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Bioprótese com madeira para pé e tornozelo é testada no Amazonas

A utilização de madeiras da região para produção de próteses de pé e tornozelo foi apresentada nesta terça-feira (16), durante Seminário de Avaliação Final do Programa Estadual de Atenção à Pessoa com Deficiência 17/09/2014 às 12:29
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Paulo Alexandre dos Santos aprova bioprótese desenvolvida em projeto coordenado pela professora Marlene Araújo
Ana Celia Ossame ---

O engenheiro mecânico Paulo Alexandre Santos, 32, fez uma demonstração do uso do protótipo de bioprótese de pé e tornozelo em madeira laminada ontem, durante o Seminário de Avaliação Final do Programa Estadual de Atenção à Pessoa com Deficiência - Viver Melhor/Pró-Assistir. O projeto, desenvolvido pela coordenadora do Núcleo de Tecnologia Assistiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professora Marlene Araújo, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, o deixa de sorriso no rosto porque, como disse, o material dá um conforto incomparável com a outra prótese de fibra de carbono, já que apresenta uma absorção menor do impacto do passo.

O projeto, denominado “Desenvolvimento do Protótipo de Bioprótese de Pé e Tornozelo em Madeira Laminada com Avaliação Clínica em Pacientes Protetizados”, é desenvolvido pelo grupo de pesquisa “Tecnologia Assistiva”, da Escola Superior de Tecnologia (EST) e da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da UEA.

Há cerca de uma década em pesquisada, a ideia da prótese veio com a proposta de estudar a aplicação de madeiras da Amazônia nos produtos e próteses de pé e tornozelo, explicou Marlene, revelando que os tipos de madeira que mais se adequaram ao proposto foram o Pau d’Arco, Rouxinho e Cumaru.

Pela primeira vez usando madeira laminada numa prótese, os testes de carga cíclica apresentaram uma durabilidade semelhante a de uma prótese de fibra de carbono. Segundo a professora, uma prótese de fibra de carbono tem cerca de cinco anos de durabilidade, mas esse é um aspecto importante da prótese de madeira laminada desenvolvida pela UEA. “Como usamos pouca madeira, vai sair 90% mais barata que a de fibra de carbono”, disse ela. Uma prótese dessas custa, no mercado, entre R$ 7 a R$ 10 mil, observou a coordenadora. Segudo a professora, em nível nacional, apenas 3% dos pacientes amputados de pé e tornozelo têm acesso a uma prótese de fibra de carbono pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Devido ao custo elevado, existem mais de 200 pacientes na fila de espera por uma prótese na rede pública de saúde no Amazonas.

AVALIAÇÃO

Após as avaliações da engenharia e com o paciente, Marlene diz que o grupo de pesquisa vai trabalhar para aumentar a resistência mecânica da prótese. Segundo ela, uma vantagem relatada pelo paciente Paulo Alexandre, é o conforto provocado pela madeira, que é um material biológico especial. “Quando passamos a trabalhar madeira laminada, fizemos avaliação dos raios de curvatura, de lâmina a lâmina e vimos que se houver um acidente e a prótese quebrar, com as lâminas esse rompimento não se dá de uma vez, permitindo ao usuário perceber antes e tomar as providências necessárias para evitar um acidente”, explicou Marlene.

O engenheiro Paulo Alexandre considera-se um privilegiado em poder ajudar nos testes de um material que, pelas contas da coordenação do projeto, pode levar pouco mais de 18 meses para ser disponibilizado no mercado como produto. A melhoria em conforto, qualidade de vida e de mobilidade é tão boa que ele gostaria de poder dispor de uma prótese dessas permanentemente já a partir de agora.

Grupo vai ampliar pesquisas

Sob a coordenação da professora Marlene Araújo, o projeto de biopótese de pé e tornozelo conta também com a participação dos pesquisadores Cleinaldo de Almeida Costa, Francisco Ferrera Fernandez, Frederico Veiga, José Luiz Valin Rivera e Luiz Antônio de Oliveira, além de acadêmicos do curso de Engenharia Mecânica, Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Elétrica.

Após a conclusão desse projeto, que vai beneficiar pacientes amputados usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), Marlene anuncia que as pesquisas continuarão para a produção de próteses de joelho e quadril.

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