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Cotidiano
ALERTA À SAÚDE

Boletim epidemiológico da FVS registrou aumento de casos de leptospirose na vazante

O Amazonas registrou 152 casos este ano, aumento de 36,9% em relação ao mesmo período do ano passado 03/10/2017 às 21:22 - Atualizado em 04/10/2017 às 15:38
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(Foto: Reprodução/Internet)
Silane Souza Manaus (AM)

O Amazonas registrou 152 casos de leptospirose este ano, aumento de 36,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 111 casos da doença. Manaus lidera as ocorrências, com 104 casos notificados, seguida por  Maués e Tefé (4 cada), Iranduba (3) e Barcelos (2). Os dados são do Boletim Epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). 

A doença, cuja ocorrência está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados, é comum nesta época do ano, quando a vazante dos rios aumenta o risco de contrair doenças causadas por vírus, bactérias e parasitas presentes na água contaminada pelo lixo e poluição química que se acumulam no solo após a água baixar, criando um “tapete” de sujeira, por onde caminham crianças, idosos e adultos.  

O problema é agravado pela baixa cobertura de coleta e tratamento de esgoto, que no Amazonas está entre as piores do País: 22% da população do Estado tem acesso à rede de coleta e apenas 19% têm o esgoto tratado, antes de ser despejado nos igarapés.

Este cenário é encontrado em diversas áreas não só do interior, mas também da capital amazonense. Na orla da Manaus Moderna, no Centro, os entulhos estão por toda parte e preocupam quem transita pelo local. “É lixo que não acaba. Muitos são recolhidos, mas quando chove a água traz mais ainda e fica desta forma: uma lixeira a céu aberto. Um perigo para muitas pessoas”, disse a vigilante Cilene Marinho, 49. 

Redução nos casos

Mas nem todas as doenças comuns desta época estão em alta. O boletim epidemiológico da FVS aponta que houve redução nos casos de Hepatite A. Até agosto deste ano foram registrados 27 casos da doença no Estado. No ano passado, foram 53 casos. A diminuição foi de quase 50%. 

As doenças diarreicas, que são monitoradas em unidades sentinelas pela FVS, também registraram queda, conforme o boletim epidemiológico da instituição: até setembro deste ano, o Amazonas registrou cerca de 150 mil casos dessas patologias contra os 152.220 casos registrados em 2016. A redução foi de 1,45%. 

Os municípios com o maior número de ocorrências de hepatite A este ano foram Manaus, com 11 casos, Fonte Boa (4), Autazes (3) e Anori (2). A capital amazonense também teve a maior incidência de casos de doenças diarréicas: 65.810 no total, seguida de Parintins (4.535), Tefé (3.812), Itamarati (3.472) e Maués (3.270).

Posição de alerta é constante

Tanto na descida quanto na subida das águas nos rios do Amazonas, a vigilância em saúde segue em alerta, de acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque. As doenças comuns tanto na vazante quanto na cheia, conforme ele, são leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas. “Para cada uma delas existe um protocolo de ação para prevenir possíveis surtos”, garantiu. 

Albuquerque disse que as principais medidas para combater essas doenças, especialmente nas comunidades do interior, são as de educação em saúde e mobilização social. “A FVS distribuiu para secretarias municipais de saúde mais de 2,8 milhões frascos de hipoclorito, para que sejam usados principalmente em comunidades mais atingidas pelo problema, tendo em vista que grande parte da população que adoece é por conta de ingestão de água contaminada”. 

Monitoramento

A FVS informou que as doenças comuns na vazante são monitoradas pelo Comitê Interestadual para enfrentamento Desastres do Amazonas, para evitar risco de surtos.

Repiquete no rio Solimões

Os rios amazonenses continuam em processo de vazante, mas alguns apresentaram subida no nível das águas em parte de seu curso. É o caso do Solimões. Em Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus), o rio subiu 2,07 metros desde o último dia 19, de acordo com o 39º Monitoramento Hidrológico da Amazônia Ocidental 2017, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). 

No entanto, ainda não se pode confirmar o fim do período de vazante, em razão da instabilidade do cotagrama (gráfico) comumente observada nessa época do ano. Nas estações a jusante (mais abaixo), o rio encontra-se vazando. Em Manacapuru (distante 68 quilômetros da capital), a velocidade de descida é de, em média, 16 centímetros por dia nos últimos 7 dias.

Na bacia do Madeira, mais precisamente em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus), o rio também havia subido alguns centímetros nos últimos dias, mas voltou a descer, mantendo-se em processo de vazante. 

As estações monitoradas na calha do Amazonas mostram que o rio está em processo regular de vazante, com expressivas velocidades de descida, similar à bacia do Negro ao longo de todo o seu curso. Mas esta apresenta níveis baixos para o período. No Porto de Manaus, a velocidade de descida foi de, em média, 15 centímetros por dia nos últimos 7 dias.

A bacia do Purus é a única que segue em processo crítico de vazante, conforme os dados do 39º Monitoramento Hidrológico da Amazônia Ocidental 2017.

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