Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020
INTERNACIONAL

Beirute se recupera de enorme explosão enquanto número de mortos sobe

Cerca de 5 mil pessoas ficaram feridas na explosão, e até o momento 135 corpos foram encontrados



beirute1_F7AC72D1-BFEA-4991-9A4E-82A6DBCA9370.JPG Foto:Azakir/Reuters
05/08/2020 às 16:55

Equipes de resgate libanesa procuravam nesta quarta-feira sobreviventes nos destroços de edifícios e investigadores apontavam para negligência como causa de uma enorme explosão num armazém que enviou uma onda de devastação sobre Beirute, matando pelo menos 135 pessoas.

Cerca de 5 mil pessoas ficaram feridas na explosão de terça-feira no porto de Beirute e até 250 mil ficaram sem casas adequadas para morar depois que ondas de choque destruíram fachadas de edifícios, sugaram móveis para as ruas e quebraram janelas a quilômetros do epicentro da explosão.



Espera-se que o número de mortos aumente em decorrência da explosão que as autoridades atribuíram a um enorme estoque de material altamente explosivo armazenado por anos em condições inseguras no porto da cidade.

A explosão foi a mais poderosa a atingir Beirute, uma cidade ainda com cicatrizes da guerra civil de três décadas atrás, e impactada por uma crise econômica e por um aumento de casos de coronavírus.

A explosão enviou uma nuvem de fumaça aos céus e chacoalhou janelas na ilha mediterrânea do Chipre, a aproximadamente 160 quilômetros de distância.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, disse que 2.750 toneladas de nitrato de amônio, usado em fertilizantes e bombas, estavam armazenadas há seis anos no porto, sem medidas de segurança.

Em um pronunciamento à nação durante uma sessão de emergência do gabinete, Aoun disse: “Nenhuma palavra pode descrever o horror que atingiu Beirute na noite passada.”

Ele afirmou para a população que o governo está “determinado a investigar e expor o que aconteceu assim que possível, além de responsabilizar os culpados e negligentes, impondo a eles a punição mais severa”.

Uma fonte oficial familiarizada com investigações preliminares culpou “inação e negligência” pelo incidente, dizendo que “nada foi feito” por comitês e juízes envolvidos no assunto para ordenar a remoção do material perigoso.

O gabinete ordenou que as autoridades portuárias envolvidas no armazenamento ou guarda do material desde 2014 sejam colocadas em prisão domiciliar, disseram fontes ministeriais à Reuters. O gabinete também anunciou um estado de emergência de duas semanas em Beirute.

O ministro da Saúde do Líbano disse à televisão Al Manar que o número de mortos subiu para 135, com cerca de 5 mil feridos e dezenas de desaparecidos, enquanto a busca pelas vítimas continua depois que as ondas de choque da explosão lançaram algumas das vítimas ao mar.

Parentes se reuniram no cordão do porto de Beirute em busca de informações sobre os que ainda não haviam sido identificados. Muitos dos mortos eram funcionários portuários e alfandegários, pessoas que trabalhavam na área ou dirigiam por perto.

A Cruz Vermelha estava coordenando com o Ministério da Saúde libanês a criação de necrotérios, já que os hospitais estavam sobrecarregados.

Estados Unidos, Reino Unido, França e outras nações ocidentais, que exigem mudanças políticas e econômicas no Líbano, ofereceram ajuda. Alemanha, Holanda e Chipre ofereceram equipes especializadas de busca e resgate. O presidente Jair Bolsonaro também anunciou que o Brasil enviará ajuda ao país.


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