para conter avanço do tráfico começa a operar este mês em Coari

Mais de 200 policiais das forças de segurança dos Governos do Estado e Federal, incluindo o Exército brasileiro, Polícia Federal e até integrantes da Força Nacional vão integrar o “Vigia”, na rota do Solimões



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02/03/2020 às 08:16

No principal corredor do Amazonas de tráfico de drogas, armas e crimes ambientais, responsável pelo aumento do índice de violência, assassinatos e assaltos por “piratas dos rios”, na região do Médio Solimões, o município de Coari (a 370 quilômetros de Manaus) e cidades vizinhas vão ganhar um reforço a partir desse mês de março. Mais de duzentos policiais das forças de segurança dos Governos do Estado e Federal, incluindo o Exército brasileiro, Polícia Federal e até integrantes da Força Nacional vão integrar o “Vigia” – Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no novo front de monitoramento e fiscalização contra o crime organizado: a Base Arpão. 

Nessa nova base móvel, instalada nos arredores de Coari para atender também os municípios de Codajás, Anori, Tefé, Uarini e Tabatinga, 55 policiais civis e militares vão se revezar diariamente que, com o apoio das demais forças de segurança, mergulhadores do Corpo de Bombeiros e agentes ambientais do Ibama vão fortalecer o Programa Vigia com cerca de 500 integrantes nas regiões do Alto, Médio e Baixo Solimões. 



O coordenador-geral do Programa Vigia, Eduardo Bettini, explicou que a Base Arpão vai ser instalada no município de Coari para bloquear ao máximo o tráfico de drogas pelos rios, mas também para servir a população que passa por graves problemas com a segurança pública. “Temos imagens de piratas chegando às aldeias, comunidades, vilas, roubando combustível e matando pessoas. A instalação da Base Arpão em Coari é porque lá um ponto estratégico, uma rota de passagem de todo o tipo de crime”, disse Bettini. 

Ainda segundo ele, antes de instalar a base móvel de segurança, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) fez um estudo de cenário, em conjunto com o Ministério da Justiça. E um dos critérios utilizados para a escolha do município de Coari foi a presença dos “piratas dos rios”.

Primeiros resultados

Iniciado no Amazonas no final de 2019, em 100 dias de ação, a Operação Hórus, principal braço do “Vigia” apreendeu 4,32 toneladas de drogas, sendo 3 toneladas de skunk e 1,26 de cocaína; nove embarcações, 16 carros e cinco motos. Armas foram 156 e munições chegaram a 622 e seis granadas; um avião, três coletes à prova de balas e 45 celulares. Duzentas pessoas foram presas e a polícia também encontrou R$ 8.479,10 em espécie. Com essas apreensões, o prejuízo aos criminosos chegou a R$ 19,5 milhões. 

“Estamos monitorando as mudanças da atividade criminosa na região. Se ela mudar ou migrar, o programa também o fará, por isso, a Base Arpão é móvel, como a Base Anzol, na região de Tabatinga, no Alto Solimões, que está sendo reativada. Assim, o programa evita construir bases físicas, algo muito rígido”, explicou Eduardo Bettini.

O coordenador-geral do Vigia informa ainda que o programa desenvolvido no Amazonas ainda está na fase piloto. Em colaboração com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), responsável pela Base Arpão, em Coari, as ações da Operação Hórus vão ser aceleradas a partir da instalação da base móvel.

Opinião - Louismar Bonates, secretário da SSP-AM

“A tríplice fronteira Norte, onde o Estado do Amazonas está localizado, é mais complexa do que a fronteira sul, por conta da sua dimensão territorial, sua floresta e seus muitos rios, o que dificulta a segurança pública. Havendo a união de esforços tanto de inteligência quanto operacional, neste caso por meio da Operação Hórus, dentro do Programa Vigia, com certeza facilitará o trabalho da segurança como um todo, uma atuação efetiva contra o tráfico de drogas e armas, o que tratará bons resultados à nossa população. Essa operação lançada pelo Governo Federal, Ministério da Justiça coincide com a integração das polícias, das forças de segurança não somente do Amazonas, mas dos Estados vizinhos do Norte. Isolados, somos poucos, mas trabalhando juntos, a segurança pública dessa região dará um grande salto. Teremos, em breve, a Base Arpão, na região do município de Coari e que se estenderá até o Alto Solimões. Esse grande barco vai percorrer, com 55 policiais diariamente, toda essa extensão de rios, seus furos e pequenos acessos para conter o tráfico de drogas, armas e crimes ambientais. É uma das ações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, em colaboração com o Ministério da Justiça e demais instituições do Governo Federal”.

Verba de R$ 27 milhões​

Para manter o contingente operacional de 500 profissionais, que integram toda a Operação Hórus, do Programa Vigia no Amazonas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) conta com um orçamento de cerca de R$ 27 milhões em 2020 para todo o programa. Somente um sistema de comunicação, que está em fase de instalação, para realizar operações integradas custou em torno de R$ 17 milhões e um binóculo de visão termal cerca de R$ 1 milhão. 

O Vigia também está adquirindo óculos de visão noturna, lanchas e outros equipamentos que ainda estão em fase de licitação. Além do orçamento aprovado, o Programa Nacional de Segurança das Fronteiras também vai contar com R$ 13 milhões da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), resultado de bens apreendidos de traficantes e outros criminosos. 

Há ainda o custo das diárias dos 55 policiais que vão ficar disponíveis na Base Arpão (220 por mês) e esses recursos saem dos cofres do Ministério da Justiça. A contrapartida do Governo do Amazonas são os recursos humanos, já que os policiais civis, militares e do Corpo de Bombeiros são remunerados pelo Estado. 

O Vigia também recebeu emenda parlamentar do deputado federal Luiz Philippe de Orleans Bragança (PSL-SP) no valor de R$ 1,5 milhão, que será utilizado na compra de óculos de visão noturna a serem enviados ao Amazonas.

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Repórter de A Crítica - Correspondente em Brasília

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