Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Encontro bispos

Bispos alertam para mortes de jovens no Brasil

Reunidos em Manaus, bispos definiram como trágica a morte diária de pessoas jovens em situação de violência



1.jpg Religiosos cobraram a implementação de políticas públicas para reduzir o índice de mortos entre 14 e 25 anos
23/09/2013 às 08:03

A necessidade de aproximação entre comunidades católicas e os jovens, que têm sido as maiores vítimas da violência, foi uma dos temas que marcaram os debates de encerramento da 51ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte I),  no último dia 19, em Manaus. “Durante essa assembleia, vários jovens foram mortos numa sociedade que cuida mais do ter e poder do que do ser”, lamentou dom Sérgio Castriani, arcebispo metropolitano de Manaus que juntamente ao bispo de Roraima, dom Roque Paloschi,  defendeu uma atenção especial das autoridades e das famílias a essa faixa etária da população. Das mortes entre 14 e 25 anos, em 2011, 73,2% foram homicídios, revela o Mapa da Violência 2013.

Dom Roque afirmou que um dos desafios apresentados na reunião, que discutiu o tema da Campanha da Fraternidade de 2014, que será a juventude, foi o que chamou de “saída do berço esplêndido” da desmotivação para encontrar um canal de comunhão com os jovens. “Temos que ser sal da terra, temos que ajudar a mudar essa realidade de violência que ceifa a vida dos jovens”, afirmou ele, criticando o fato da sociedade valorizar o ter e não o ser humano. Esse tipo de sociedade, prosseguiu o religioso, não encontra forma para ajudar o próximo, ser solidária, partilhar com o outro.

Reflexões

Outro que chamou a atenção para a morte de jovens e a gravidade disso para a sociedade foi dom Sérgio Castriani. Para ele, a violência generalizada contra os jovens já merecia atenção de políticas públicas urgentes. Ao indagar quantos jovens teriam morrido só durante os três dias de reunião, o arcebispo pediu mais reflexão e ação dos poderes públicos. Há também necessidade de políticas públicas voltadas à migração, às áreas de fronteiras e para o combate ao tráfico de drogas nessa região.

Para estar em sintonia com o Evangelho, a igreja, segundo dom Sérgio, tem que voltar o olhar para os indígenas, os ribeirinhos, e às comunidades urbanas e rurais. Ele disse não ser alvo de preocupação o crescimento de algumas denominações identificadas como neo-pentecostais, porque o serviço prestado pela Igreja Católica na Amazônia há séculos fala por si. Dessa forma, os bispos se importam é com o povo católico que está nas comunidades. “Estar em sintonia com Jesus Cristo é olhar para esse povo das comunidades”, finalizou.

Cimi denuncia abandono na saúde

Em documento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Norte I), destacou problemas como a falta de assistência médica adequada que responde pela morte de crianças nas aldeias  foram relatados aos bispos da Amazônia, acompanhado de um pedido de apoio dos bispos.

De acordo com o documento do Cimi, no Vale do Javari, onde vivem cerca de cinco mil indígenas, até o mês de julho passado haviam morrido 11 vítimas de doenças e da falta de assistência do Distrito Sanitário Indígena (Dsei). Duas crianças tiveram as pernas mordidas por cobra foram amputadas por falta de soro antiofídico e por falta de equipamentos nos polos base para acondicionar medicamentos. Há ameaças de morte a índios no município de Autazes (a 118 quilômetros de Manaus) por conta dos conflitos pela demarcação das terras, há denúncias contra abuso sexual de crianças indígenas em São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros) e ameaças ais indígenas mais vulneráveis que são os povos isolados.

Municípios como Barcelos (no rio Negro), Lábrea, Manicoré, Tapauá, Tefé, outros da região do Alto Solimões e Vale do Javari há inoperância das autoridades na área de saúde, prejudicando grandemente os indígenas.

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